Mostrando postagens com marcador Adolescente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adolescente. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Vinte e um ano de estradas


Em todos esses anos, já encontrei desde estradas bucólicas e desniveladas até grandes rodovias asfaltadas que se estendem até onde o sol encontra a Terra. De uma estrada para a outra, vislumbrei muitos jardins, é claro, mas eles eram menos frequentes: encontrei mais caminhos esburacados, feios, com imensos lamaçais que me faziam atolar e não me deixavam prosseguir.

Eu sempre tentei ser um viajante forte e determinado: não sabia muito bem onde iria chegar, mas encarava os obstáculos com empenho elogiável. Atravessei riachos tênues que desfilavam por entre os pequenos pedregulhos, mas, como todas as pessoas, tive que quebrar imensas rochas vermelhas ou subir até a copa de árvores centenárias para prosseguir meu caminho. Mas, às vezes, eu tive vontade de desistir: sentar numa pedra na beira da estrada e chorar foi inevitável.

Cada obstáculo me ensinava coisas novas. Aos onze anos, eu já tinha que abrir os meus próprios caminhos no meio da mata fechada; era sufocante, angustiante, solitário. Mas, depois, quando outras florestas apareceram na minha frente, cortar alguns galhos e enfrentar alguns animais já me era menos traumático. Com frequência eu tentei olhar para esses maus momentos como lições pelas quais eu tinha que passar para saber lidar com situações semelhantes mais a frente. Mas nem sempre era assim: quando somos jovens, nos achamos o centro do universo e, algumas vezes, achamos que todos esses percalços são castigos dados a nós. Somente a nós!

Pensamos que passamos por esses maus momentos porque fomos destinados a isso. Eu já estava conformado: eu era uma pessoa destinada ao sofrimento, à solidão, ao fracasso. Alcancei pequenas conquistas no caminho, fiz amigos eternos e outros que nunca mais encontrarei, mas a minha sina era ter um caminho tortuoso até o fim dos meus dias.

Porém, não há nada como um passo após o outro.

Essa ansiedade da juventude faz com que sempre olhemos para frente, para o futuro; sofremos por antecipação sabendo o que outras pessoas já passaram. Evitamos o sofrimento; arranjamos atalhos na nossa caminhada...

Com a experiência, entretanto, eu percebi que, para podermos seguir em frente, precisamos voltar por alguns caminhos já percorridos. Voltar às mesmas pedreiras, aos mesmos desertos, às mesmas cascatas e saber que não mais nos machucaremos ali: eu consegui superar esses obstáculos e já posso me perdoar.

Eu aprendi que o lado de fora da caverna é angustiante, mas muito mais colorido. Eu preciso voltar aos caminhos tortuosos pelos quais passei, aqueles que me deixaram profundas cicatrizes e traumas, para entender alguns porquês.

Eu preciso me reconciliar com minha estrada: é preciso entender as lições, empreender algumas pequenas vinganças e ser capaz de perdoar o meu destino e, o mais importante, perdoar a mim mesmo!

Eu quero voltar em alguns lugares e enxergá-los com outros olhos: olhos que já vislumbraram paisagens exuberantes, cataratas monumentais e um grande cânion e ver que há beleza no meu passado. Colocar um pouco de cor nesse turbilhão de lembranças em sépia.

Nada como uma estrada à nossa frente!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Do encontro


escrito em 04 de fevereiro de 2013

Telefonema
Cinema
Poema

Dedos
Enredos
Brinquedos

Toque
Choque
Enrosque

Cheiro
Faceiro
Passageiro

Lábio
Sábio
Hábil

Beijo
Trecho
Desfecho

Conselheiro


— Não deixe que o entusiasmo faça vocês gastarem tudo de uma vez.

— O problema é que eu sempre fui racional até o último nível. Fico me gabando do meu autocontrole. É a primeira vez que eu fico assim. É a primeira vez que eu me apaixono com essa força. Não tenho prática em administrar isso.

