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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

100 palavras para se lembrar de 2012

[ou para esquecer; depende do ponto de vista e do seu bom humor]


Fim do mundo

Luís Felipe Scolari

Para nossa alegria

Olimpíadas de Londres

Tufão

Madonna

Louis Vettel

Carminha

One Direction

#OiOiOi

Cotas nas Universidades

The Voice Brasil

O Artista

Michael Phelps

Eleições Municipais

Whitney Houston

Carrossel

Hebe Camargo

Goleiro Bruno

Lady Gaga

Gina Indelicada

Hugo Cabret

Furacão Sandy

Mensalão

Eric Hobsbawn

O Hobbit

Maias

Barack Obama

Rio +20

Oscar Niemeyer

Babi Rossi

Eu quero ver tu me chamar de amendoim

Titanic

Veja

Xingu

Gangnam Style

Ai, se eu te pego

Empreguetes

Egito

Carlinhos Cachoeira

Corinthians

Eu vou lhe usar!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um a um

E o árbitro aponta o meio de campo.

Clássico do Campeonato Estadual, o jogo tinha acabado igual: 1x1. Os dois goleiros tinham sido os heróis da partida: um já era famoso desde os anos 90, com uma carreira impecável e trabalhos fabulosos em vários clubes do país; o outro era o astro do futebol atual: jovem, competente, vivendo o seu momento de glória: campanhas publicitárias e contratos milionários.

O mais jovem tinha o mais velho como um exemplo a ser seguido. Era seu ídolo.

No fim do jogo, o mais jovem tentou uma aproximação.

— E aí? É... muito boa a partida, né?

O outro arqueou a sobrancelha e respondeu com um “Hum”.

— A torcida vibrava com cada defesa sua.

— É sempre assim.

— A gente virou... os heróis do jogo.

— Hum — não gostando nenhum pouco daquele “a gente”.

— As suas defesas foram... Nossa, velho, tu é o cara. Teve um... lembra quando o Juninho deu um bicicleta?... aquilo foi show. Lembrei da sua defesa histórica na Seleção naquele amistoso em 99.

— Ah! Aquilo? Nem foi nada. A gente treina é pra fazer isso.

— Mas foi show, velho!

— Talvez algum dia você consiga. Ou não.

— E o gol? Puta merda! Ninguém pegaria aquele chute do Beto. Eu mesmo não ia dar conta.

— Porque é inexperiente e porque não se dedica nos treinos.

— É, mas...

— E, naquela hora, o Beto tava impedido. Tu vai ver! O treinador vai analisar as imagens e o clube vai querer uma revisão do placar.

— Sério? Eu acho que não...

— Nem de futebol tu entende. E aquele chute do Caio que tu não pegou!... Tsc, tsc. Como você consegue ser tão...?

— Foi um...

— Foi um momento de distração! Um goleiro não pode se distrair. — Olha nos olhos do jovem: — Tem que ter foco.

Um jogador chega dando um abraço no mais jovem.

— O treinador quer uma reunião no vestiário.

O goleiro mais experiente dá um tapinha no rosto do outro:

— Você tem muito a aprender, filho. Treine mais. Ou desista disso logo de uma vez. Quem você tá querendo enganar? — e saiu.

O fã ficou ali com os olhos cheios d’água.

— Ele é tão... tão...

— Metido? Arrogante?

— ... foda! Queria que ele autografasse a minha camisa.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

100 palavras para se lembrar de 2010

A exemplo do ano passado (100 palavras para se lembrar de 2009, 31/12/2009), eu resolvi fazer uma versão 2010. Leiam, relembrem e comentem!


