Mostrando postagens com marcador Ônibus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ônibus. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Anjo da Guarda


Enquanto as crianças entravam no carro, a mulher sentada no banco do motorista alisava a sobrancelha olhando no retrovisor interno. Seu filho mais novo nossa, quando essas crianças cresceram tanto? sentou-se no banco da frente, depois de muito pedir à irmã mais velha; a menina, de uns 15 anos, sentou-se no banco de trás com o celular na mão.

Era início da tarde e os três pouco conversavam dentro do carro; a menina zapeava pelos aplicativos do seu celular e o menino estava entretido com as músicas no som do carro. A mãe dos meninos tentava acompanhar as letras ensurdecedoras com seu inglês que tinha aprendido num curso de conversação para funcionários da universidade.

Subiam pela Av. Brasil, perto do fim do bairro com o mesmo nome. O carro deles é um desses modelos novos do Fiat Uno, branco, discreto. Pararam num sinaleiro. Mais uma vez a mulher olhou no retrovisor para conferir a sobrancelha, a menina continuava no celular e o menino remexia nuns papéis em seu colo.

O sinal ainda estava vermelho quando um rapaz apareceu de supetão na janela do lado do passageiro. Meu Deus, a mãe estava tão distraída com o retrovisor que nem percebeu o susto que o filho levou com aquela aparição inusitada. Vamos ser assaltados!, talvez tenha sido seu pensamento.

O rapaz do lado de fora tinha uma mochila nas costas, óculos de armação escura, a respiração ofegante e o desespero estampado na cara. Ele vai levar meu celular!, a menina deve ter pensado. Mas o rapaz só queria falar com a motorista:

Moça ele chamou , moça!

A mulher continuava a cantarolar enquanto arrumava sua sobrancelha, alheia ao desespero dos seus filhos. Quando percebeu a presença ameaçadora na janela do seu carro, soltou um Ai, que susto, menino!

Moça, eu preciso de ajuda o rapaz foi logo cuspindo as palavras: Eu tô com duas meninas aqui comigo. E elas precisam fazer o vestibular ali na Universidade. No campus que fica logo ali em cima! Mas a gente desceu do ônibus no ponto errado e agora só faltam 15 minutos pro início da prova. Tá muito longe pra ir a pé. A gente tá desesperado! Eu preciso arranjar uma carona pra essas meninas...!

Meu Deus! Cadê elas, menino? Coloca elas dentro do carro que eu levo elas lá agora!

Ai, moça! Obrigado, obrigado, obrigado. O rapaz agradeceu.

Esse rapaz desesperado por uma ajuda era eu; as duas meninas atrasadas para o vestibular de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia eram minha irmã e minha prima. Tudo isso aconteceu no sábado passado numa correria que durou alguns minutos mas que, pela dor nas minhas costas no dia seguinte, pareceu durar horas em busca de uma alma caridosa que pudesse nos ajudar.

Quando eu encontrei esse carro parado no semáforo, eu não me lembrei de vergonha ou timidez e coloquei o “carão” lá dentro pra pedir ajuda. Assustei o menino que estava sentado no banco da frente, mas, quando a mulher mostrou-se solidária com a minha causa, eu só fiz agradecer.

Peguei minha irmã pelo braço e joguei no banco de trás ao lado da menina que mexia no celular; depois empurrei minha prima e espremi todo mundo até que coubessem todas dentro do carro. O sinal passou do vermelho para o verde e eu, da calçada, me despedi das meninas que já arrancavam os cabelos de ansiedade.

Quando eu contei o acontecido pra minha mãe, ela me disse que essa seria uma história para rirmos daqui uns meses. Nem foi preciso tanto: no final daquela tarde, nós já estávamos nos contorcendo de tanto rir de tudo que a gente tinha feito, de todas as pessoas que a gente tinha abordado antes de encontrar alguém solícito... E agradecemos a essa mulher que eu transformei em protagonista dessa história, mesmo sem saber seu nome, sua profissão ou se era mesmo mãe daqueles meninos, mas que foi o nosso anjo da guarda naquele dia. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Diário de viagem [2]

Hoje eu acordei cedo e fui direto me servir do café-da-manhã do hotel. Isso serviu para me reforçar a ideia de que eu sou o único hóspede nesse prédio. Não vejo nenhuma vivalma entrando ou saindo na recepção, não ouço barulho de passos nem de batuques na parede, não cruzo (oi?) com ninguém nos corredores. Isso não é possível, gente! KD AS PESSOA?