— Não estou falando pra não sentir, não pensar, não se aventurar. O que eu quero dizer é: não ponha o carro na frente dos bois. E outra: ninguém sabe administrar. Não importa quantos namoros a pessoa já teve, nem quantos encontros... Você é você agora e está em constante mudança, assim como a outra pessoa. Nunca se encontra uma mesma pessoa duas vezes, a gente só não estranha porque acompanhamos a mudança um do outro. Quando o coração pulsa num determinado encontro, ele pulsa de forma única. Única porque é você naquele momento, porque é por aquela pessoa naquele momento, naquele dia... Acho que aquele negócio da conquista ser diária tem a ver com isso. Agora pensa: pra que correr? Os momentos acontecem quando tem que acontecer. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Anjo da Guarda


Enquanto as crianças entravam no carro, a mulher sentada no banco do motorista alisava a sobrancelha olhando no retrovisor interno. Seu filho mais novo — nossa, quando essas crianças cresceram tanto? — sentou-se no banco da frente, depois de muito pedir à irmã mais velha; a menina, de uns 15 anos, sentou-se no banco de trás com o celular na mão.

Era início da tarde e os três pouco conversavam dentro do carro; a menina zapeava pelos aplicativos do seu celular e o menino estava entretido com as músicas no som do carro. A mãe dos meninos tentava acompanhar as letras ensurdecedoras com seu inglês que tinha aprendido num curso de conversação para funcionários da universidade.

Subiam pela Av. Brasil, perto do fim do bairro com o mesmo nome. O carro deles é um desses modelos novos do Fiat Uno, branco, discreto. Pararam num sinaleiro. Mais uma vez a mulher olhou no retrovisor para conferir a sobrancelha, a menina continuava no celular e o menino remexia nuns papéis em seu colo.

O sinal ainda estava vermelho quando um rapaz apareceu de supetão na janela do lado do passageiro. Meu Deus, a mãe estava tão distraída com o retrovisor que nem percebeu o susto que o filho levou com aquela aparição inusitada. Vamos ser assaltados!, talvez tenha sido seu pensamento.

O rapaz do lado de fora tinha uma mochila nas costas, óculos de armação escura, a respiração ofegante e o desespero estampado na cara. Ele vai levar meu celular!, a menina deve ter pensado. Mas o rapaz só queria falar com a motorista:

— Moça — ele chamou —, moça!

A mulher continuava a cantarolar enquanto arrumava sua sobrancelha, alheia ao desespero dos seus filhos. Quando percebeu a presença ameaçadora na janela do seu carro, soltou um Ai, que susto, menino!

— Moça, eu preciso de ajuda — o rapaz foi logo cuspindo as palavras: — Eu tô com duas meninas aqui comigo. E elas precisam fazer o vestibular ali na Universidade. No campus que fica logo ali em cima! Mas a gente desceu do ônibus no ponto errado e agora só faltam 15 minutos pro início da prova. Tá muito longe pra ir a pé. A gente tá desesperado! Eu preciso arranjar uma carona pra essas meninas...!

— Meu Deus! Cadê elas, menino? Coloca elas dentro do carro que eu levo elas lá agora!

— Ai, moça! Obrigado, obrigado, obrigado. — O rapaz agradeceu.

Esse rapaz desesperado por uma ajuda era eu; as duas meninas atrasadas para o vestibular de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia eram minha irmã e minha prima. Tudo isso aconteceu no sábado passado numa correria que durou alguns minutos — mas que, pela dor nas minhas costas no dia seguinte, pareceu durar horas — em busca de uma alma caridosa que pudesse nos ajudar.

Quando eu encontrei esse carro parado no semáforo, eu não me lembrei de vergonha ou timidez e coloquei o “carão” lá dentro pra pedir ajuda. Assustei o menino que estava sentado no banco da frente, mas, quando a mulher mostrou-se solidária com a minha causa, eu só fiz agradecer.

Peguei minha irmã pelo braço e joguei no banco de trás ao lado da menina que mexia no celular; depois empurrei minha prima e espremi todo mundo até que coubessem todas dentro do carro. O sinal passou do vermelho para o verde e eu, da calçada, me despedi das meninas que já arrancavam os cabelos de ansiedade.

