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domingo, 22 de dezembro de 2013

Juventude


"─ Você não deve, na verdade, permitir-se queimar ao sol. Seria inconveniente.

Ora, o que me importa?

Dorian Gray riu, ao sentar-se no banco ao fundo do jardim.

Deveria significar tudo para você, sr. Gray.

Por quê?

Porque você possui uma juventude maravilhosa, e a juventude é a única coisa que vale a pena possuir.

Eu não sinto as coisas dessa maneira, lorde Henry.

Não sente agora. Um dia, quando estiver velho, enrugado, feio, quando o pensamento vier, com suas linhas, murchar-lhe a testa, e a paixão, com seu fogo medonho, vier cauterizar-lhe os lábios, você vai senti-lo de modo terrível. Você, agora, onde quer que vá, encanta o mundo. As coisas serão sempre assim?... Você tem um rosto lindo, maravilhoso, sr. Gray. Não franza o cenho, pois é verdade. E a genialidade, pois não carece de explicação. Pertence aos grandes fatos do mundo, como a luz do sol, a primavera, o reflexo das águas turvas, ou aquela concha de prata, a que chamamos lua. Não pode ser questionada. Possui o direito divino de soberania. Os que a têm, ela os faz príncipes. Você ri? Pois não vai rir quando perdê-la! As pessoas costumam dizer que a beleza é coisa superficial. Mesmo que o seja, não é ao menos tão superficial quanto o pensamento. A beleza, para mim, é a maravilha das maravilhas. Apenas as pessoas superficiais não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, e não o invisível..., sr. Gray; os deuses foram bondoso com você. Mas, tudo o que os deuses dão, tiram rapidamente. Dispomos de apenas alguns poucos anos para vivermos com realidade, perfeição e plenitude. Quando a juventude se for, a beleza irá com ela e você descobrirá, de repente, que não restaram triunfos por conquistar, ou terá que se contentar com os triunfos perversos que a memória do passado tornará ainda mais amargos que as derrotas. E cada mês que feneça o fará aproximar-se, mais e mais, de algo medonho. O tempo tem inveja de você e abre guerra contra seus lírios, suas rosas. Você ficará pálido, de bochechas fundas, de olhos opacos. Você sofrerá horrivelmente... Ah! Perceba a juventude enquanto a tem. Não esbanje os dias de ouro, dando ouvidos aos entediosos, tentando melhorar o fracasso sem esperanças, ou entregando sua vida ao ignorante, ao comum, ao vulgar, ideais doentios de nossa era. Viva! Viva a vida maravilhosa que está em você! Que nada se perca em você! Esteja sempre à procura de novas sensações! Não tenha medo de nada... Um novo hedonismo, eis o que deseja nosso século, e quem sabe você não será seu símbolo visível! Com a personalidade que tem, nada existe que não possa fazer. O mundo lhe pertence, por toda uma temporada... No momento em que o encontrei, percebi que você não tinha muita consciência do que era, do que, na verdade, pode vir a ser. Tanta coisa em você me encantou, que me senti na obrigação de dizer-lhe algo que lhe diz respeito. Pensei, seria trágico que você se desperdiçasse, pois tão curta, tão curta será a duração de sua juventude! Ressecam as flores comuns da colina, mas reflorescem. O laburno, no mês de junho vindouro, será tão amarelo quanto o é hoje, e daqui a um mês, haverá muitos asteroides púrpuras na clematite. Mas jamais voltamos à juventude. A pulsação de alegria, que bate em nós aos vinte, preguiça. Nossos membros falham, nossos sentidos apodrecem. Nos degeneramos em fantoches repugnantes, assediados pela lembrança de paixões a que muito tememos e pelas tentações exóticas a que não tivemos coragem de nos entregar. Juventude! Juventude! Não existe nada no mundo, nada!, senão a juventude!"

Diálogo entre Henry Wotton e Dorian Gray, no romance O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Imagem: cena do filme homônimo (2009), com Colin Firth e Ben Barnes, do diretor Oliver Parker.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rita Baiana


"E viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse momento, evolvendo-a na sua coma de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher.

Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxuriosos que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outros, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, titilando. [...]

