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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eu não concordo


Dessa vez, eu não aguentei ficar calado.

Pela internet, eu acompanho a repercussão da morte de um menino de 18 anos, homossexual assumido, brutalmente assassinado em Inhuma, cidade do interior de Goiás. Um recado com a mensagem “vamos acabar com essa praga” foi encontrado na boca do rapaz e a polícia diz ser um POSSÍVEL caso de homofobia (http://migre.me/lApM7). Ao mesmo tempo, pela televisão, eu acompanhei as notícias sobre o incêndio criminoso no Centro de Tradições Gaúchas em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, motivado pela realização de um casamento comunitário que incluiria um casal lésbico na celebração (http://migre.me/lApMK). Muita indignação e comoção nas redes sociais. E com razão!

A homofobia no Brasil não é crime e os gays ainda são acusados de sensacionalismo. Os crimes homofóbicos são tratados como crimes comuns, enquanto o número de morte dos LGBT só aumenta (Quem a homotransfobia matou hoje? - http://homofobiamata.wordpress.com/). As estatísticas nos saltam aos olhos, ao mesmo tempo em que somos colocados como uma MINORIA de rebeldes promíscuos lutando contra a família.

Os anos de opressão, os casos de violência, os assassinatos: tudo isso mete medo, faz a gente engolir seco. E esse medo, que nos relega aos guetos e aos becos escuros, nos faz ficar em silêncio e compactuar com um monte de argumentos homofóbicos, como o “eles podem fazer o que quiser, mas não na minha frente”. Esse é o objetivo desse texto.

Restringir a vivência da minha sexualidade às quatro paredes do meu quarto é como se eu desse razão ao indivíduo que diz “meus filhos não estão preparados pra ver isso”. Eu sei que não é fácil, não é simples — a família, os amigos podem colocar uma infinidade de obstáculos (cada um sabe das suas condições) —, mas é extremamente importante ter consciência do valor de sair do armário. Não para darmos satisfações da nossa vida sexual ao público, mas no sentido de dizer: eu não concordo com você!

Pode parecer implicância, mas algumas simples ações se tornam atos políticos. Dar um beijo em público, caminhar de mãos dadas pelo shopping, marcar relacionamento sério no Facebook com um rapaz é um gesto carinhoso, mas também uma resposta aos meus colegas de escola que me trataram por “boiola” e “bicha” como se eu tivesse alguma doença; é uma resposta a um homem que me jogou uma lata pela janela do carro me chamando de “veadinho”; é uma resposta a um rapaz que, no ano passado, ameaçou me agredir depois de me dizer que eu não merecia respeito por ser gay. É dizer que, por mais que eles se sintam incomodados com a minha presença, eu continuarei vivendo a minha vida.

Ser gay apenas dentro de quatro paredes (do quarto ou das boates escuras) é dizer que, sim, seus filhos não estão preparados pra lidar com isso, vou continuar escondido nas sombras, e levar uma vida dupla, sendo o heterossexual que todos querem que eu seja. Viver uma vida dupla (assim como o Cláudio, personagem do José Mayer na novela “Império”) me transformaria num sujeito fragmentado. Não ter medo de expor a minha sexualidade é um ato significativo para mostrar que nós também devemos ter os mesmos direitos dos casais heterossexuais. É ser capaz de me posicionar de maneira MADURA e CONSCIENTE e poder combater cada um desses pequenos atos de homofobia (às vezes, em formato de piadas “inocentes”). É mostrar que não somos uma minoria qualquer que luta por privilégios, mas por cidadania.


Acho que esses pequenos atos de resistência, esses atos de “eu não concordo!”, são apenas o início do combate. É NÃO TER MEDO e escancarar a violência diária que sofremos. Combate à impunidade em favor da proteção à minha cidadania. E a minha vida. E a vida dos meus amigos, do meu namorado, dos meus conhecidos e dos desconhecidos. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

233


Há pouco mais de duas semanas, eu estava numa boate uberlandense com uma série de amigos: comemorávamos o aniversário de uma delas; aquela era uma daquelas noites em que todos esperam dar o máximo de si para aproveitar a reunião. Nós adoramos esse lugar: os frequentadores assíduos, os preços das bebidas e as músicas... Ah, as músicas! Aquilo era um encontro de amigos maravilhoso: amigos que eu tinha conhecido nos meus idos 11 anos, amigos que eu tinha conhecido no Ensino Médio, outros que eu conheci há dois anos na faculdade, e outro grupo de pessoas que eu conheci há algumas semanas, mas que nem por isso eu deixo de nutrir um sentimento maravilhoso por eles. Era uma alegria inexplicável e eu queria fazer tudo aquilo valer a pena!