Quando eu contei o acontecido pra minha mãe, ela me disse que essa seria uma história para rirmos daqui uns meses. Nem foi preciso tanto: no final daquela tarde, nós já estávamos nos contorcendo de tanto rir de tudo que a gente tinha feito, de todas as pessoas que a gente tinha abordado antes de encontrar alguém solícito... E agradecemos a essa mulher que eu transformei em protagonista dessa história, mesmo sem saber seu nome, sua profissão ou se era mesmo mãe daqueles meninos, mas que foi o nosso anjo da guarda naquele dia. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Loser


Eu nunca me dei bem com os esportes e nunca fui a pessoa mais sociável do colégio; meu nome nunca esteve envolvido em algum escândalo engraçado, nunca fui suspenso, nunca me envolvi em brigas. Nos tempos da escola, eu era encontrado nos arredores da biblioteca, ou dentro dela, jogando conversa fora, sendo um aluno comum.

Dentro da sala, eu estava entre os primeiros da turma. Sempre. Foi assim a minha vida inteira: as boas notas e o bom exemplo era o mínimo que as professoras esperavam de mim. Eu sempre me cobrei demais: eu sabia que eu nunca seria perfeito, mas eu queria, pelo menos, passar perto de ser. E foi assim durante toda a minha vida até os dias de hoje.

Mesmo com tudo isso, eu dizia sempre que eu era um perdedor: I’m a loser, eu queria escrever na minha camiseta. Eu era o menino que apanhava na escola — ou era chantageado para não apanhar —, que era empurrado das escadas, que era passado pra trás na fila do lanche. Mas, pensando bem, isso nunca me fez ser um perdedor! Talvez eu fosse um pouco imbecil, mas tudo isso que me aconteceu não fazia de mim um perdedor. Eu nunca fui um perdedor.

Eu sempre vencia; eu sempre queria vencer. Ah, como é bom ser assim! Na grande parte da minha vida, eu me sentia o melhor. Tomei cuidado para que minhas vaidades não fossem alimentadas, e espero que não tenham sido e consiga comprovar isso nessas linhas que escrevo. Uma vida de muitas vitórias, muitos pódios, muitos prêmios por ser o melhor (ou um dos). Isso me fez uma pessoa melhor? Isso aumentou a minha auto-estima? Isso me deixou mais confiante?

Talvez, por algum tempo, tenha contribuído para eu adquirir aquele negócio que chamam de amor-próprio, mas depois... Não me serviu de muita coisa. E, nos últimos dias, vi que isso até me atrapalhou um pouco. A vida não é feita apenas de vitórias; na verdade, mais de derrotas e perdas do que de momentos de êxito. E o caminho que minha vida percorreu não me ensinou a ser um bom perdedor.

Pouco mais de uma semana atrás, eu fui reprovado pela primeira vez na prova de direção veicular. Que coisa tosca!, alguns devem pensar. Talvez pensem isso por acharem que é uma prova baba ou por pensarem que isso não é um tipo de preocupação que se carregue por dias... Enfim, eu fui reprovado! E eu nunca pensei que essa reprovação fosse me jogar no chão, me chutar e mostrar que eu sou um nada. Eu sou um péssimo perdedor.

Eu me cobro demasiadamente e um erro é um passo mais distante do ideal. Um erro é um erro. Não tem meio-termo! Mas talvez isso seja um golpe do destino, da vida ou de sei-lá-o-que para me mostrar que eu não sou perfeito e que eu sou humano como todas as outras pessoas; sujeito a erros e a acertos na mesma proporção. Não adianta culpar ninguém ou chorar pelo leite derramado. Não tem como voltar atrás e fazer aquela baliza do jeito certo ou tentar ficar mais calmo enquanto eu tentava colocar o cinto de segurança. Eu perdi. Pronto. Ponto.