E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados.

Naquela mulata estava o grande mistério das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. [...] Só deu por si, quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu à casa.

E viu Rita Baiana levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura.
Jerônimo ficou sozinho no meio da estalagem. A lua, agora inteiramente livre das nuvens que a perseguiam, lá ia caminhando em silêncio na sua viagem misteriosa. [...]


Mas Jerônimo nada mais sentia, nem ouvia, do que aquela música embalsamada de baunilha, que lhe entontecera a alma; e compreendeu perfeitamente que dentro dele aqueles cabelos crespos, brilhantes e cheirosos, da mulata, principiavam a formar um ninho de cobras negras e venenosas, que lhe iam devorar o coração."

Trecho em que Jerônimo aprecia a beleza de Rita Baiana em O Cortiço, de Aluísio Azevedo. 
Imagem: Personagem Isabel (Camila Pitanga), da novela Lado a Lado.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Por que não me cativas?


“Mas aconteceu que o pequeno príncipe [...] descobriu, enfim, uma estrada. [...]

Bom dia! disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

Bom dia! disseram as rosas.

Ela as contemplou. Eram todas iguais à sua flor.

Quem sois? perguntou ele, espantado.

Somos as rosas. responderam elas.

Ah! exclamou o principezinho...

E ele se sentiu extremamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!

‘Ela teria se envergonhado’, pensou ele, ‘se visse isto... Começaria a tossir, simularia morrer para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade...’

Depois, refletiu ainda: ‘Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. [...] Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso...’

E, deitado na relva, ele chorou.

E foi então que apareceu a raposa: [...]

A gente só conhece bem as coisas que cativou disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. [...]

Depois ela acrescentou:

Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:

Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém [...] Sois belas, mas vazias continuou ele. [...] Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi ela que abriguei com o para-vento. Foi por ela que eu matei as larvas (exceto duas ou três, por causa das borboletas). Foi ela que eu escutei se queixar ou se gabar, ou mesmo calar-se algumas vezes, já que ela é a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

Adeus... disse ele.

Adeus disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. [...] Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante. [...] Os homens esqueceram essa verdade disse ainda a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, para não se esquecer.”

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Experiências e reflexões sobre Game of Thrones


Obs.: Leia sem medo; não solto nenhum spoiler.

A primeira imagem era um enorme portão de madeira aberto no meio de uma muralha de gelo que se estendia até se perder de vista no horizonte; dele, três cavaleiros cobertos de peles negras cavalgavam seus garranos. Isso foi há mais de um ano, quando numa tarde de domingo despreocupada eu comecei assistir à primeira temporada de Game of Thrones. Não foi preciso muitos dias para que eu já estivesse de quatro pelos personagens da série.

Depois de assistir aos dez primeiros episódios da série de TV, foi um passo muito curto para que eu comprasse os livros e me mudasse para Westeros, com uma espada de um lado e um saco de dragões de ouro do outro. Depois de vários meses, enfim, eu terminei a leitura dos cinco livros publicados e das três temporadas produzidas pela HBO.

Foi um convívio intenso com os livros: nas rodoviárias, nos ônibus, jogado em algum canto da minha casa, eu sempre estava com um daqueles calhamaços de 800 páginas na mão. As crônicas de Gelo e Fogo tornaram-se o meu vício, a minha mania constante. Quando eu não estava lendo um dos livros, eu estava em algum blog ou site sobre a série: mas, como diria Melisandre, a noite é escura e cheia de terrores spoilers, então encontrar algumas revelações bombásticas era inevitável para minha mente curiosa.


No início, eu achava que era uma injustiça dizer que As crônicas de Gelo e Fogo era melhor que Harry Potter ou que era uma heresia dizer que era melhor que O Senhor dos Anéis, mas hoje eu dou minha cara à tapa e enfrento quem quiser me desafiar num duelo singular (Quem é você para falar de Gayme ofi Tônis?). É como eu ouvi certa vez: essa rivalidade entre os fãs é saudável; é como se fosse o fanatismo dos torcedores de times de futebol transferido para o mundo nerd. Mas, por favor, prepare os argumentos antes de passar vergonha!