Esse dia me vem à cabeça quando eu vejo as infinitas reportagens sobre o incêndio numa casa de shows em Santa Maria (RS). Por mais que a imprensa seja sensacionalista até o último fio de cabelo, duzentas e trinta e três mortes não são qualquer coisa; não há como permanecer indiferente a essa notícia. Pensamos em números: quase mil pessoas estavam dentro daquela boate, ou seja, para duzentas e tantas mortes, tivemos mais de 700 que sobreviveram. Sim, tivemos tantos sobreviventes, mas (desculpem-me por cair no lugar-comum) para as famílias dos jovens que não tiveram essa mesma “sorte”, não foram 233 mortes, mas a morte de um filho, de um namorado, de uma amiga, de uma irmã.

Morreu um cara que estava fazendo planos para o Carnaval daqui duas semanas: ele ia viajar com mais quatro amigos no seu carro para uma festa de cinco dias; morreu uma moça que lia um romance americano e que estava apaixonada pelo personagem principal; um menino que gostava de assistir Os Simpsons, outra que gostava de brincar com o cachorro, outro de fazer barulho com o plástico-bolha, outra que gostava de panettone.

Sempre que eu vejo um número de mortes (eu sinto uma depressão tão grande quando vejo humanos traduzidos em números), eu imagino o mesmo tanto de cartas voando para vários lugares do mundo com a mesma notícia. E uma imagem que ficará guardada na minha memória sobre essa tragédia é a dos celulares dos mortos tocando incessantemente; pessoas do outro lado da linha clamando por notícias que acalmassem seus corações.

É difícil nos colocarmos no lugar dos outros, principalmente numa hora como essas. Eu tento pensar como as mães que eu conheço: minhas tias, minha madrinha, minha avó e minha própria mãe. Todas elas se solidarizam pela dor de outras mães: é impressionante como elas conseguem pegar para si a dor de outra mãe. Elas conseguem se colocar no lugar de outras mães e chorar pelos filhos delas como se fossem seus próprios.

Da mesma forma, penso que devemos nos colocar no lugar dos outros. Talvez nem todos sejam capazes de sentir as dores que outras pessoas que vivem tão distante estão sentindo; mas é importante nos colocarmos no lugar dessas pessoas para repensarmos sobre a vida. E sobre a morte! A morte é um assunto tão delicado para algumas pessoas (às vezes, mais do que sexo ou drogas), mas a única verdade é que, pra morrer, basta estar vivo! Quem disse que amanhã não é o dia da minha morte? Quem disse que amanhã não é o dia da sua morte? Deixe de dizer bobagens, Lucas! Mas é claro, ter consciência de uma coisa é diferente de traduzi-la em palavras: as palavras, às vezes, podem chocar, assustar, doer.

Os livros de auto-ajuda e as frases motivacionais das redes sociais dizem que devemos viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas, mas, na prática, ninguém gosta de pensar que morrerá amanhã. Será que, se eu morrer amanhã, eu estarei feliz? Estarei satisfeito com tudo que eu fiz na Terra? Terei deixado alguma pendência? Mas ninguém pensa que morrerá amanhã. Ou nos próximos cinco minutos!

O que eu quero dizer é que o que aconteceu com os jovens na madrugada de sábado pra domingo poderia acontecer com qualquer um de nós. Qualquer um! Eu estava numa boate duas semanas atrás, com a capacidade de pessoas acima do limite e com uma saída diminuta para a quantidade de pessoas que se espremiam ali dentro. Os cenários são os mesmos! E eu tinha tantos amigos lá dentro... Cada um com seu jeitinho especial: Ana Paula, amiga antiga que agora divide apartamento comigo; Thábata, a rondonense mais divertida e bem-humorada que eu já conheci; Stella, com seus cabelos loiros e olhos azuis que me deixam ao chão cada vez que eu a encontro; Lúcio, com quem dividi experiências de amadurecimento durante toda a minha adolescência; Renata, que, mesmo que eu a tenha conhecido há poucos dias, já tenho muitos assunto em comum; Nilzilene, que me importuna de uma maneira divertida todas as manhãs; Flávia, que é minha companheira e meu porto seguro nos momentos difíceis da faculdade. E tantos outros que não estavam comigo naquele dia, mas já estiveram... É assim que eu vejo o número 233!