África do Sul

Complexo do Alemão

Holanda

Justin Bieber

Legendários

Relíquias da Morte

Polvo Paul

Marcelo Dourado

Safadeza Oculta

Chile

Passione

Haiti

Restart

As Cariocas

Felipe Neto

Daniel Bueno

Guerra ao terror

Chico Xavier

Espanha

Noel Rosa

OTABOL

Rebolation

Dicesar

Madison Square

Plínio de Arruda

Fluminense

Zakumi

Felipe Melo

ENEM

Luan Santana

Pece Siqueira

Talita Werneck

Formigueiro

Iniesta

Teena

José Serra

Parangolé

Bete Gouveia

Percy Jackson e os Olimpianos

UP

Goleiro Bruno

Casseta & Planeta

Dilma Rousseff

CALA BOCA GALVÃO

Hipertensão

Alexandre Nero

Mônica Iozzi

Mineiros chilenos Dunga

Tropa de Elite

A Pirâmide Vermelha

Tiago Leifert

Maria Gadu

Mano Menezes

Ti-Ti-Ti

Marina Silva

Robert Pattinson e Kristen Stewart

Paul McCartney

Toshi

Punto e Basta!

domingo, 11 de julho de 2010

Um velório e uma Copa do Mundo

— Eu sempre fico me perguntando, como será o dia da minha morte — Hélio filosofava num canto.

— Tomara que não seja no dia da final da Copa do Mundo! — Samuel disse do outro lado.

Era domingo. Dia da Final da Copa do Mundo de 1994: Brasil e Itália.

Dona Margarida tinha morrido na manhã do dia 17 de julho. Os parentes tinham que velar a pobre senhora. Eram duas horas da tarde e quase ninguém tinha ido ver a coitada da falecida.

Tinham aparecido os filhos e filhas, os netos e algumas noras. Os genros estavam bêbados demais para irem a um velório. Tinha alguns sobrinhos e algumas senhoras do grupo de oração. Mas ninguém demorava muito.

Tia Judite era a única que tinha ficado ali desde cedo e que dizia para os filhos de dona Margarida para terem mais consideração pela mãe morta.

— O que a senhora disse? — Hélio estava bêbado desde o dia anterior. Tinham enxugado todas as garrafas de umas duas caixas de cerveja.

Várias amigas de dona Margarida resolveram almoçar na casa dela. Não sei por que as pessoas vão almoçar na casa da pessoa quando ela morre. Mas todo mundo tem essa mania. E era na casa da dona Margarida que todo mundo da família tinha combinado de assistir o jogo.

— Ninguém liga a televisão aqui, hoje — retrucou Tia Judite.

O povo ficou desesperado. E todo mundo já começou a ficar desestruturado, sem rumo… Os que estavam mais pra lá do que pra cá começaram a dançar e as mulheres brigavam com tia Judite. Mas a velha era teimosa:

— Que desrespeito!

A família ficou alvoroçada. Tinha um pouco de gente no velório, na casa da dona Margarida, na rua, no barzinho da esquina…

Já eram três horas da tarde e o jogo estava marcado para 16:35. Os genros ficaram doidos. Encostaram uma caminhonete na garagem da casa da dona Margarida. Colocaram as caixas de cerveja e o tacho de galinhada.

— Vamo’ arranjar um lugar pra nóis vê o jogo, sua véia chata! — Hélio gritou. Samuel era o co-piloto.

Foram pra casa do irmão do Samuel. Tinha umas trinta pessoas reunidas na frente d’uma televisãozinha. Pelo menos eles iam ver o jogo. O Hélio, do jeito que ele tava, não ia ver nada.

Desceram mais um monte de crianças, as mulheres, os bebuns, os velhos... Eu acho que tinha até umas senhoras do grupo de oração.

O jogo ficou no empate, mas não podia ter dois vencedores. Prorrogação e depois pênaltis. Enquanto isso, no velório, tava a dona Judite e uma velhinha. Sendo que a última tinha um radinho ligado.

— Que absurdo! Não tem nenhum filho de Deus pra enterrar a coitada.

Foi Roberto Baggio quem fez a felicidade brasileira quando ele errou o pênalti que poderia significar a vitória para a Itália.

Nunca um gol foi tão comemorado. Quer dizer, um erro. O Brasil era o primeiro país a se tornar tetracampeão.