Eu passei o final da minha adolescência lendo fantasias infanto-juvenis que envolviam bruxos, vampiros e semideuses, mas agora aquilo já não me satisfaz. Agora eu passo horas e horas (pelas minhas contas foram mais ou menos 222h nove dias e meio para ler a série) para passar mais um tempinho com meus personagens favoritos.


E eu tenho certeza que quando eu ler outros livros a partir de agora vou sentir falta dos sonhos infantis e da ingenuidade da Sansa Stark, do caso incestuoso entre Jaime e Cersei Lannister, dos dragões e das “relações diplomáticas” encaradas pela Daenerys Targaryen, do sangue quente dos habitantes de Dorne, dos Caminhantes Brancos que habitam as terras Para Lá da Muralha, do amor incandescente que o Loras Tyrell sentia pelo rei Renly Baratheon, do temperamento psicopata do Ramsay Snow

E ainda têm os planos gigantescos do Petyr Baelish, que meu cérebro tão inexperiente não consegue descobrir o alcance verdadeiro; as maquinações da Senhora Coração de Pedra que muito me intrigam; a perspicácia e o poder de persuasão do Tyrion Lannister; e do treinamento pelo qual a Arya Stark está submetida do outro lado do Mar Estreito. 

Sem falar dos juramentos honrados, das visões que aparecem nas chamas, dos navios, dos lobos gigantes, dos bastardos, dos saques, dos estupros, dos Sete Deuses, dos Deuses Antigos, de R’hllor, dos wargs, do Rei Menino, das descrições de refeições que duram páginas e páginas e do inverno que está chegando.


E algumas pessoas, quando me veem com um dos livros ou quando descobrem que eu tenho todas as temporadas da série no meu computador, me perguntam:

É sobre o que essa série?

É uma fantasia medieval eu me limito a dizer para não tomar as próximas três horas do dia da pessoa.

Mas qual é a história principal? Quem é o personagem central? algumas ainda insistem.

Bem, se você quer começar Game of Thrones esqueça essa de história principal: uma rainha, um bastardo, o comandante de um navio, um menino paraplégico, uma menina cega ou um fantasma podem se tornar os protagonistas em algum momento: é a partir de seus pontos de vista que veremos a história. E qualquer um deles pode morrer na próxima página com um punhal, uma espada ou um arakh dothraki que os cortará do ombro até a virilha. Valar morghulis! Mas um certo deus vermelho é solícito se a prece for feita com muita fé...


Eu trouxe Game of Thrones para a minha vida e descobri que nosso dia-a-dia é um grande jogo, uma grande dança: só sobrevivem os que conseguem dançar conforme a música, os que conseguem compreender significados ocultos nas palavras do oponente, os que conseguem sorrir e chorar conforme a ocasião pedir. Jogar esse jogo com pessoas reais é mais excitante que uma partida de cyvasse.

Game of Thrones tanto me proporcionou momento de excitação, como os capítulos finais de Cersei, Arianne e Sansa em O Festim dos Corvos, quanto momentos de desolação, de luto, como o Casamento Vermelho, em A Tormenta de Espadas (a versão da TV me deixou com taquicardia, em estado de choque) e o antipenúltimo capítulo de A Dança dos Dragões, que me deixou com as mãos tão trêmulas que quase não me deixavam segurar o livro de 864 páginas!

Se formos muito otimistas, podemos esperar o próximo volume da série, Os Ventos de Inverno, chegando às livrarias em 2015 (eu espero que sim, George Martin!), mas, enquanto isso, vou ir sonhando com os personagens e inventando teorias das mais absurdas para satisfazer o meu vício.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Em tempo de Danilo Gentili



Acho que houve um tempo em que eu ansiava por viver emoções fortes, situações complicadas... Algo que me mostrasse que eu estava vivendo de verdade. Mas, diante do meu medo e da minha insegurança, a minha vida não passava de uma sucessão de acontecimentos mesquinhos, irrelevantes. Por causa dessa ânsia por viver, eu encontrei o meu consolo no blog nos últimos quatro anos. Foi com base nesses pensamentos que eu interpretei a minha presença assídua dois anos atrás, por exemplo, e também a minha ausência e aparente descaso nos últimos meses.