Eu espero, no fundo do meu coração, que eu consiga enxergar isso; que eu coloque os meus pés no chão e me esqueça de chegar sempre ao topo; que a vida é feita de vitórias e derrotas e blá-blá-blá. Mas, até lá, eu vou sofrer pensando que todos os motoristas do mundo são mais inteligentes que eu. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Em tempo de Danilo Gentili



Acho que houve um tempo em que eu ansiava por viver emoções fortes, situações complicadas... Algo que me mostrasse que eu estava vivendo de verdade. Mas, diante do meu medo e da minha insegurança, a minha vida não passava de uma sucessão de acontecimentos mesquinhos, irrelevantes. Por causa dessa ânsia por viver, eu encontrei o meu consolo no blog nos últimos quatro anos. Foi com base nesses pensamentos que eu interpretei a minha presença assídua dois anos atrás, por exemplo, e também a minha ausência e aparente descaso nos últimos meses.

Eu desapareci nesses últimos tempos, e tenho pra mim que isso se deve ao fato de que finalmente eu estou vivendo. Estou lidando com problemas reais, preocupações reais; sinto em meu íntimo que eu consegui tomar as rédeas da minha vida e não deixar me levar pelos acontecimentos ao meu redor. Consegui tornar-me um protagonista da minha história. O blog continua sendo uma preocupação minha, mas isso já faz parte da minha adolescência que a cada dia se distancia mais.

Acho também que não consigo lidar muito bem com internet. Vejo canais de vídeos, blogs, páginas em redes sociais ou perfis fakes de grandes personalidades sendo geridas por estudantes de jornalismo, publicidade, letras... Gente jovem com muitas ideias e muito conteúdo na cabeça. Sim, eu também tenho pouca idade e também tenho inúmeras ideias, mas eu tento lidar com esse blog e com minhas redes sociais usando a minha intuição. Mas a minha intuição é meio cega e disléxica.

Em tempo de danilo gentili e agora é tarde, com suas piadas rápidas e sacadas infalíveis, sinto-me como um programa do jô esquecido numa madrugada insone. Pior! Acho que se a blogosfera pudesse ser comparada à televisão brasileira, eu talvez fosse o ronnie von com o todo seu cheio de matérias interessantíssimas, mas que só interessam a ele e uma pequena minoria de espectadores. Sim, tem bom gosto e muito conteúdo, mas não tem o gás da juventude publicitária!

Sinto-me velho quando me lembro que eu era razoavelmente bem sucedido em minhas divulgações no falecido orkut, mas sou frustrado quanto ao facebook, twitter ou qualquer outra coisa.

Sim, estou vivendo, mas não parei de escrever. Só acho que o blog já não satisfaz todo o meu afã por literatura. Vou me tornar um visitante casual desse blog assim como a maioria de todos que por aqui passam. Ele continuará tendo a minha cara, continuarei satisfazendo os meus desejos, continuarei me preocupando com o alinhamento dos textos mesmo que ninguém se importe com isso, continuarei escrevendo textos imensos falando dos meus problemas, continuarei falando dos meus problemas para uma quantidade ínfima de leitores, sentindo-me cada vez mais esquizofrênico, mas espero sinceramente que todos compartilhem uma garrafa de vinho ao meu lado.

as letras minúsculas foram propositais!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Déjà vu



“Se lembra quando a gente chegou um dia
acreditar que tudo era pra sempre?
Sem saber que o pra sempre sempre acaba”

Eu já tive uma amizade de duas semanas. É uma das coisas mais vívidas e mais felizes impregnadas na minha memória. Foram duas semanas incrivelmente intensas, com encontros no meio da tarde, abraços apertados e sorvetes de abacaxi. Uma amizade que teve uma vida útil de duas semanas: de um domingo à noite de uma semana até um sábado à tarde na outra. Com direito à despedida!

Que momentos encantadores! Foi uma amizade intensa, forte, rápida como fogo na grama seca. E, como esse fogo, queimou até onde pôde, mas depois se apagou.

Foram duas semanas muito felizes pra mim. Pra ele também. As consequências dessa amizade é que talvez tenham sido dolorosas pra ele. Talvez, não; tenho certeza que foram dolorosas, traumatizantes até. Nesse pouco tempo juntos, ele me contou que, às vezes, precisava de antidepressivos para dormir e, pelas olheiras, eu sabia que suas noites não estavam sendo tão agradáveis.