Mais tarde tinha compromissos no bairro Jaraguá e resolvi ir de táxi. EIKE RYQUEZA! Mentira: o taxista estava arrotando do meu lado! Além de, em todos os sinais fechados (pegamos uns 500 nos 8km percorridos), ele mexia no celular. Oh, vontade de dar um peteleco na cabeça dele.

Na volta eu aproveitei para conhecer o sistema de transporte público de Belo Horizonte. O motorista do ônibus dirige tão educadamente que eu quase caí sentado no colo de um senhor de 70 anos! Me deu uma crise de rir tão grande! Parecia bobo rindo sozinho.

#OiOiOi

Quando eu já tinha resolvido tudo que precisava, fui passear pela cidade. Ah, que ideia maravilhosa caminhar por uma capital imensa num calor de 35ºC, umidade relativa do ar abaixo dos 30%! Me senti na casa do capeta. Que cidade quente, meu Deus! 

Mas, de qualquer forma, o movimento da cidade é uma maravilha. Eu nasci no ritmo de cidade grande. Eu me sinto meio pobre quando eu corro (porque pobre sempre tá atrasado pra pegar o ônibus ou bater o ponto lá no emprego), mas aqui todos correm: os engravatados, as madames, os turistas, eu. Me senti em casa.


Na mesma Praça da Liberdade onde eu fui ontem tinha esse... esse... esse troço aí na foto acima fazendo a contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2014 que acontecerá aqui no Brasil (Ah, vá! Mesmo? Garoto eshperto). Segundo o site do Globo Esporte, o estádio do Mineirão em BH receberá o seu primeiro jogo no dia 14 de junho de 2014 (confira a tabela aqui).


Por fim, pensei em ir ao Cinemark do shopping Pátio Savassi, mas estava muito cansado para me dedicar a tão longa caminhada. E não queria andar de ônibus. Preferi voltar para o hotel, descansar, tomar banho e sair pra night. Uhu! E onde eu fui? Em outro shopping! Que grande novidade, Lucas! Que programa original. Vá se catar! Você quer que eu vá aonde? Vou numa casa de swing pra você não reclamar.

Shopping é coisa linda de Deus! Nas ruas do hotel onde eu estou até o Shopping Cidade tem muitos bares, lanchonetes e tals., mas não sei preços, não conheço os produtos... Quando se entra num shopping, os logos das multinacionais se abrem na sua frente. Pra ser mais original ainda, fui comer no McDonald's: o símbolo máximo do consumismo.

Agora acabou! Nesse momento estou me recuperando de tudo isso com a janela do meu quarto aberta, com o ventilador ligado, tomando água a cada expiração. Bem-vindo ao outono mineiro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A Gorda



[ou “A Rechonchuda” para os politicamente corretos]

Não tenho nada contra quem está acima do peso e essa história nem é tão interessante quanto outras, mas, se alguém me perguntasse o motivo de eu ter gasto o meu tempo com essa gorda, eu responderia... Não sei! Na verdade, eu nunca tinha vista mais gorda. Mas ela é uma daquelas personagens que eu encontro na rua e não me saem da cabeça. É uma das personagens que precisam ter suas histórias contadas.

Cinco horas da tarde e o sol está insuportável! Não é como o sol quente do meio-dia, é um sol que entra por todos os nossos poros e nos impede de respirar. É um mormaço que faz com que você chame todos os santos para que o ônibus chegue o mais rápido possível; é um mormaço que faz com que você se sinta como se estivesse numa estufa de boteco de esquina.

E foi justamente de uma dessas estufas que saiu o salgado que a gorda comia. Sentei-me ao lado dela no ônibus enquanto ela mordia o risole e bebia guaraná. O óleo ultrapassava o guardanapo fino e escorria entre seus dedos roliços, enquanto o cheiro de fritura entrava pelas minhas narinas quase impossibilitadas de respirar por causa do calor. Aquilo me revirava o estômago.