Eu desapareci nesses últimos tempos, e tenho pra mim que isso se deve ao fato de que finalmente eu estou vivendo. Estou lidando com problemas reais, preocupações reais; sinto em meu íntimo que eu consegui tomar as rédeas da minha vida e não deixar me levar pelos acontecimentos ao meu redor. Consegui tornar-me um protagonista da minha história. O blog continua sendo uma preocupação minha, mas isso já faz parte da minha adolescência que a cada dia se distancia mais.

Acho também que não consigo lidar muito bem com internet. Vejo canais de vídeos, blogs, páginas em redes sociais ou perfis fakes de grandes personalidades sendo geridas por estudantes de jornalismo, publicidade, letras... Gente jovem com muitas ideias e muito conteúdo na cabeça. Sim, eu também tenho pouca idade e também tenho inúmeras ideias, mas eu tento lidar com esse blog e com minhas redes sociais usando a minha intuição. Mas a minha intuição é meio cega e disléxica.

Em tempo de danilo gentili e agora é tarde, com suas piadas rápidas e sacadas infalíveis, sinto-me como um programa do jô esquecido numa madrugada insone. Pior! Acho que se a blogosfera pudesse ser comparada à televisão brasileira, eu talvez fosse o ronnie von com o todo seu cheio de matérias interessantíssimas, mas que só interessam a ele e uma pequena minoria de espectadores. Sim, tem bom gosto e muito conteúdo, mas não tem o gás da juventude publicitária!

Sinto-me velho quando me lembro que eu era razoavelmente bem sucedido em minhas divulgações no falecido orkut, mas sou frustrado quanto ao facebook, twitter ou qualquer outra coisa.

Sim, estou vivendo, mas não parei de escrever. Só acho que o blog já não satisfaz todo o meu afã por literatura. Vou me tornar um visitante casual desse blog assim como a maioria de todos que por aqui passam. Ele continuará tendo a minha cara, continuarei satisfazendo os meus desejos, continuarei me preocupando com o alinhamento dos textos mesmo que ninguém se importe com isso, continuarei escrevendo textos imensos falando dos meus problemas, continuarei falando dos meus problemas para uma quantidade ínfima de leitores, sentindo-me cada vez mais esquizofrênico, mas espero sinceramente que todos compartilhem uma garrafa de vinho ao meu lado.

as letras minúsculas foram propositais!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como um raposo



“Nicolás era belo como uma donzela. Herdara a delicadeza e a transparência da pele de sua mãe, era pequeno, magro, astuto e rápido como um raposo. De inteligência brilhante, sem nenhum esforço superava o irmão em tudo o que juntos empreendiam. Inventara uma brincadeira para atormentá-lo: discordava dele em um assunto qualquer e argumentava com tanta habilidade e certeza, que terminava por convencer Jaime de que estava equivocado, o brigando-o admitir o erro.

— Tem certeza de que eu tenho razão? — indagava finalmente Nicolás ao irmão.

— Sim, você está com a razão — grunhia Jaime, cuja retidão o impedia de discutir de má fé.

— Ah, alegro-me! — exclamava Nicolás. — Agora vou demonstrar-lhe que quem tem razão é você e que o equivocado sou eu. Vou-lhe dar os argumentos que você teria apresentado se fosse inteligente.”

Trecho do livro A Casa dos Espíritos, da escritora chilena Isabel Allende. A rapidez, a astúcia e essa arrogância charmosa do Nicolás me fez rir.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Skoober Meme


Depois de passar por poucas e boas nos últimos dias, resolvi me distrair um pouco aqui no blog. Adoro fazer isso! Decidi pegar leve agora na minha 500ª retomada ao blog e, seguindo os exemplos da Babi, do Ella en Palabras, e do Rodolpho, do A arte de um sorriso, vou fazer mais um desses memes da blogosfera (esse era o momento de falar o nome do meme, mas acho que esse não tem um nome).