Mas... a morte é inevitável! Não estou dizendo com isso que não devemos sofrer pelas nossas perdas (e de outras pessoas), mas sim que temos que ter consciência da morte para que a vida não seja um saco de experiências frias e vazias. Não estou sendo insensível diante dessa tragédia: acho que, pelo contrário, estou tentando humanizar o 233!

A morte desses jovens foi chocante principalmente pelo número: como os números são capazes de moldar a intensidade de nossos sentimentos! Como os números são capazes de nos deixar mais indignados do que com uma única morte (mas pense que essa única morte, significa uma carta chegando na casa de qualquer um). Se me der vontade de chorar por esses jovens, eu chorarei; mas também ficarei triplamente satisfeito por ver meus amigos amanhã de manhã. Que estejamos todos aqui!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

100 palavras para se lembrar de 2012

[ou para esquecer; depende do ponto de vista e do seu bom humor]


Fim do mundo

Luís Felipe Scolari

Para nossa alegria

Olimpíadas de Londres

Tufão

Madonna

Louis Vettel

Carminha

One Direction

#OiOiOi

Cotas nas Universidades

The Voice Brasil

O Artista

Michael Phelps

Eleições Municipais

Whitney Houston

Carrossel

Hebe Camargo

Goleiro Bruno

Lady Gaga

Gina Indelicada

Hugo Cabret

Furacão Sandy

Mensalão

Eric Hobsbawn

O Hobbit

Maias

Barack Obama

Rio +20

Oscar Niemeyer

Babi Rossi

Eu quero ver tu me chamar de amendoim

Titanic

Veja

Xingu

Gangnam Style

Ai, se eu te pego

Empreguetes

Egito

Carlinhos Cachoeira

Corinthians

Eu vou lhe usar!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eu não entendo: funkeiros no ônibus


“E a maconha tá tendo
Balinha tá tendo
É droga pra caralho
Que os moleque tá vendendo.”
Tá tendo, MC Rodolfinho

Desde que me mudei para Uberlândia, eu adquiri um hábito que se encaixa perfeitamente no meu estilo de vida. Sempre que eu vou para alguma boate no centro da cidade, eu prefiro virar a noite na rua pra não precisar desembolsar dinheiro para o táxi: espero até às 5:30 da manhã, hora em que os ônibus começam a rodar, e pago R$1,56 (preço para estudantes) para voltar pra casa (diferente dos R$19 que eu pagaria para ir de táxi).

Foi o que eu fiz na manhã de ontem. Eram 6 horas da manhã quando eu subi num dos três ônibus que eu preciso pegar para chegar em casa. Sentado no fundão, ouvi um rapaz selecionando a música que ele deixaria reproduzindo no player do seu celular. Por algum motivo infernal, ele escolheu a música acima.

Por quê, mundo? Por que a pessoa não pode aproveitar a viagem de ônibus em silêncio? E por que esse indivíduo faz com que todos no ônibus sejam submetidos a essa tortura? O problema não é nem pelo gênero (inclusive, eu estava voltando de uma festa de funk), mas a falta de desconfiômetro, de senso, de noção desse sujeito que pensa que vive num mundo só dele.

Nessa hora eu já estava com minha bateria quase completamente descarregada: meus olhos se fechavam sem que eu percebesse. Nesse delírio, eu imaginei o seguinte diálogo:

— Moço, não tem como você abaixar o volume, não? Só um pouquinho. É que eu tô com dor de cabeça.

— Vá lá pra frente, maluco! Não vou abaixar porra nenhuma.

— Então, faz outro favor pra mim: bate essa sua cabeça oca no vidro e pula lá de fora com o ônibus em movimento.

No meu delírio, ele me obedecia; mas, na vida real, eu tenho certeza que ele teria me apagado ali mesmo.