Ela terminou o salgado e limpou os dedos no guardanapo quase transparente e bebeu o resto de refrigerante numa única chupada no canudinho. O ônibus se aproximava do ponto em que ela deveria descer e eu atrapalhava a sua passagem. Ela se virou para mim e disse mal-humorada:

— Sai que eu quero descer!

Educação mandou lembranças... Saí como ela tinha mandado e quase pedi desculpas por eu existir. E ela desceu com a mesma cara amarrada e com a mesma delicadeza com que ela tinha me pedido passagem.

Para terminar, uma menininha de uns 6 anos gritou:

— Olha, vó! É aquela mulher ali, ó. É mais gorda que a senhora.

Ai, ai... a sinceridade das crianças.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pedacinho de conversa


Duas mulheres dentro do ônibus:

— Já tá semana de fazer a compra do mês.

— Pois então! Tava procurando arroz e feijão. Nossa! Tá pela hora da morte. E o Júlio também me pediu pra pesquisar uns preços. Tô achando que eu vou comprar o açúcar lá no Bretas.

— Mas o...

— Espera, mãe! Deixa eu acabar de falar. O Júlio disse que o açúcar tá de promoção lá no Bretas.

— E onde ele viu isso?

— Na televisão ontem. Passou na propaganda.

— Acontece que eu vi...

— Calma, mãe! Deixa eu acabar de falar. Eu e o Júlio, a gente teve uma discussão por causa desse açúcar. 
É que lá em casa a gente gasta pouco açúcar. O Júlio não coloca açúcar nem no café.

— Então...

— Espera! Aí o Júlio disse que a gente podia diminuir esse gasto. O açúcar e outras coisas, né! A gente vai 
economizar bastante esse final de ano. Falta pouco pra completar o dinheiro da viagem pra praia.

— Ah, então... Peraí, olha ali! Oh, gente!

— O quê, mãe?

— A gente passou do ponto. Era pra gente ter descido ali, ó. Oh, meu Deus! Olha ali. A gente ia pegar aquela rua ali, ó, direto. Ia sua d’uma vez.

— Calma! A gente desce no próximo e volta.

— Você fica contando os casos e eu perco os sentidos. Ôxi!

— Ai, gente! Que drama!

— Oh, que raiva! Você não para de falar!

— Ah, mas a senhora também tava falando.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tá me chamando de velha?


Um jovem se sentou num banco do ônibus. Sol quente, fim de tarde, ônibus lotado. O rapaz vê uma mulher com dificuldade pra se manter em pé com o ônibus em movimento.

— Senhora — o rapaz chamou —, pode ficar com meu lugar!

— Por quê? Tá me chamando de velha?

— Hã? Calma, eu só achei que...

— Tá me chamando de velha? Porque se ‘tiver, me fala agora!

— Na verdade, eu só tô dando o meu lugar pra senhora.

— Senhora?

— Calma. Eu... eh... assim... Eu falo “senhora” por educação.

— Por educação com os mais velhos!

— E a senhora é realmente mais velha que eu. Mas eu não tô te dando meu lugar por causa da sua idade, mas por causa do seu filho — disse apontando para a barriga da mulher.

— Filho?!

— É. A senhora não pode arriscar perder o seu bebê. O ônibus tá...

— TÁ ME CHAMANDO DE GORDA?

— Claro que não! Eu só... eh... eu... só pensei que... Mas a senhora tem que ter consciência que a gravidez traz certas...

— Eu não estou grávida!

— Ah, não? Mas eu jurava que...

— Você jurava que eu estava grávida por causa do tamanho gigantesco da minha barriga? Diga o que quer dizer! Quer dizer que a minha barriga parece uma pochete? Então, diga logo!

— Eu... não... queria dizer nada disso!

— Não me engane com suas palavras. Diga logo que eu pareço uma baleia.

— Pensando bem... eu acho que a senhora nem poderia estar grávida.

— Por que? Eu sou velha demais pra ter um filho? É isso? Diga logo que eu tenho a idade de ser a sua mãe.

— Na verdade, não! Mas... eh... o... o que eu quis dizer é que sua blusa muito colorida deu um... efeito, sabe? Tipo uma ilusão de ótica!

— Eu também sou brega?