— Agora, eu carrego o caixão da dona Margarida! — disse Hélio para Samuel. — Pensando bem, deixa pra amanhã. Hoje eu quero beber.

Até hoje existe uma piada nessa família: que até a dona Margarida pulou quando o Baggio errou o pênalti.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O padre holandês

O casamento tinha sido marcado para aquele dia às 11 horas da manhã. Já era dez e meia e só uma meia dúzia de gente tinha chegado ao casamento: contando com os pais dos noivos e um padrinho.

— Que ideia é essa de marcar o casamento no horário do jogo? — Guilherme, o padrinho, perguntou ao noivo. — Será que não tinha outro dia pra marcar esse casamento? Tinha que ser no dia do jogo do Brasil. No mesmo horário.

— Olha aqui, Guilherme — Danilo, o noivo, retrucou. — Foram eles que marcaram depois. Meu casamento tava marcado desde antes do sorteio dos grupos da Copa.

— Você tá se achando muito importante, né? Tá achando que a FIFA tá de marcação com você.

— Oh, Guilherme, você é o padrinho. Você não pode ficar me colocando mais nervoso do que eu já tô.

— Será que não dá pra adiar pra mais tarde, Danilo? — Guilherme perguntou quando mais um convidado entrou.

— Adiar? A Rafaela me mata. Já segurei esse namoro por cinco anos. Se eu disser pra ela que o casamento vai ser adiado… Ih! Eu nem sei se eu vou viver pra contar o que vai acontecer. E, também, a viagem pro sul de Minas já tá marcado pra hoje à tarde.

— Só sei que eu tô morrendo de vontade de assistir ao jogo. Brasil e Holanda… — Com pesar. —
Nem sei quando será a próxima vez…

A noiva não tinha chegado quando o relógio da igreja deu onze badaladas.

Começa o jogo.

Os convidados ligaram os celulares com os fones nas orelhas. Tinha só uns vinte convidados. Os mais íntimos.

O padre holandês estava morrendo de tanta ansiedade.

— Cadê a sua noiva?

Aquele momento de tensão. O jogo já tinha começado e a Rafaela tinha sumido.

Era pouco mais de onze horas quando os convidados gritaram gol.

— Gooool! Foi o Robinho.

Na verdade, foram duas vezes. Mas uma foi anulada.

O padre chamou o coroinha. Ele não apareceu. O sacristão? Também não estava ali. Foi o próprio padre que entrou na sacristia e ligou o rádio no circuito de som da igreja.

— O que é isso, padre?

— Só enquanto a noiva não chega.

A noiva chegou quando estava no meio do primeiro tempo. O padre diminuiu o volume. Nem os convidados, nem os padrinhos queriam perder o jogo. Mas tinha que haver o casamento. E tinha que ser hoje.

O padre falou mais uma meia dúzia de palavras. Perguntou pra cada um se eles aceitavam o outro de livre e espontânea vontade e blábláblá.

Tinha um fotógrafo que ficou responsável pelo casamento, mas nem prestava atenção em nada.
Seu fone estava conectado no Galvão Bueno.

— Coloquem as alianças e pode beijar a noiva.

Segundo tempo do jogo.

As fotos com os padrinhos, os irmãos dos noivos, os pais dos noivos… O padre tava num cantinho da igreja com os ouvidos colados num radinho.

Ele gritou gol sozinho quando a Holanda marcou o primeiro. E depois o segundo.

Ninguém mais queria saber do padre.

Todo mundo jogou uma mãozada de arroz num desânimo danado quando o Brasil já tinha sido eliminado. Os convidados deram uns parabéns desanimados e os noivos entraram no carro. O motorista tinha sumido. Danilo foi dirigindo, mesmo.

— Pra completar — Guilherme disse quando os noivos já tinha ido, — nem vai ter festa.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Brasil inteiro tá aqui dentro!