Eu também sabia de um amor que ele sentia; eu sabia que era um amor sincero. Eu, sempre descuidado, cheguei pisando nas flores que estavam no caminho. Destruí todo o jardim, mas eu nem me dava conta do quanto aquilo era doloroso pra ele. Eu vi que ele estava triste, que seus olhos estavam cheios de lágrimas; e, no fundo, eu sabia que aquela dor era culpa minha. Por isso eu ofereci um abraço... que foi recusado. Mas não guardo mágoas por isso! Talvez eu merecesse.

Acho que eu sempre dei mais valor ao jogo do que às peças. Não entendia muito bem que as peças tinham sentimentos, que elas sofriam; eu jogava sem me dar conta disso tudo. Eu queria era jogar: ganhar ou perder pouco importava; as peças é que se movam da maneira que acharem melhor. Eu queria jogar!

Que jogo agourento!

As lembranças vieram como um tsunami e me derrubaram. O jogo se repete, o presente imita o passado e eu tenho essa sensação de déjà vu. Tudo parece se repetir. A minha alegria, a minha vontade de jogar e, do meu lado, o esforço, a dor velada, o amor maltratado. Eu queria poder mudar tudo isso, mas eu não consigo. As coisas mudam, tudo muda. Alguns são capazes de se moldar como o barro do artesão; ao passo que eu me sinto como um bloco de gelo impenetrável.

Acho que as feridas do meu amigo já cicatrizaram. As minhas talvez estejam apenas no início: mesmo assim, elas serão muito pequenas perto do sofrimento que eu o fiz passar. Queria poder retomar a amizade, mas... prefiro deixar como está. Deixe que o jogo continue e quem sabe essas duas peças não voltem a se encontrar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Skoober Meme


Depois de passar por poucas e boas nos últimos dias, resolvi me distrair um pouco aqui no blog. Adoro fazer isso! Decidi pegar leve agora na minha 500ª retomada ao blog e, seguindo os exemplos da Babi, do Ella en Palabras, e do Rodolpho, do A arte de um sorriso, vou fazer mais um desses memes da blogosfera (esse era o momento de falar o nome do meme, mas acho que esse não tem um nome).

Adoro quando me perguntam o que eu estou lendo, o que eu gosto de ler ou qualquer outra coisa do tipo. E é essa a intenção desse Meme! Conferir lá no Skoob a lista de livros que faz parte da minha vida. Olha, que coisa mais fofa! Estou me lembrando que, no mês passado, enquanto eu foleava o Sagarana, do Guimarães Rosa, um rapaz se interessou pela minha leitura e me perguntou sobre o livro e sobre minhas preferências literárias. Minha vontade era de dar um abraço nele e dizer: obrigado por perguntar, moço! #AmoresEternos

Enfim, vou deixar de lenga-lenga e partir para o questionário: as histórias vão aparecendo naturalmente. E eu adoro contar uma história!

Outra coisa: ao lado do nome de alguns livros, tem links que ligam a outras postagens do blog que falam de tal livro ou que tenha trechos dele. Deu pra entender? Nossa, nem eu entendi isso! Clica no link que tu entende!

1-Quantos livros lidos você tem na sua aba Lido no Skoob?
Tenho 140 livros lidos, apesar de que teria que ter muitos mais. Primeiro, porque eu fiz o meu perfil no Skoob com 16 anos, quando eu já tinha lido muita coisa; então, eu já tinha esquecido de vários livros da minha pré-adolescência e proximidades. Além disso, eu queria ter lido tantos outros livros nos últimos anos, mas a rotina e a minha falta de organização do tempo não permitem.

2-Qual livro você está lendo?

A Dança dos Dragões, George R. R. Martin

Depois de quase oito meses de dedicação quase exclusiva ao As Crônicas de Gelo e Fogo, chego, enfim, ao quinto livro da série. Para quem não conhece, é uma fantasia medieval com reis, rainhas, cavaleiros, dragões, navios e criaturas sombrias. Na verdade, é muito mais do que isso. Tem traição, injustiça, bastardos, incesto, sexo, violência. E tem mais! Muito mais! E é uma vitória chegar até o quinto livro, A Dança dos Dragões (Um homem esfolado não tem segredos, 29 de janeiro de 2013), porque é o último escrito e publicado até agora. George R. R. Martin, o autor, promete mais dois para a série. O sexto, com publicação depois de 2014! Apenas esperando.