— NÃO! De jeito nenhum. Acho a senhora até muito estilosa.

A mulher concorda.

— Então... ainda quer ficar com meu lugar? — ele disse apontando para o banco. Uma moça com boina e fone de ouvido já tinha tomado o lugar dos dois.

— Ei, esse lugar era meu! — Ela não ouviu nada. — EI! ESSE LUGAR ERA MEU!

Ela tira o fone com indiferença.

— O que você disse? — com uma sobrancelha arqueada.

— Ah, esquece!

— Esquece nada! — a mulher complexada entra no assunto. — Aqui tem uma mulher grávida querendo se sentar.

— Quer enganar quem, tia? Eu ouvi a conversa de vocês.

— TIA? Tá me chamando de velha?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Eu não entendo: fones de ouvido

Nos últimos tempos, eu tenho visto muitas pessoas com fones de ouvido, principalmente, dentro do ônibus [como sempre].

Na verdade, eu venho pensando sobre esses fones de ouvido há algum tempo, mas hoje eu vi um cara passando a maior dificuldade em ficar em pé no ônibus em movimento por que ele usava apenas uma das mãos para se segurar, já que com a outra ele segurava o celular, e voltei para casa pensando: Por que as pessoas gostam tanto dos fones de ouvido?

Eu, particularmente, gosto de ouvir música no sossego do meu quarto. Claro que eu tenho minhas preferências, mas eu ouço de tudo. Coloco baixinho pra poder ouvir mais do que a letra da música, mas o trabalho de voz do cantor; ouvir os instrumentos, os efeitos, os solos... E isso é impossível de se fazer num ônibus em movimento.


Outra coisa que eu pensava era: que tipo de música eles ouvem nos seus celulares? A minha pergunta foi respondida na semana passada quando um cara ligou o celular SEM o fone. Que sofrimento! A vilenagem — ou fubá — mandando, hein!

O cara começou com um Fernando e Sorocaba: “Teus Segredos”. Só que assim: no último volume. Aquela beleza, né!

Aí, acabou. Eu pensei: “Agora é outro sertanejo, né”! Não, meu caro Watson. Começou a tocar “Thriller” do Michael Jackson! Óh, Senhor! A música é ótima, mas imaginem o cara segurando um celular perto do ouvido, tocando a música dos zumbis na maior altura e TODOS no ônibus escutando. Eu, que tava perto dele, me segurei pra não rir.

Michael Jackson durou um tempinho bom, né! Aí, eu já fiquei curioso pra saber a próxima música da Playlist. Que desgraça!


“Super-Man ficou fraco,
O Pingüim jogou kriptonitaLex Luthor e Coringa roubou laço da Mulher Maravilha”.

Imagina a minha cara de feliz com essa música dos infernos tocando bem na hora que eu tava voltando cansado pra casa! E pra completar: que tipo de pessoa ouve esse tipo de música no fone de ouvido? Pessoas malucas!

Se eu ouvir essa música num fone de ouvido no volume máximo o meu cérebro pega fogo!

Eu, por exemplo, não tinha fone de ouvido. Resolvi comprar um — que me deu muita raiva até funcionar — e conectei no meu celular enquanto voltava pra casa no ônibus. Nossa Senhora: cheguei em casa com a cabeça DESSE tamanho!

Pois é!

Fones de ouvido: eu também não entendo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Essas coisas sempre vão acontecer

Quando eu invoco com alguma coisa (invoco?!) é muito difícil tirar isso da minha cabeça. Da mesma forma que o blog ficou infestado de posts sobre as minhas (más) experiências com cães, hoje em dia ele tá cheio das minhas idas e vindas nos ônibus.

Faz mais de sete anos que eu dependo de ônibus quase todos os dias. Às vezes, eu vou andar de carro e percebo o quanto é bom ir sentado num lugar só seu e tendo a certeza de que aquele lugar será seu até você chegar ao seu destino.

Acontece que antes eu andava em ônibus escolares, com as mesmas pessoas TODOS os dias. Eu lembro que as pessoas tinham os seus lugares certos de sentar. Eu, por exemplo, sentava sempre no terceiro banco do lado esquerdo.