A turma da faculdade está reunida na casa do Cláudio para assistirem ao jogo Brasil e Portugal. Todo mundo naquele clima de farra, cerveja à vontade… Uma festa completa numa sexta-feira às 10h30min da manhã.

Raquel está no banheiro arrumando o cabelo quando a chapinha para de funcionar e a lâmpada apaga.

— Gente! Pode parar de brincadeira. Eu só arrumei metade do meu cabelo — ela grita enquanto entra na sala.

Rafael é quem aparece para responder.


— Você acha que eu tenho cara de quem faz esse tipo de brincadeira? Eu tenho mais o que fazer.


— Você quer mesmo que eu responda, Rafael?

— Tá certo! Eu tenho cara disso, mesmo, mas não fui eu, Raquel. A energia caiu.

— Como é que eu vou arrumar meu cabelo? O Kaká vai me ver toda feia.

— O Kaká nem vai jogar hoje, Raquel — Cláudio grita de um lado. — Mas o que nos interessa agora é aonde a gente vai assistir ao jogo. A gente precisa de um barzinho, uma padaria, qualquer muquifo que tiver uma televisão ligada no jogo.

Subiram no carro do Fred. Ele foi eleito o motorista porque era o único que tinha bebido menos de dois copos de cerveja até agora. Mesmo assim, não acreditavam que encontrariam com uma blitz durante o jogo do Brasil.

Fred e Cláudio na frente. Raquel, Rafael, Fabrício, Verinha, Breno e Felipe atrás. Isso mesmo! Seis pessoas no banco de trás.

— Aonde tem um boteco por aqui, Cláudio? — Fred perguntou. — Eu não conheço esse bairro.

— Eu acho que tem um à esquerda — grita Verinha que está sentado no colo do Fabrício.

— Mas à esquerda é contramão — grita Breno que está sentado no colo do Felipe.

— À esquerda não tem bar! — grita Rafael que está segurando Raquel. — É pra direita.

— Anda logo — grita Felipe, — que o Breno tá pesado.

Começam a discutir e rola aquela coisa de “Pesado é a sua avô”, “Ninguém tem paciência comigo” e toda a sorte de frases feitas.

— Gente! Tem um bar ali na frente!

Os que estão no banco de trás saem do carro e vão correndo para o bar. Raquel está com metade do cabelo liso e a outra metade crespo; Felipe está um pouco esmagado por causa do peso do Breno; os outros correm desesperadamente em busca do melhor lugar perto da televisão de 21’ polegadas daquele barzinho de esquina.

Zero a zero.

— Nossa! — Cláudio disse depois que o jogo terminou e já estavam voltando para o carro. — Se eu soubesse do resultado, a gente podia ter ficado lá em casa tomando umas. Pelo menos a cerveja era de graça.

— É, mas se você soubesse o resultado não teria graça — Rafael disse.

— Não tinha o Kaká, mas tinha o Cristiano Ronaldo. Ai, meu Deus! Ele me viu toda descabelada.

— Ih, gente! — foi Fred quem disse. — Pelo menos teve uma coisa boa. Rolou o maior climão entre a Verinha e o Fabrício. Então, você gostou do colo do Fabrício, Verinha?

Todos riram.

— Ih! Se for assim — Verinha retrucou, — rolou o maior clima entre o Breno e o Felipe também.

Todos riram mais ainda.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Viva o lado Copa do Mundo da vida!


Assim como as eleições e o aniversário de quem nasceu no dia 29 de fevereiro, a Copa do Mundo acontece de quatro em quatro anos. E eu nem preciso especificar que Copa é essa. Essas três palavras juntas já lembram muita coisa: futebol, festa, taça e pentacampeonato.


Eu costumo dizer que a Copa do Mundo é como o Natal. No mês de dezembro, tudo fica vermelho e branco, as pessoas ficam felizes e (quase) todos vivem o espírito natalino. E na Copa do Mundo não é diferente: as pessoas também enfeitam suas casas (fazem questão de mostrar pra que time torcem) e vivem as emoções de um torneio tão importante.