Depois disso tudo, eu pensei em escrever um texto aqui no blog e comecei a me lembrar de algumas coisas que eu tinha visto na internet. Não vou expor minha opinião em palavras, mas vou mostrar o caminho das pedras para que vocês me acompanhem. Essa segunda parte é um pouco diferente do que os textos do Não entendo sempre pretenderam.

O primeiro vídeo é bem pequeno: é do professor Gil Brother. Ele é um personagem que eu já conheço há algum tempo e, no mês passado, acabei encontrando esse vídeo do seu canal Away. Dá o play ali embaixo pra gente ver junto.


Não estou aqui para falar de sua frase “Umas música que tem que ficar dentro de balada GLS”, mas sim do modo como ele pretende tratar os funkeiros (Outra opinião aqui). Confesso que ri muito no trecho entre 02:23 e 02:42. Acho o Gil Brother engraçadíssimo, mas... Bem, eu disse que eu não ia dizer o que eu pretendo mostrar. Vamos continuar!

Tenho a mania de ler os comentários nos vídeos do YouTube. E acabei encontrando essa preciosidade. Existem comentários bem piores, mas a importância desse é pela quantidade de pessoas que “deram joinha” nesse aí embaixo.



Que menino gente boa! E o que dizer do vídeo do Gil Brother agora? Nossa, mas o vídeo é uma coisa tão inocente, tão engraçado. Stand up! 

Mas acabamos de ver um comentário com 52 "curti" que..? Tempo para pensar!

Bem... E que tal a gente dar uma passadinha lá no R7 pra conferir umas notícias? Notícia contemporânea ao comentário do "pirikiteiro".


Quero me atentar a um pequeno trecho da notícia (Link da notícia): “Após o sepultamento, a mãe do estudante, Josefa Batista da Silva, falou sobre o filho, morto a tiros na quarta-feira (24). — Um garoto alegre, brincalhão, não fazia mal a ninguém. Foram fazer uma covardia dessa com meu filho.” Não sabemos se essa fala é real, mas é perfeitamente possível de ser. E o efeito dela é importantíssimo para o que eu quero dizer. Mesmo sem dizer!

Não quero falar sobre a importância dos variados gêneros no cenário cultural brasileiro (funk, sertanejo, rock, samba e tantos outros que sofrem preconceito por parte de quem não conhece), mas penso que as pessoas entram em contradição quando condenam alguma coisa, mas quando eles é que são as vítimas, ele me vem com a frase feita: “Tem que respeitar o gosto de cada um”.

Estou cansado de ouvir gente dizendo que quem ouve reggae usa droga, que rockeiro é violento, que sambista é vagabundo, que funkeiro é ignorante. Até quando?

Só sei que nada sei.

E, para terminar, o funkeiro do início da história, aquele que estava sentado do meu lado, dormiu (ênfase no dormiu) ouvindo sua música no celular. Dormiu tanto que não viu o ponto em que tinha que descer. Começou a esmurrar o amigo dele:

— Seu vacilão! Maluco! Vai tomar no cu! A porra do negócio ficou lá atrás. Seu vacilão. Vacilão.

Sinceramente, eu não sabia que as pessoas falavam “vacilão”.

Funkeiro no ônibus: eu também não entendo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Diário de viagem [3]

E hoje foi o meu terceiro dia aqui em BH. O calor diminuiu bastante e, quando eu saí às 7 da manhã, o termômetro marcava os frescos 20ºC. Maravilhoso pra caminhada.

Meu dia continuaria maravilhoso se não fosse pela minha primeira obrigação do dia: exame de sangue. Oh, Lord! Eu disse pra médica que eu desmaiava quando alguém me enfiava (oi?) uma agulha. E essa foi a primeira vez que eu não tinha o amparo da minha mãe ou do meu pai: saí cambaleando da clínica e meu braço continua doendo até agora.


Mais tarde, decidi almoçar num restaurante chamado Rampa que fica ali na Rua dos Tupis. A comida estava ótima: joinha especial pra lasanha! O único ponto negativo do restaurante é as toalhas de mesa furadas. Como assim, gente? Não dá pra comprar toalhas novas, não? Ai, gente, tô mais chato que o crítico do Ratatouille.

Mais uma vez passei pela Praça da Liberdade. Por quê? Existem placas por toda a cidade indicando o caminho para a Liberdade (AMENON!), então eu sempre procuro outros pontos da cidade a partir dessa praça. A foto acima é de uma das fontes na praça e, coincidentemente, eu encontrei um cartão-postal com a foto dessa mesma fonte. E, modéstia à parte, a foto ficou linda!


