quarta-feira, 18 de julho de 2012

50%


Eu não me contento mais com 50% de você. Talvez você seja mais otimista e consiga enxergar o copo meio cheio; mas eu já sou mais dramático e quero mais do que metade de você.

Queria poder te encontrar nos corredores da faculdade, estudando na biblioteca, ir com você no cinema assistir a um filme chato numa sessão de terça-feira à tarde, ir ao McDonalds de madrugada.

Queria ver seu quarto bagunçado, deitar na sua cama e conversar sobre o melhor tipo de colchão, ver o livro que você tá lendo jogado em algum canto e ver você concentrado num texto sobre semiologia enquanto eu insisto em falar sobre o capítulo de ontem de alguma novela.

Queria ver os arranhões do seu celular (sim, porque todo celular tem arranhões), que música toca quando você recebe uma mensagem, entrar na internet e torrar seus créditos, ver como você escreveria o meu nome na sua lista de contatos.

Saber o nome do seu perfume não tem muita graça: o bom é sentir durante um abraço; perceber qual o shampoo que você usa, se usa creme para as mãos (urgh!), se rói as unhas e como penteia seus cabelos.

E ouvir a sua voz. O som da sua voz.

Metade de você já não me satisfaz. Mas tudo acontecerá naturalmente. Eu já aprendi que o inesperado, o não-planejado é muito mais divertido. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sem lágrimas



Seu sorriso era encantadoramente iluminado; os lábios bem desenhados se abriam de um canto ao outro e aquele rosto era o mais belo que eu já tinha visto. Seus gestos eram leves e de longe eu ouvia a espontaneidade na sua voz. Não conseguia tirar os olhos dela: ela era a personificação de um sonho de primavera. Esperava ver um rosto como aquele na tela grande do cinema e não atrás de um balcão. Ela era eficiente e isso emanava da sua pele.

Eu precisava me aproximar; queria ver o seu cheiro e por sorte talvez sentisse o seu toque macio.

Ela sorriu pra mim como tinha feito com todos os clientes anteriores; eu tive que me controlar para não me afogar no azul profundo dos seus olhos. Fiquei sem ar e me senti sendo transportado para dentro de seus pensamentos. Seu sorriso era encantadoramente iluminado, mas seus olhos gritavam socorro; no fundo eu ouvia suas vozes me pedindo ajuda. Era uma voz tão tênue, contida, tímida...

Senti-me transportado para um mundo cinza dentro da mente daquela musa. Eu via através dos olhos dela e, ao mesmo tempo, podia observá-la de longe. No fim do expediente ela arrumava o cabelo na frente do espelho e se despia do sorriso. Colocava um agasalho e saia pelos fundos. As mãos no bolso do sobretudo e o barulho dos sapatos pelo asfalto cinza.

Os jovens passavam sorridentes ao seu lado como um borrão e ela sonhava com seu passado. Seu coração batia forte quando via um casal apaixonado de mãos dadas.

Um tremor percorreu sua espinha e chegou até os dedos da sua mão direita quando ouviu uma música num rádio. Só o arrepio; sem lágrimas. Não havia mais pelo que chorar.

Voltei para aquele momento onde eu observava seus olhos e tentava descobrir seus segredos; ela com seu sorriso ensaiado e eu com o coração batendo rápido de vergonha por ter invadido sua privacidade.

— Precisa de mais alguma coisa? — ela me perguntou.

Eu queria ter feito a mesma pergunta a ela. Se ela respondesse com um não, eu insistiria até ela admitir que só queria um abraço, uma palavra de carinho, alguém para fazer-lhe companhia debaixo dos cobertores.

Fiquei com uma cara infantil mergulhado em seus segredos e respondi que já estava satisfeito. Eu queria ter coragem para consolá-la, para dizer que ela não é a única que sofre por amor nesse mundo inteiro, mas... sou tímido demais pra isso.

Fui para casa esperando que ela me perdoasse pela minha timidez.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Eu não quero muita coisa.


Não preciso de dinheiro, presente caro, carrão me buscando na porta de casa. Só quero uma pessoa pra dividir momentos da minha vida; alguém com quem eu possa compartilhar os meus sonhos, os meus planos, a minha cama, a minha rotina.

Eu só quero ter alguém com quem conversar; uma pessoa que me faça sorrir e que ria das minhas piadas — ou me diga que elas são ruins. Saber que, se o mundo age contra mim, eu tenho alguém me esperando com uma palavra de tranquilidade. E eu também quero ser o porto seguro quando necessário.

Quero alguém com personalidade, que me abrace forte sem vergonha, que me xingue quando precisar, que grite comigo quando eu não quiser ouvir, que me ouça quando eu quiser falar.

Quero alguém que não se esconda atrás de máscaras, que apareça pra mim despida de qualquer proteção; quero alguém com quem eu possa abaixar a guarda, falar errado, mostrar minhas fragilidades.

Quero alguém que sorria ao me ver e que se levante e segure minha mão. Segure firme na minha mão e não solte! Não largue a minha mão. Só quero andar de mãos dadas. Só.

Tomara que não seja pedir demais.