Também tá marcado que eu estou lendo Os Diários Secretos de Agatha Christie, de John Curran, mas é que esse livro eu leio sem um compromisso de chegar até o fim: releio trechos, reflito sobre alguns pontos... É um livro pro resto da vida!

3-Quantos livros tem na sua aba Vai ler?
São 84 livros! Meu Deus: tô bobo! Oitenta e quatro! Mas assim, muitos que eu marco ali é só pra eu me lembrar de procurar depois. São histórias que me interessam e que eu penso que podem me servir no futuro. Mas, às vezes, eu nem lembro porque marquei tal livro.

4-Você está relendo algum livro? Qual é?
Não tenho o costume de reler livros, então não tem nenhum nessa aba. Mas estou com planos de reler O Pequeno Príncipe (Essencial, 05 de junho de 2011), do Antoine de Saint-Exupéry, Veronika Decide Morrer, do Paulo Coelho e Anjos e demônios (#TopTop: O melhor livro, 08 de julho de 2010), do Dan Brown.


5-Quantos livros você já abandonou? Quais são eles?
Nossa, já abandonei 4. Começo por A Montanha e o Rio, do Da Chen: eu li mais da metade do livro duas vezes, mas realmente ele não me motivou a continuar. Sério mesmo! Achei a escrita muito infantil também, mas eu acho que é a má tradução. Depois tem Os Filhos do Imperador, da Claire Messud, que é uma comédia de costumes que não me convenceu; além disso, os personagens são muito confusos (a avaliação média desse livro no Skoob é 2,4! Quer dizer...). Depois disso, vem Macunaíma, do Mário de Andrade. Desculpa, modernistas, mas eu não gosto de vocês. E, pra finalizar, À espera de um milagre, do Stephen King, que me deu náuseas. Meu estômago não é forte o suficiente para aguentar descrições do corredor da morte.

6-Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?
São 15, mas todas feitas antes de eu saber o que era uma resenha. Só não apago porque gosto de relê-las e admirar a minha inocência da adolescência.

7-Quantos livros avaliados você tem na sua lista?
São 139. Eu avalio todos logo depois de marcar "Lido", mas acontece que tem um único que eu não avaliei. Procurei, procurei e não encontrei qual está sem estrelas. Tô chateado/frustrado com isso.

8-Na aba Favoritos, quantos livros você tem registrados? Cite alguns.
Tenho 38 livros favoritos. Tem uns que eu marquei há muito tempo e tenho até um pouco de vergonha de ter feito isso (tipo Eclipse e Amanhecer, da Saga Crepúsculo, da Stephenie Meyer), mas não desmarco pelos mesmos motivos do item 6. Mas, para citar alguns... (Aí, eu abro o PhotoScape e faço uma montagem porca!)


A Cidade do Sol, do Khaled Hosseini, é emocionante, lindo, intenso; A menina que roubava livros (Simplicidade, 24 de abril de 2010), do Markus Zusak, é engraçado e reflexivo (o Zusak é um dos meus autores favoritos); Ensaio sobre a cegueira, do José Saramago, que te joga no chão e faz você agradecer por isso; e Anjos e demônios, do Dan Brown, que, na minha opinião, é o melhor romancista da atualidade: esse livro em especial é de tirar o sono, além das descrições de obras de arte e acontecimentos históricos. Tem coisa melhor?

J.K. Rowling não foi citada, mas tá dentro do meu coração 
(e na minha lista de Favoritos do Skoob)


9-Quantos livros você tem na aba Tenho?
Tenho 55 livros. Cheguei a um ponto crítico em que eu não tenho mais espaço para guardar tudo isso. Preciso de uma estante urgentemente! Parei de comprar até solucionar esse problema (Mentira! É porque eu tô devendo até as cuecas e não quero assumir o atestado de pobreza!)

10-Quantos livros você tem nos Desejados?

Só uma sugestão...