Olha eu na frente do coreto (postei uma foto do coreto no primeiro post da série)! Da Praça da Liberdade, eu segui para o shopping Pátio Savassi que fica na Avenida do Contorno pra assistir "O Ditador", com Sacha Baron Cohen, o mesmo criador de Borat e Brüno! 


Não queria ir no cinema do Pátio Savassi por ser uma filial do Cinemark. Eu amo o Cinemark, mas acontece que em Uberlândia, a cidade onde eu moro, também tem outra filial desse cinema; queria conhecer coisas diferentes: projeções, sons, poltronas e tals, mas foi o lugar mais acessível que eu encontrei. Além de ser o único que eu consegui encontrar "O Ditador" legendado. Filme dublado ninguém merece.

Por fim, seguindo a minha vida de ryqueza, fui jantar no McDonald's (de novo). Tinha um cantor lá na praça de alimentação do Shopping Cidade cantando Telegrama do Zeca Baleiro. Como resistir? Cantei muito!

Por isso hoje eu acordei com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado
de bater na porta do vizinho e desejar bom dia
de beijar o português da padaria.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Diário de viagem [2]

Hoje eu acordei cedo e fui direto me servir do café-da-manhã do hotel. Isso serviu para me reforçar a ideia de que eu sou o único hóspede nesse prédio. Não vejo nenhuma vivalma entrando ou saindo na recepção, não ouço barulho de passos nem de batuques na parede, não cruzo (oi?) com ninguém nos corredores. Isso não é possível, gente! KD AS PESSOA?

Mais tarde tinha compromissos no bairro Jaraguá e resolvi ir de táxi. EIKE RYQUEZA! Mentira: o taxista estava arrotando do meu lado! Além de, em todos os sinais fechados (pegamos uns 500 nos 8km percorridos), ele mexia no celular. Oh, vontade de dar um peteleco na cabeça dele.

Na volta eu aproveitei para conhecer o sistema de transporte público de Belo Horizonte. O motorista do ônibus dirige tão educadamente que eu quase caí sentado no colo de um senhor de 70 anos! Me deu uma crise de rir tão grande! Parecia bobo rindo sozinho.

#OiOiOi

Quando eu já tinha resolvido tudo que precisava, fui passear pela cidade. Ah, que ideia maravilhosa caminhar por uma capital imensa num calor de 35ºC, umidade relativa do ar abaixo dos 30%! Me senti na casa do capeta. Que cidade quente, meu Deus! 

Mas, de qualquer forma, o movimento da cidade é uma maravilha. Eu nasci no ritmo de cidade grande. Eu me sinto meio pobre quando eu corro (porque pobre sempre tá atrasado pra pegar o ônibus ou bater o ponto lá no emprego), mas aqui todos correm: os engravatados, as madames, os turistas, eu. Me senti em casa.


Na mesma Praça da Liberdade onde eu fui ontem tinha esse... esse... esse troço aí na foto acima fazendo a contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2014 que acontecerá aqui no Brasil (Ah, vá! Mesmo? Garoto eshperto). Segundo o site do Globo Esporte, o estádio do Mineirão em BH receberá o seu primeiro jogo no dia 14 de junho de 2014 (confira a tabela aqui).


Por fim, pensei em ir ao Cinemark do shopping Pátio Savassi, mas estava muito cansado para me dedicar a tão longa caminhada. E não queria andar de ônibus. Preferi voltar para o hotel, descansar, tomar banho e sair pra night. Uhu! E onde eu fui? Em outro shopping! Que grande novidade, Lucas! Que programa original. Vá se catar! Você quer que eu vá aonde? Vou numa casa de swing pra você não reclamar.

Shopping é coisa linda de Deus! Nas ruas do hotel onde eu estou até o Shopping Cidade tem muitos bares, lanchonetes e tals., mas não sei preços, não conheço os produtos... Quando se entra num shopping, os logos das multinacionais se abrem na sua frente. Pra ser mais original ainda, fui comer no McDonald's: o símbolo máximo do consumismo.