Não sei em outros países, mas no Brasil o negócio é sério.

O país do futebol é invadido por bandeirinhas, camisas, chapéus e, atualmente, vuvuzelas verdes e amarelas. Todos ficam empolgados e não é possível não se interessar pela Copa do Mundo.

É o assunto mais comentado na televisão, primeira página de jornais e revistas, manchetes enormes na Internet. É uma oportunidade de deixarmos o mundo entrar nas nossas casas e conhecê-lo todo num só canal.

Até mesmo quem não gosta de futebol se interessa pela Copa. Nem que seja pelo país do ex-namorado, ou pelas estatísticas da tabela, ou pela cultura do país sede. Nunca teremos a oportunidade de aprendermos tanto de uma forma tão rápida e divertida sobre a cultura e o povo de cada país. Não será nos livros de História que iríamos aprender que no Brasil só existem 29 norte-coreanos e que o México é o país que mais perdeu numa Copa do Mundo.

Mas, se nem Jesus agradou a todos, que diremos nós, reles mortais. Eu sei que existem (e eu conheço) pessoas que não gostam de Copa do Mundo. Eles acham bobeira, mais uma desculpa pra gastar dinheiro, uma grande perda de tempo… Infelizmente, eu só tenho uma coisa pra falar pra essas pessoas: a Copa do Mundo vai continuar existindo.

Então, se não podemos (e não queremos) fazer nada para mudar isso, vamos aproveitar essa festa. Vamos aproveitar a confraternização com o mundo. A Copa do Mundo é uma ótima oportunidade para um acordo de Paz.

A Copa do Mundo vai acontecer daqui a quatro anos e não precisamos ficar desanimados e pensar que precisamos aguentar isso enquanto vivemos. É melhor pintar a cara das cores da bandeira, soprar uma vuvuzela até a garganta doer e comemorar junto com 190 milhões de pessoas mais um gol do Brasil.

A propósito, esse nome me lembra muita coisa. A Copa de 2014 fica cada dia mais perto. Que tal nos acostumarmos com a Copa para que na próxima sejamos os melhores anfitriões do mundo? Isso, mesmo!

Todo mundo conhece aquele senhor chato que odeia festa, mas um dia resolvem fazer uma festa surpresa na casa dele. Pois é! A próxima festa é no Brasil, então é melhor tirar essas rugas da testa e ser feliz. Ninguém quer que um gringo vá embora pra casa dizendo que os brasileiros são mal- humorados e mal-educados!


Fica a dica! Viva o lado Copa do Mundo da vida.


E como qualquer festa tem sempre aquele mico, acompanhe a série Copa do Mundo no "Atrás do Horizonte" em todos os dias de jogos do Brasil. Para ver os textos de Vidas em Copa, clique aqui.

domingo, 20 de junho de 2010

O bolão no hospital


O grande dia chegou. Era a hora da Seleção Brasileira enfrentar os africanos da Costa do Marfim. Os médicos de plantão e os funcionários do hospital estavam reunidos na frente da televisão de 52’ que fica na recepção.


E apita o árbitro.

A bola rola e os funcionários do hospital vão a loucura. Todo mundo ansioso para o resultado do bolão.

— É isso aí! Não tem pra ninguém! — um faxineiro gritava.

— O que é isso — gritou o anestesista. — O bolão já é meu.

A ambulância aparece com sua sirene aguda, estrondando o hospital. O motorista entra na recepção.

— Você sabia que é proibido fazer isso? — a recepcionista gritou para o motorista. — Você não pode ligar a sirene só porque está com pressa pra assistir um jogo. Que feio!

Todos riem.

— Não era à toa. Tem uma grávida dentro da ambulância.

Os médicos ficam alvoroçados.

— Não dá pra esperar? — pergunta o obstetra.

— O bebê já tá saindo! Daqui a pouco ele nasce dentro da ambulância.