Olha, só tem 22. Sou humilde, gente! Mas um recadinhos pros coleguinhas e pras titias: se escolher um livro ali daquela lista pra me presentear... Ai, vou ficar emocionado! Vou pensar que você leu meus pensamentos, que me conhece mais que a mim mesmo e te darei um beijo no rosto enquanto meus olhos escorrem lágrimas de deleite.

11-Quantos livros emprestados no momento? Quais?
Gente, eu não tenho esse costume de marcar os livros emprestados no Skoob. Preciso contar... Peraí! [3 minutos depois:] Tenho 3 livros emprestados: Os Quatro Grandes, da Agatha Christie, Cinquenta tons de cinza, da E. L. James (Nathália, eu vou ler o livro que você me deu. Eu já disse. Só emprestrei rapidão pra farmacêutica do meu tio!) e A Solidão do Livro Emprestado (Sob as luzes de Copacabana, 04 de maio de 2012), do André Giusti. Esse último, por sinal, contém os contos mais lindos que eu já li na vida.

12-Você quer trocar algum livro? Quais são?
Não! Não gosto disso!

13-Na aba Meta, quantos livros você tem marcados? Cumpriu essa meta?
Desde que eles criaram isso, eu nunca cumpri minha meta. Mas, esse ano fui mais humilde: marquei 6, por enquanto, e já li um deles esse ano. Vamos ver se consigo cumprir.

14-Qual é o número no teu paginômetro?

 37.018. CHUPA, MUNDO!



A Tormenta de Espadas, George R. R. Martin


15-Qual o link do teu perfil do Skoob?
http://www.skoob.com.br/usuario/47146/ Me adiciona lá, gente! Como disse lá no início, adoro falar sobre livros: dar dicas, meter a ripa nos autores, dar uma de intelectual e blá blá blá.

Indique 5 usuários do Skoob para responder essa tag:
Gente, eu acho que isso nem existe mais! Eu indicava pessoas pra responder ao meme há 3 anos atrás, sei lá! Então, quem quiser, pegue as perguntas, cole no seu blog ou até mesmo em alguma nota no Facebook, deixa o link aqui nos comentários e eu terei o maior prazer em ler suas respostas.

Até mais! 
Se leu até aqui comente. Mantenha esse blog vivo. E faça com que minha dor nos dedos tenha valido a pena. Beijos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

233


Há pouco mais de duas semanas, eu estava numa boate uberlandense com uma série de amigos: comemorávamos o aniversário de uma delas; aquela era uma daquelas noites em que todos esperam dar o máximo de si para aproveitar a reunião. Nós adoramos esse lugar: os frequentadores assíduos, os preços das bebidas e as músicas... Ah, as músicas! Aquilo era um encontro de amigos maravilhoso: amigos que eu tinha conhecido nos meus idos 11 anos, amigos que eu tinha conhecido no Ensino Médio, outros que eu conheci há dois anos na faculdade, e outro grupo de pessoas que eu conheci há algumas semanas, mas que nem por isso eu deixo de nutrir um sentimento maravilhoso por eles. Era uma alegria inexplicável e eu queria fazer tudo aquilo valer a pena!


Esse dia me vem à cabeça quando eu vejo as infinitas reportagens sobre o incêndio numa casa de shows em Santa Maria (RS). Por mais que a imprensa seja sensacionalista até o último fio de cabelo, duzentas e trinta e três mortes não são qualquer coisa; não há como permanecer indiferente a essa notícia. Pensamos em números: quase mil pessoas estavam dentro daquela boate, ou seja, para duzentas e tantas mortes, tivemos mais de 700 que sobreviveram. Sim, tivemos tantos sobreviventes, mas (desculpem-me por cair no lugar-comum) para as famílias dos jovens que não tiveram essa mesma “sorte”, não foram 233 mortes, mas a morte de um filho, de um namorado, de uma amiga, de uma irmã.

Morreu um cara que estava fazendo planos para o Carnaval daqui duas semanas: ele ia viajar com mais quatro amigos no seu carro para uma festa de cinco dias; morreu uma moça que lia um romance americano e que estava apaixonada pelo personagem principal; um menino que gostava de assistir Os Simpsons, outra que gostava de brincar com o cachorro, outro de fazer barulho com o plástico-bolha, outra que gostava de panettone.