Adoro quando me perguntam o que eu estou lendo, o que eu gosto de ler ou qualquer outra coisa do tipo. E é essa a intenção desse Meme! Conferir lá no Skoob a lista de livros que faz parte da minha vida. Olha, que coisa mais fofa! Estou me lembrando que, no mês passado, enquanto eu foleava o Sagarana, do Guimarães Rosa, um rapaz se interessou pela minha leitura e me perguntou sobre o livro e sobre minhas preferências literárias. Minha vontade era de dar um abraço nele e dizer: obrigado por perguntar, moço! #AmoresEternos

Enfim, vou deixar de lenga-lenga e partir para o questionário: as histórias vão aparecendo naturalmente. E eu adoro contar uma história!

Outra coisa: ao lado do nome de alguns livros, tem links que ligam a outras postagens do blog que falam de tal livro ou que tenha trechos dele. Deu pra entender? Nossa, nem eu entendi isso! Clica no link que tu entende!

1-Quantos livros lidos você tem na sua aba Lido no Skoob?
Tenho 140 livros lidos, apesar de que teria que ter muitos mais. Primeiro, porque eu fiz o meu perfil no Skoob com 16 anos, quando eu já tinha lido muita coisa; então, eu já tinha esquecido de vários livros da minha pré-adolescência e proximidades. Além disso, eu queria ter lido tantos outros livros nos últimos anos, mas a rotina e a minha falta de organização do tempo não permitem.

2-Qual livro você está lendo?

A Dança dos Dragões, George R. R. Martin

Depois de quase oito meses de dedicação quase exclusiva ao As Crônicas de Gelo e Fogo, chego, enfim, ao quinto livro da série. Para quem não conhece, é uma fantasia medieval com reis, rainhas, cavaleiros, dragões, navios e criaturas sombrias. Na verdade, é muito mais do que isso. Tem traição, injustiça, bastardos, incesto, sexo, violência. E tem mais! Muito mais! E é uma vitória chegar até o quinto livro, A Dança dos Dragões (Um homem esfolado não tem segredos, 29 de janeiro de 2013)porque é o último escrito e publicado até agora. George R. R. Martin, o autor, promete mais dois para a série. O sexto, com publicação depois de 2014! Apenas esperando.

Também tá marcado que eu estou lendo Os Diários Secretos de Agatha Christie, de John Curran, mas é que esse livro eu leio sem um compromisso de chegar até o fim: releio trechos, reflito sobre alguns pontos... É um livro pro resto da vida!

3-Quantos livros tem na sua aba Vai ler?
São 84 livros! Meu Deus: tô bobo! Oitenta e quatro! Mas assim, muitos que eu marco ali é só pra eu me lembrar de procurar depois. São histórias que me interessam e que eu penso que podem me servir no futuro. Mas, às vezes, eu nem lembro porque marquei tal livro.

4-Você está relendo algum livro? Qual é?
Não tenho o costume de reler livros, então não tem nenhum nessa aba. Mas estou com planos de reler O Pequeno Príncipe (Essencial, 05 de junho de 2011), do Antoine de Saint-Exupéry, Veronika Decide Morrer, do Paulo Coelho e Anjos e demônios (#TopTop: O melhor livro, 08 de julho de 2010), do Dan Brown.


5-Quantos livros você já abandonou? Quais são eles?
Nossa, já abandonei 4. Começo por A Montanha e o Rio, do Da Chen: eu li mais da metade do livro duas vezes, mas realmente ele não me motivou a continuar. Sério mesmo! Achei a escrita muito infantil também, mas eu acho que é a má tradução. Depois tem Os Filhos do Imperador, da Claire Messud, que é uma comédia de costumes que não me convenceu; além disso, os personagens são muito confusos (a avaliação média desse livro no Skoob é 2,4! Quer dizer...). Depois disso, vem Macunaíma, do Mário de Andrade. Desculpa, modernistas, mas eu não gosto de vocês. E, pra finalizar, À espera de um milagre, do Stephen King, que me deu náuseas. Meu estômago não é forte o suficiente para aguentar descrições do corredor da morte.

6-Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?
São 15, mas todas feitas antes de eu saber o que era uma resenha. Só não apago porque gosto de relê-las e admirar a minha inocência da adolescência.