Agora, eu ando de ônibus com pessoas completamente diferente TODOS os dias. Há crianças muito pequenas, senhorinhas que sempre conseguem lugares de pessoas bem educadas, trabalhadores indo e voltando do serviço, estudantes e outros...? Outros.

E vivendo no meio de tanta gente diferente a gente vê, ouve, vive cada coisa. E eu resolvi escrever esse post para relatar dois acontecimentos da semana passada.

O primeiro é envolvendo uma senhorinha. Na verdade, senhorinha, o caramba! Eu nunca vi uma pessoa tão afobada como essa mulher.

O ônibus tava tão cheio que eu precisei ficar ali na escadinha e, quando o ônibus tava quase chegando ao ponto em que essa mulher precisava descer, ela já veio pro meu lado.

— Eu vou descer no próximo ponto — ela disse com o ônibus em movimento.

— Eu vou dar licença pra senhora. Só um minutinho.

E o ônibus andando...

— Tem como você dar licença? — ela perguntou. — Eu preciso passar.

— Tá certo! Eu vou dar licença. Peraí.

Só que não tinha como sair dali com o ônibus em movimento: tinha um monte de gente no ônibus, meu Deus!

— Mas não tem como eu passar com essa mochila desse tamanho na minha frente. — Ela se referia a minha mochila que atrapalhava a passagem.

Eu nem respondi. O ônibus ainda estava andando e a mulher insistente querendo descer.

— A SENHORA QUER PASSAR?! ENTÃO, PASSA. EU SAIO DA SUA FRENTE E A SENHORA PODE PULAR LÁ DE FORA. NA RUA.

Eu não disse isso é claro, mas era a minha vontade.

Quando o ônibus FINALMENTE parou naquele bendito ponto a mulher saiu empurrando a minha mochila num desespero. Eu fiquei com raiva na hora, mas dois segundos depois eu tava era rindo.

O segundo caso é extremamente o oposto. Eu nunca vi um garoto tão despreocupado.

Eu entrei no ônibus e aquela velocidade e tudo mais... Vi um lugar lá na última fileira de bancos ao lado de um rapaz. Ele tava com o uniforme do lugar onde trabalha. Eu não lembro direito, mas eu acho que era CALU. Sei lá, não interessa.

Sentei ali e fiquei de boa na lagoa, curtindo a viagem... De repente eu percebo que a cabeça do rapaz ao meu lado tava meio... largada. Ia balançando de acordo com as alavancadas do ônibus.

E naquele remelexo o rapaz encostou a cabeça no meu ombro. (#tenso) Foi só o início. Depois ele foi deitando e deitando e deitando... Ele não tava debruçado em cima de mim, mas a cabeça dele tava meio que... no meu ombro.

E aquele vuco-vuco. Eu olhei para outro rapaz. Ele tava sentado do outro lado do cansado trabalhador que dormia no meu ombro. Nossos olhares se cruzaram (#QueRomantico) e foi engraçado dar um riso cúmplice com uma pessoa que eu nunca tinha visto.

Eu tava vendo a hora que o ônibus ia chegar ao fim da linha e eu ia bater no ombro do dorminhoco que babava na minha camisa e dizer:

— Moço... tenho que descer agora.

Mas pelo menos ele não perdeu o rumo de casa. Ainda saiu conversando no celular.

— Tô na esquina de casa.

Mas é isso, mesmo.

Eu penso que essas coisas sempre vão acontecer: você vai levar um empurrão, um puxão, uma encoxada, alguém vai dormir no seu ombro, outro dia será você... Então, pra que ficar nervoso? É muito melhor levar numa boa e chegar em casa contando com um sorriso nos lábios:

— Você não sabe o que me aconteceu...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Os ovos e a velhinha


[é preciso uns 3 segundos para rir]
O homem entra no ônibus com muita pressa. Quando vai se sentar junto a uma velhinha, ela diz:
- Cuidado com os ovos, meu filho!
O homem, então, nota a presença de um pacote no local onde pretendia se sentar e fala pra velhinha:
- São ovos?
- Não, são pregos.

domingo, 20 de março de 2011

Os ônibus

[todas as histórias são verídicas]

Andando pela rua, lembrei-me daquela piadinha que pergunta qual é o coletivo de pessoas: ônibus. Pois é! No ônibus é que nós temos relações com várias pessoas da cidade ao mesmo tempo. Relações íntimas, às vezes. E nós temos que fingir que tudo aquilo é normal, porque se a gente não levar na esportiva, nós vamos enfezar com um cara com o braço levantado ou quando um tá te encoxando ali na maior inocência.