Sempre que eu vejo um número de mortes (eu sinto uma depressão tão grande quando vejo humanos traduzidos em números), eu imagino o mesmo tanto de cartas voando para vários lugares do mundo com a mesma notícia. E uma imagem que ficará guardada na minha memória sobre essa tragédia é a dos celulares dos mortos tocando incessantemente; pessoas do outro lado da linha clamando por notícias que acalmassem seus corações.

É difícil nos colocarmos no lugar dos outros, principalmente numa hora como essas. Eu tento pensar como as mães que eu conheço: minhas tias, minha madrinha, minha avó e minha própria mãe. Todas elas se solidarizam pela dor de outras mães: é impressionante como elas conseguem pegar para si a dor de outra mãe. Elas conseguem se colocar no lugar de outras mães e chorar pelos filhos delas como se fossem seus próprios.

Da mesma forma, penso que devemos nos colocar no lugar dos outros. Talvez nem todos sejam capazes de sentir as dores que outras pessoas que vivem tão distante estão sentindo; mas é importante nos colocarmos no lugar dessas pessoas para repensarmos sobre a vida. E sobre a morte! A morte é um assunto tão delicado para algumas pessoas (às vezes, mais do que sexo ou drogas), mas a única verdade é que, pra morrer, basta estar vivo! Quem disse que amanhã não é o dia da minha morte? Quem disse que amanhã não é o dia da sua morte? Deixe de dizer bobagens, Lucas! Mas é claro, ter consciência de uma coisa é diferente de traduzi-la em palavras: as palavras, às vezes, podem chocar, assustar, doer.

Os livros de auto-ajuda e as frases motivacionais das redes sociais dizem que devemos viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas, mas, na prática, ninguém gosta de pensar que morrerá amanhã. Será que, se eu morrer amanhã, eu estarei feliz? Estarei satisfeito com tudo que eu fiz na Terra? Terei deixado alguma pendência? Mas ninguém pensa que morrerá amanhã. Ou nos próximos cinco minutos!

O que eu quero dizer é que o que aconteceu com os jovens na madrugada de sábado pra domingo poderia acontecer com qualquer um de nós. Qualquer um! Eu estava numa boate duas semanas atrás, com a capacidade de pessoas acima do limite e com uma saída diminuta para a quantidade de pessoas que se espremiam ali dentro. Os cenários são os mesmos! E eu tinha tantos amigos lá dentro... Cada um com seu jeitinho especial: Ana Paula, amiga antiga que agora divide apartamento comigo; Thábata, a rondonense mais divertida e bem-humorada que eu já conheci; Stella, com seus cabelos loiros e olhos azuis que me deixam ao chão cada vez que eu a encontro; Lúcio, com quem dividi experiências de amadurecimento durante toda a minha adolescência; Renata, que, mesmo que eu a tenha conhecido há poucos dias, já tenho muitos assunto em comum; Nilzilene, que me importuna de uma maneira divertida todas as manhãs; Flávia, que é minha companheira e meu porto seguro nos momentos difíceis da faculdade. E tantos outros que não estavam comigo naquele dia, mas já estiveram... É assim que eu vejo o número 233!

Mas... a morte é inevitável! Não estou dizendo com isso que não devemos sofrer pelas nossas perdas (e de outras pessoas), mas sim que temos que ter consciência da morte para que a vida não seja um saco de experiências frias e vazias. Não estou sendo insensível diante dessa tragédia: acho que, pelo contrário, estou tentando humanizar o 233!

A morte desses jovens foi chocante principalmente pelo número: como os números são capazes de moldar a intensidade de nossos sentimentos! Como os números são capazes de nos deixar mais indignados do que com uma única morte (mas pense que essa única morte, significa uma carta chegando na casa de qualquer um). Se me der vontade de chorar por esses jovens, eu chorarei; mas também ficarei triplamente satisfeito por ver meus amigos amanhã de manhã. Que estejamos todos aqui!