7-Quantos livros avaliados você tem na sua lista?
São 139. Eu avalio todos logo depois de marcar "Lido", mas acontece que tem um único que eu não avaliei. Procurei, procurei e não encontrei qual está sem estrelas. Tô chateado/frustrado com isso.

8-Na aba Favoritos, quantos livros você tem registrados? Cite alguns.
Tenho 38 livros favoritos. Tem uns que eu marquei há muito tempo e tenho até um pouco de vergonha de ter feito isso (tipo Eclipse Amanhecer, da Saga Crepúsculo, da Stephenie Meyer), mas não desmarco pelos mesmos motivos do item 6. Mas, para citar alguns... (Aí, eu abro o PhotoScape e faço uma montagem porca!)


A Cidade do Sol, do Khaled Hosseini, é emocionante, lindo, intenso; A menina que roubava livros (Simplicidade, 24 de abril de 2010), do Markus Zusak, é engraçado e reflexivo (o Zusak é um dos meus autores favoritos); Ensaio sobre a cegueira, do José Saramago, que te joga no chão e faz você agradecer por isso; e Anjos e demônios, do Dan Brown, que, na minha opinião, é o melhor romancista da atualidade: esse livro em especial é de tirar o sono, além das descrições de obras de arte e acontecimentos históricos. Tem coisa melhor?

J.K. Rowling não foi citada, mas tá dentro do meu coração 
(e na minha lista de Favoritos do Skoob)


9-Quantos livros você tem na aba Tenho?
Tenho 55 livros. Cheguei a um ponto crítico em que eu não tenho mais espaço para guardar tudo isso. Preciso de uma estante urgentemente! Parei de comprar até solucionar esse problema (Mentira! É porque eu tô devendo até as cuecas e não quero assumir o atestado de pobreza!)

10-Quantos livros você tem nos Desejados?

Só uma sugestão...

Olha, só tem 22. Sou humilde, gente! Mas um recadinhos pros coleguinhas e pras titias: se escolher um livro ali daquela lista pra me presentear... Ai, vou ficar emocionado! Vou pensar que você leu meus pensamentos, que me conhece mais que a mim mesmo e te darei um beijo no rosto enquanto meus olhos escorrem lágrimas de deleite.

11-Quantos livros emprestados no momento? Quais?
Gente, eu não tenho esse costume de marcar os livros emprestados no Skoob. Preciso contar... Peraí! [3 minutos depois:] Tenho 3 livros emprestados: Os Quatro Grandes, da Agatha Christie, Cinquenta tons de cinza, da E. L. James (Nathália, eu vou ler o livro que você me deu. Eu já disse. Só emprestrei rapidão pra farmacêutica do meu tio!) e A Solidão do Livro Emprestado (Sob as luzes de Copacabana, 04 de maio de 2012), do André Giusti. Esse último, por sinal, contém os contos mais lindos que eu já li na vida.

12-Você quer trocar algum livro? Quais são?
Não! Não gosto disso!

13-Na aba Meta, quantos livros você tem marcados? Cumpriu essa meta?
Desde que eles criaram isso, eu nunca cumpri minha meta. Mas, esse ano fui mais humilde: marquei 6, por enquanto, e já li um deles esse ano. Vamos ver se consigo cumprir.

14-Qual é o número no teu paginômetro?

 37.018. CHUPA, MUNDO!



A Tormenta de Espadas, George R. R. Martin


15-Qual o link do teu perfil do Skoob?
http://www.skoob.com.br/usuario/47146/ Me adiciona lá, gente! Como disse lá no início, adoro falar sobre livros: dar dicas, meter a ripa nos autores, dar uma de intelectual e blá blá blá.

Indique 5 usuários do Skoob para responder essa tag:
Gente, eu acho que isso nem existe mais! Eu indicava pessoas pra responder ao meme há 3 anos atrás, sei lá! Então, quem quiser, pegue as perguntas, cole no seu blog ou até mesmo em alguma nota no Facebook, deixa o link aqui nos comentários e eu terei o maior prazer em ler suas respostas.

Até mais! 
Se leu até aqui comente. Mantenha esse blog vivo. E faça com que minha dor nos dedos tenha valido a pena. Beijos.