Às vezes, o negócio tá tão cheio que você nem precisa se segurar naquelas barras: você solta as mãos e a mulher gorda na sua frente, um adolescente te encoxando por trás, um homem de camisa regata do seu lado e uma mulher de uniforme da empresa do outro te espremem e você nem consegue se mexer.

O ônibus também é ótimo pra ouvir conversa dos outros. Não me julguem mal, mas é inevitável. Há alguns anos, num ônibus escolar, eu ouvi uma menina comentando sobre um garoto que eu conhecia.

— Esse Juninho é gostoso demais. Mas o irmão dele que é safado. — E contou várias experiências com o irmão desse menino que prefiro não descrevê-las.

Esses dias atrás também vivi outra situação. Eu tava ouvindo a conversa de uma mulher que gritava no celular.

— Pois é! Voltei. Fiquei lá três anos e meio; quase quatro. A Jéssica disse que eu não voltava, mas a Amanda sempre acreditou que eu voltaria. — Isso ela tava gritando.

Quando chegou num ponto de ônibus, a mulher desceu. Aí, duas pessoas que estavam atrás de mim começaram a falar mal dos modos da menina.

— Mas fala demais, hein? — um homem começou.

— Nossa senhora! Celular é só pra uma necessidade; em caso de urgência.

— Imagina essa aí sem o celular.

— Ih...

— Excomunguenta do caralho!

E mais uma discussão infinita sobre a conta telefônica da moça. Coitada!

Ônibus escolares também são ótimos lugares pra dar umas risadas. Quando os alunos são adolescentes, eles falam mal dos professores.

— O menino foi de blusa de frio hoje e o maluco do professor começou a brigar com o menino dizendo que tem que usar o uniforme da escola, tem que ter orgulho da escola — Risos.

Quando os alunos são pré-adolescentes, lá pelos 11 anos, eles gostam de se desafiar com o ônibus em movimento. O jogo principal entre eles é o de ficar sem segurar nas barras.

— Vamo’ apostar quem fica mais tempo sem segurar nos ferro?

— Demorô!

E quando são crianças, aí que o negócio esquenta. Elas gritam “O fulano disse que gosta de você”; elas brincam de boneca; choram. O mais impressionante que eu já vi foram crianças que se dependuravam de cabeça pra baixo naquelas barras mais altas! Dias depois, eu vi essas crianças com os pais e eles pareciam tão dóceis.

O texto vai ficar grande, mas eu tenho ainda que falar dos ônibus de viagem. Existem inúmeras situações que a gente passa numa viagem. Por exemplo, quem nunca viajou de ônibus e teve seus joelhos apertados pela cadeira reclinável da sua frente? Quem nunca teve o lugar da “janelinha” roubado por alguém mais esperto? Quem nunca se sentou ao lado de uma pessoa que fica debruçado em cima de você e não deixa você nem escorar o braço no encosto?

São essas e outras coisas que a gente tem que passar.

No ônibus de viagem todo mundo fica sentado. Pelo menos nos que eu viajei.

Foi engraçado um dia que eu acompanhei um professor de química corrigindo as provas dos seus alunos. [Eu sou muito enxerido, mesmo!]. Tinha alunos que tiravam 10! Incrível! Mas tinha uns que o professor só ia riscando: risco, risco, risco, risco. Depois ele colocava um 1 lá em cima pelo aluno ter comparecido no dia da avaliação.

Então, é isso. Pra finalizar deixo um conselho e uma mensagem. Nunca ofereça o seu lugar para uma grávida se você não tiver certeza que ela esteja grávida. Ela pode não estar. E a mensagem é a seguinte: nem tudo na vida é passageiro; ainda tem o motorista e o cobrador.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Yes, I can!

[o título ia ser "I will survive", mas eu achei que as pessoas poderiam pensar outra coisa do texto.]

Uma semana em Uberlândia! Incrivelmente, para a surpresa da nação brasileira, eu consegui sobreviver.