Agora acabou! Nesse momento estou me recuperando de tudo isso com a janela do meu quarto aberta, com o ventilador ligado, tomando água a cada expiração. Bem-vindo ao outono mineiro.

domingo, 2 de setembro de 2012

Diário de viagem

A minha vida virou de pernas pro ar em uma semana. No domingo passado, eu estava em Uberlândia me recuperando de uma festa que eu tinha ido no dia anterior; na terça-feira, eu comemorei o aniversário da minha tia nessa mesma cidade; na quarta-feira, fui avisado de que precisava viajar para Belo Horizonte até segunda-feira (amanhã). Eram menos de quatro dias para fazer reservas no hotel, comprar a passagem de ônibus, arrumar as malas e ir sozinho pra uma cidade desconhecida. E cá estou na capital mineira!

Meu sonho era conhecer Belo Horizonte: não conhecer BH é ser um péssimo mineiro (eu era até hoje). Fiquei super animado com a possibilidade de conhecer essa cidade. Mas fiquei com muito  medo. Entrei no ônibus em Patrocínio à 00:25 hr e só chegaria aqui em Belo Horizonte seis horas depois. Muito tenso!


Não consigo dormir em viagem, então já me preparei pra ficar acordado a noite toda. Até liguei uma musiquinha pra relaxar, mas, por acontecimentos irrelevantes, tive que sentar num lugar do ônibus que não me é nenhum pouco agradável. Eu fiquei enjoado, a fome e a sede foram apertando e até a leitura estava me fatigando. Depois de duas horas de viagem, eu já queria pular da janela do ônibus.

Logo quando cheguei em Belo Horizonte eu já peguei um táxi pro hotel (Me sinto o cara quando ando de táxi. Pobre é foda!): parecia um zumbi. Caí na cama já pensando na programação da tarde. Só se eu fosse bobo pra ficar na internet numa cidade com tanta coisa lá fora.


Primeiro, eu catei esse Guia Turístico do hotel. Calma, gente! Eu já devolvi. Já tinha uns lugares em mente pra visitar, então, fui enfiando a cara. Mas as ruas daqui são muito, muito, muito complicadas. Em Patrocínio é tudo quadradinho; aqui, as ruas fazem zigue-zague, contornos e voltas gigantes que... Meu Deus! Andei essa cidade inteira pra encontrar um lugar pra comer.



Por acaso, um rapaz de belos olhos azuis (POR QUE EU NÃO TENHO OLHOS AZUIS?) me entregou um panfleto desse restaurante. Depois de passar por tantos botecos de esquina, aquele ali era restaurante de luxo. A comida é boa, com um tempero diferente (espero que esse "tempero diferente" não seja comida estragada) e o moço do balcão é gentil. Tava tocando um blues maravilhoso, tinha uns franceses conversando animadamente na mesa ao lado e o restaurante era todo decorado com quadros do Bob Marley, The Beatles, Elvis Presley e Pin-ups maravilhosas (já posso ser crítico de restaurantes).

Depois de comido (oi?), já fui com toda minha dedicação para a Praça da Liberdade. Não sabia onde era, mas fui. Mas no mapa parecia bem mais simples. Que lugar difícil de ser encontrado, meu Deus! 


Essa foto aí de cima é o Palácio da Liberdade (que fica na praça com o mesmo nome) que, segundo meu Guia fica aberto pra visitação nos domingos pela manhã. Deixa eu copiar mais uma parte do Guia: "É a sede do Governo de Minas, inaugurado em 1898, foi palco de grandes decisões que mudaram a história política do país." Mas o mais legal ainda estava por vir.


Muito da minha vontade de conhecer Belo Horizonte tinha aparecido quando eu assistia a minissérie JK, em 2006. Eu já imaginava que alguma cena tinha sido gravada aqui nessa cidade. Quando eu cheguei à Praça da Liberdade eu pensei que ali seria um lugar perfeito para as gravações: a arquitetura ao redor da praça nos transporta para o passado. E eu fui transportado para uma cena da minissérie. Eu tive certeza que as cenas tinham sido gravadas ali. Eu gosto muito dessas lembranças repentinas, dessas sensações de déjà vu. Eu lembrei exatamente da cena em que o Juscelino (Wagner Moura) via a Sarah (Débora Falabella), sua futura esposa, pela primeira vez. Eu me senti dentro da minissérie (fotos aqui e aqui). Foi maravilhoso. É preciso entender minha paixão por novelas para compreender essa emoção.


