domingo, 6 de dezembro de 2009

Efeitos colaterais de duas doses de ENEM

Uma experiência muito louca é fazer o ENEM em dois dias.

Cheguei em casa há uns 20 minutos, morto de fome, tremendo de frio e com uma tremenda dor de cabeça.

Eu não sei como eu tive a capacidade de bagunçar tanto o meu cabelo e molhar tanto o meu tênis.

Os dois dias foram extremamente estressantes.

Tudo começa às mil maravilhas: as questões parecem tão simples, tudo parece fácil. Mas depois as letras começam a embaralhar, e as ideias para a redação somem da sua cabeça, e sua cabeça fica zonza de tanto colorir aquelas bolinhas.

Meu corpo está dolorido de tanto ficar debruçado sobre 30 páginas, 90 questões e 1 redação. Isso sem contar o que houve ontem também: 30 páginas e 90 questões (mas ontem teve química e física. Que tristeza!

Termino o post por aqui, por que minha mão está dura e eu não consigo digitar com muita destreza. E eu acho que a minha mão direita está adormecendo e a tela branca onde eu escrevo a nova postagem está me deixando meio maluco.

Pelo menos agora eu sei que o buraco é mais embaixo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O frango e o gato

(David, Doraci, Juliano e dona Esperança, mãe de Doraci, estão sentados à mesa do jantar. Todos comem e conversam pouco.)

DAVID: (rindo) Depois que já passou a gente acha engraçado, né, Juliano?

JULIANO: Nem me fale. Tive um bocado de trabalho aquele dia.

(O silêncio voltou)

ESPERANÇA: (com sua voz esganiçada e crítica) Como está indo no seu trabalho, David? De que é que você trabalha mesmo? Empregado de uma fábrica?

DAVID: (entre dentes) Sim, dona Esperança. Eu sou empregado de uma fábrica. E estou ótimo no meu emprego. Obrigado por ter perguntado.

ESPERANÇA: (virando-se para Doraci) A propósito, minha filha. Você não acredita quem eu vi na semana passada! Eu fiquei surpresa de tê-lo visto. Aquele seu namoradinho… Carlos Henrique o nome dele. Ele está ótimo de vida. Trabalha num hospital em São Paulo e ele me disse que no mês que vem, vai para os Estados Unidos para uma conferência.

DORACI: Hum…

ESPERANÇA: Está solteiro ainda. Dá pra acreditar?!

DORACI: (sem graça) Que interessante…

ESPERANÇA: Um tipo bonitão daqueles. Forte, alto e rico. Principalmente, rico. Além de ser filho de quem é.

(Todos ficaram calados mais uma vez)

JULIANO: Nossa, Doraci! Esse frango está ótimo!

DORACI: Gostou mesmo, Juliano? Foi o David quem fez.

(Esperança se engasga e cospe um pouco de carne na mesa)

DAVID: (cochichando para Juliano) Com o próprio veneno.

ESPERANÇA: (dando um risinho) Eu acho que eu coloquei muito de uma vez. Engraçado, né! Parece que começou a me dar uma coceira. De repente.

DORACI: Mamãe, eu… eu acho que eu não posso mais adiar essa conversa.

ESPERANÇA: (sorrindo) Diga, minha filha. Eu te disse outras coisas quando você era criança, mas as coisas mudam, viu. Não se esqueça. Hoje em dia, eu já acho que o adultério é uma coisa permitida…

DORACI: MAMÃE!

ESPERANÇA: DORACI!

DORACI: MAMÃE!

ESPERANÇA: DORACI!

DAVID: DONA ESPERANÇA!

DORACI: DAVID!

DAVID: DORACI!

ESPERANÇA: DAVID!

DORACI: MAMÃE!

JULIANO: GATO!

DAVID, DORACI E ESPERANÇA: Quê?

JULIANO: GATO! O gato da dona Esperança tá pegando o peixe do David.

(Um Deus nos acuda para tirar o gato de dentro do aquário)

ESPERANÇA: (com o gato molhado debaixo do braço) Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando resolvi aceitar o convite desse... desse... desse daí. Eu já estou de saída.

DORACI: Mamãe, espere! Precisamos terminar a nossa conversa!

ESPERANÇA: Outro dia, minha filha! E torça para o meu gato não morrer depois de ter bebido água desse depósito de bactérias que o seu marido chama de aquário.

(Saiu batendo a porta com muita força)

JULIANO: Será que eu posso terminar de comer meu frango?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quantos dilemas...

Eu sempre ouvi muitas pessoas dizerem que, quando o dia é pra ser ruim, ele vai ser ruim. Talvez as pessoas inventaram isso para justificarem alguma brisa de azar.

Comecei a observar os acontecimentos da minha vida. Eu acordo seis horas da manhã e vou me arrumar para ir para a escola. Quando, às vezes, eu estou mais sonolento, mal conseguindo abrir o olho, eu posso, sei lá, bater o dedo na perna da cama. Olha que coisa! Eu estou acordando antes do sol nascer e bato o dedo na perna da cama? Xingo comigo mesmo e continuo a me arrumar.

Parece que nessas manhãs que começam com algo do gênero “chutar a cama com o dedinho”, tudo passa a dar errado: aí depois eu descubro que o meu livro de Física não está na mochila, depois eu não sei onde eu coloquei o meu tênis (e o tempo vai passando), não consigo encaixar a chave na fechadura para abrir a porta, tropeço na rua e, depois, quase sempre, chego atrasado à escola e levo uma bronca de alguma professora.

No início desse ano, eu li o livro “O Segredo”, aquele famoso que virou documentário. O autor do livro estava sempre apertando na mesma tecla, dizendo que nós atraímos as coisas com o poder do pensamento.

Pondo isso na prática, quer dizer que, depois de eu ter chutado o pé da cama, eu tinha que respirar e tentar pensar que meu dia vai ser perfeito. Mas se eu disser um monte de palavrões, eu estarei atraindo tudo de ruim que o Universo tem para me oferecer.

Dando mais um exemplo sobre essas teorias milenares que me foram apresentadas em 2009, lembro-me de que os indianos da novela “Caminho das Índias” sempre diziam que não devemos dizer coisas não auspiciosas, pois a palavra tem muito poder.

Na prática…

Depois de mandar a cama, que se enfiou no meu caminho, para o maior número de lugares possíveis eu estava atraindo coisas não auspiciosas para meu dia.

No “Fantástico”, entretanto, foi apresentado um estudo científico de que, se damos uma topada, trombada ou qualquer batida com o corpo, a dor passa mais rápido se a gente… xingar. O ato de xingar vai fazer com que nos livremos da tensão, do “susto” do impacto.

Assim, concluo que, se eu bater meudedo mindinho no canto da cama eu tenho duas alternativas: posso maldizer a cama, mandá-la para o quinto dos infernos e o escambau para aliviar minha dor, e ter um dia não auspicioso; ou posso ficar em silêncio, me acalmar e pensar em coisas felizes, enquanto o meu dedo palpita de tanta dor.

Realmente, como dizem nossas professoras, nossa vida é feita de escolhas.