Uberlândia, uma cidade muitas vezes maior que a pacata (?) Patrocínio, parecia-me um bicho-de-sete-cabeças. Da mesma forma que os americanos sonham com Las Vegas, nós, de cidades pequenas, imaginávamos Uberlândia como uma capital do Triângulo Mineiro. Na verdade, até hoje eu imagino. Não sei porque usei o verbo no passado.

E só de pensar na possibilidade de morar em Uberlândia dava uma mistura de felicidade por estar num lugar diferente e cheio de oportunidades, mas muito medo. É que nem uma frase que eu ouvi quando eu era criança e nunca esqueci: "Nós gostamos do novo, mas temos medo dele."

Mas eu sobrevivi.

Agora, vamos deixar de filosofar e vamos para o que interessa, que é o que eu escrevo nesse blog. As minhas impressões sobre o lugar.

A primeira coisa é a liberdade: aqui parece que as pessoas não ficam me encarando e olhando a roupa que eu visto. Eu acho que cidade grande tem tanta coisa o que pensar que as pessoas estão pouco se lixando para a roupa que você está usando.

O shopping também é outra coisa, né. É outra cidade dentro de Uberlândia. Eu não tenho o costume de ir ao shopping porque em Patrocínio tem um, mas não tem nada lá. Complicado de explicar, né!

Mas eu gostei do clima do lugar. E mais uma vez cada um cuida da sua vida que é o melhor.

O terceiro item e o mais divertido são os transportes coletivos: os ônibus. Quem não tem senso de humor pode ser uma desgraça, mas, às vezes, eu me segurava pra não rir de tão engraçado que eram as situações.

No meu primeiro dia de ônibus, eu não pude subir nele. O negócio tava tão cheio que não cabia mais nenhuma alma. Entraram umas cinco pessoas que estavam no ponto de ônibus, mas o resto, incluindo eu, ficamos esperando pelo próximo. Depois, quando eu já tava nesse segundo eu tive que ir na escadinha ao lado do motorista. Uma loucura!

E ontem choveu, né! Aí, aquela coisa. Eu vi que tinha muita gente esperando o ônibus. Eu percebi que era o mesmo que eu esperava. Pensei: "Putz!"

Aí, entrou todo mundo. Demorou uns 10 minutos pra todo mundo se ajeitar. Foi quando o ônibus partiu.

Eu tava naquela situação "me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém" e aquele Cheiro de Corpo (CC) ma-ra-vi-lho-so! Mas foi de boa.

Tô adorando e vou ter muito tempo pra descobrir mais algumas coisas que eu não conheço. Vai ser legal!

[Eu ia comentar sobre a UFU (Universidade Federal de Uberlândia), mas eu acho que merece um post exclusivo! rsrsrsrs]

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Tombo

Depois de muitos dias sem postar, voltou para lhes contar uma história verídica, como todos os Micro Contos são.

Foi a história do meu tombo. Quem convive comigo sabe das milhares de vezes que eu contei essa história. Foram 254789 vezes.

Todos os dias, eu sou (quase) o último a sair da escola quando toca o sinal do fim da aula. Nesse dia não foi diferente. Eu saí na maior calma.

Outra questão que é preciso saber é que eu volto pra casa de ônibus escolar. O motorista estaciona o ônibus na frente da escola.

Quando eu apontei na saída da escola, o motorista já tinha acionado a alavanca pra fechar a porta. Eu nem disse "tchau" pra quem tava comigo e saí disparado. Eu tentei ser bonito (coitado!) e fui subir as escadas do ônibus correndo.

Escorreguei no segundo degrau e bati os joelhos na escadas. Você não leu errado: os DOIS joelhos ao mesmo tempo.

Eu não sou muito enturmado com os alunos do ônibus (odeio!) e fingi que não tinha doído, mas o sangue escorria da canela.

Cheguei em casa e fui pra casa de uma amiga (Twitter: @nathy_hirth). A gente foi assistir a um DVD. Mas eu não aguentei. Eu gemia de tanta dor. Precisei de massagem, pomada e depois muita paciência até a dor passar.

Agora eu tenho duas cicatrizes nos joelhos e uma história pro resto da vida.