Por fim, eu fotografei esse obelisco que fica na Praça Sete de Setembro (cruzamento das avenidas Afonso Pena e Amazonas). Esse obelisco é chamado de Pirulito. O porquê desse nome... aí já é para o Sr. Google. Segundo o Wikipedia, tem 7m, é feito de granito, foi desenhado pelo arquiteto Antônio Rego e construído pelo engenheiro Antônio Gonçalves Gravatás.

Essa foi a primeira parte do Diário aqui em BH: espero ter tempo para atualizar o blog todos os dias até o fim da minha estadia para eu contar mais um pouco das minhas impressões e blá-blá-blá. Até mais.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bate-papo


— E aí, cara? Como é que tá?

— Ah, na mesma, né! Essa greve...

— Pois é. Três meses já, hein.

— 90 dias!

— 90 dias — o outro concorda. — Tô até vendo os professores ferrando com todos os alunos quando as aulas voltarem.

— Fazer o que, né! É a única arma deles pra conseguir melhorias e tal.

— Pois é.

— Mas já cansei dessa brincadeira. Que palhaçada é essa? Já teve um monte de negociações e não resolveram merda nenhuma. E a gente vai atolando na merda cada vez mais. Isso sem falar nos Policiais Federais e nos Fiscais Ambientais que também ‘tão de greve. Vai dar um nó d’um tamanho nesse país!

— Por isso que o Brasil não vai pra frente. Com um governo desses...

— E aí, a gente perde o ritmo, fica sem fazer nada o dia inteiro...

— No início eu tava até planejando estudar, adiantar as leituras...

— Quem não estava?

— ... mas aí fui acomodando, deixando tudo pra depois.

— A gente fica tenso o tempo inteiro pensando quando as aulas vão voltar. Podem voltar a qualquer momento e, quando voltar, os professores vão socar um monte de trabalho no nosso rabo.

— Foda de-mais! E o povo que estuda em faculdade particular diz que é por isso que não estuda numa Universidade Federal. Não estuda é porque não conseguiu passar no vestibular! Sabe aquela faculdade ali no centro? Então! Junto com a prova do “vestibular” já vem a folha de inscrição e sua grade horária.

— E eles ainda dizem que é férias. Férias o rabo deles!

— Se bem que tem alguns que fizeram da greve suas férias, né. Aquele Renato filho duma quenga foi até pra praia.

— Ah, é?

— Foi, uai. Vagabundo! Tava lá com aquele volume estranho na sunga abraçadinho com a Franciele.

— Sua ex?

— Vadia! Tenho certeza que ela já tinha um trelelê com o Renato antes d’eu terminar o namoro.

— Mas foi ela que terminou.

— Tanto faz. A ordem dos cavalos não altera a carroça.

— Mas eu bem que tava querendo ir pra praia também. Em janeiro.

— Nóoooh! Bão demais, hein! Eu tava querendo ir lá pra Natal passar uma temporada.

— Já conheci Natal. Foi... uns três anos atrás. Fui com aquele amigo meu de BH, lembra?

— Ah, sei!

— Agora tava querendo conhecer Fortaleza. Nossa, vi umas fotos de lá. Tem umas festas loucas na alta temporada. Mas nem vai dar.

— Uai, por quê?

— A gente vai ter que repor as aulas, esqueceu? Essa greve...

— Pois é. Três meses.

— 90 dias!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Levaram a carteira!


Um menino feliz e serelepe resolveu ir à Biblioteca Municipal estudar para um trabalho. Depois de dois ônibus e um pouco de caminhada, chegou animado ao lugar. Abriu os cadernos, as apostilas, pegou um dicionário na prateleira e tudo corria bem.

Um ventilador no canto da sala de estudos esvoaçava algumas folhas em cima da mesa do menino. Ele colocou sua carteira de couro e seu celular sobre as folhas para que não voassem. Tudo corria bem.

Mas é segunda-feira... depois do almoço... dá aquela sonolência... as letras começam a embaralhar... a gente já não consegue assimilar tudo que está lendo. E esse menino resolveu dar um cochilo em cima dos cadernos. Quinze minutos não é nada! E deitou sobre os braços.

Quando acordou, pegou o celular e conferiu as horas: 15hrs. Mas... tá faltando alguma coisa no cenário... A CARTEIRA!

É difícil admitir, mas esse menino sou eu. Hoje à tarde.

Eu fiquei desesperado. Não é possível que eu tenha perdido minha carteira com documentos, cartões de crédito, cinco fotos 3x4 e três notas de R$2!

Saí perguntando às outras pessoas que estavam por ali. Alguém tinha que ter visto alguma coisa:

— Uai, tinha um homem moreno de camisa azul andando por aqui. Ele tava muito suspeito.

Como assim, gente? Como que é uma pessoa suspeita? Eu não vou acusar o homem só porque ele é moreno.

Cheguei numa das bibliotecárias e disse:

— Que que eu faço? Tenho que fazer um boletim de ocorrência! Liga pra polícia. Eu tô ferrado.

Vendo o meu desespero, um rapaz, que eu descobri se chamar Marcelo, disse que viu esse mesmo homem moreno de camisa azul mexendo nas minhas coisas, mas ele achou que ele estava comigo.

— Ow, cara, desculpa aí!

— Naaaaada! A culpa não foi sua, não!

E eu andando de um lado pro outro. Por fora eu era só um rapaz discreto que tinha perdido a carteira, mas por dentro eu queria gritar e fazer um barraco imenso dentro da Biblioteca. 
Dramático!

Os policiais chegaram, eu me apresentei e eles começaram a preencher o BO:

— Sua identidade, por favor.


— Er... moço, levaram minha carteira.

— Ah, é! Você sabe o número de cor?

E ele me fez um monte de perguntas. Dentre elas:

— Me conta o que aconteceu direito.

Eu falei tudo: estudo, sono, carteira e celular em cima dos papéis, a falta de alguma coisa. Foi 
nessa hora que uma bibliotecária, que não tinha nada a ver com nada, entrou no caso:

— Uai, mas, se o celular tava ao lado da carteira, por que ele não levou o celular também?



Por fora eu fiz essa cara, mas por dentro eu quis dizer:

— Essa pergunta é meio difícil de responder, né. A senhora não quer ligar pro ladrão, não? E isso não vem ao caso agora!

A entrevista continuou. Contei da testemunha.

— Ah, teve testemunha. Então, chama ele.

Eu fiquei tão grato pelo Marcelo ter ido me dizer o que tinha visto e ainda por cima ter me pedido desculpa que eu disse que não tinha necessidade de ele prestar depoimento.

Eu não era capaz de fazer uma descrição do ladrão já que eu estava dormindo a centímetros do furto, então a bibliotecária que tinha me prestado auxílio foi chamada.

— Ele é moreno, negro de cabelo liso.

— Negro do cabelo liso? — o policial riu. — Difícil, hein!

Eu lá desesperado com os meus cartões nas mãos de um desconhecido e o homem ainda faz 
piadinha. O pior foi a lição de moral:

— Da próxima vez, você presta mais atenção. Se você sabe que vai deixar a carteira largada por muito tempo, coloca ela no bolso ou na mochila. Não pode se desligar desse jeito.

Isso foi só a introdução. Eu senti que ele tava querendo jogar a culpa em cima de mim, mas... deixei pra lá. Ainda jogaram a culpa no Marcelo, que viu tudo, mas nada fez. Eu fiquei com raiva! A culpa não era minha nem do Marcelo. Nós não fizemos nada de errado. O culpado é o ladrão que pegou minha carteira, ora!

E quando eu fui agradecer ao Marcelo, ele me perguntou:

— Ow, cara, tu não precisa de um dinheiro aí, não? Pra tu voltar pra casa?

Fiquei até emocionado. Ainda existem corações bondosos nesse mundo.

Mesmo assim, não tinha mais clima pra estudar. Fui embora e todo homem moreno, de cabelo liso e camisa azul me chamava a atenção. Eu quase abordei um eletricista.

Agora, todo mundo tá tentando me consolar dizendo que não faz sentido esse homem continuar com essa carteira. Não tinha dinheiro (esculacha mesmo)! Ele vai devolver a carteira pra Biblioteca!

E eu? Fico só esperando, né. Sentado. Pena que eu não sei o nome do ladrão, porque senão eu já estaria seguindo ele... no Twitter.

P.S. Acabei de receber o BO por e-mail. Que modernidade! Colocaram que minha cútis é branca e o assaltante aparenta 35 anos.