Um monte de gente sai. A grávida grita com as dores das contrações.

— Me ajuda! — ela gritava. — Me ajuda! Meu filho vai nascer.

— Nossa! Mas que hora pra entrar em trabalho de parto — grita o anestesista. — Não dá pra esperar até o Show do Intervalo?

A mulher fica sentada na maca e agarra o colarinho do anestesista.

— Meu filho já tá saindo! Daqui a pouco vai dar pra ver a cabeça do menino.

— Ah! Ainda bem — disse o anestesista. — Já que é parto normal, eu não preciso trabalhar. — Vira-se pra televisão. — Vamo lá, Brasil! Tô esperando o 2 a zero.

Continua a balbúrdia na recepção.

— Ah! Meu filho tá nascendo! Me ajuda.

— Tudo bem — diz o obstetra. — Vamos fazer o parto. Onde está seu acompanhante?

— É o pai da criança — a mulher disse. — Ele está aqui… Ué, cadê meu marido? RICARDO!
Ricardo tá roendo as unhas, olhando pra tela da televisão enquanto aposta no bolão do hospital.

— RICARDO! SEU FILHO TÁ NASCENDO, SEU IDIOTA!

Ele vai correndo para o lado da maca:

— Calma, querida! Eu tô aqui.

— O menino tá chutando!

— Vai ser jogador! — o pai grita, rindo.

— Para de piada.

— Só falei pra descontrair! Calma, querida.

— Calma é o caramba. Tá doendo.

O médico e seus assistentes se preparam. A mulher, o marido e a equipe estão preparados para o parto. Em seus lugares.

— Doutor — o marido pergunta, — será que não dá pra trazer uma televisãozinha aqui pr’o quarto?

O médico olha fundo nos olhos dele.

— Traz a televisão.

Conseguem assistir ao primeiro gol. Show do intervalo. A mulher ainda grita com as contrações.

Segundo tempo. E a Costa do Marfim vem pra cima.

— Vai, vai! — Ricardo gritava.

— É o máximo que eu posso — a mulher grita com muito esforço. Está roxa de tanta dor.

— Eu tô falando é com o Luís Fabiano.

Dois a zero. O anestesista grita.

Três a zero. Costa do Marfim marca um gol e Ricardo comemora.

— Comemorando o gol do adversário?

— O bolão! O bolão!

A mulher grita, grita e grita com mais força quando Kaká é expulso. O menino nasce com um choro.

— Tá chorando de alegria, meu filhão! Três a um. O papai ganhou o bolão, meu filho.

Agora, o anestesista fica reclamando:

— O bolão tinha que ser só pra funcionários do hospital.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mas que merda!

O primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo 2010: Brasil e Coreia do Norte. Os dois amigos voltavam da fazenda. Pois é. Tinham estado isolados do mundo desde o último sábado e resolveram voltar à civilização para torcerem pela seleção canarinho.

Neto, 30 anos, cabelos pretos, olhos castanhos. Felipe, 29 anos, loiro, olhos azuis.

Neto dirigia o carro, enquanto Felipe procurava um CD no porta-luvas do Ford 1983.

— Meu Deus do Céu! Você precisa dar uma renovada nesse seu repertório, Neto! Só tem lixo aqui. Tem umas bandas aqui que eu nem sabia que tinha CD. Eu achava fitas cassete muito modernas para elas.

— Larga de ser mané.


Ainda faltavam uns bons 20 quilômetros para a cidade e 
uns 40 minutos para o início do jogo. O carro pifou.


— O que é isso?

— Ah, esse carro é doido, mesmo! Às vezes, ele dá uma engasgada, Felipe. Desce lá e vê o que é.

— Eu não sou mecânico. Vai lá você que é o dono do carro.

Os dois descem. Do capô do carro sai uma fumaça e o cheiro não é muito agradável.

— Mas que merda! Esse cheiro não é bom sinal. O carro vai explodir!

— Por enquanto, o carro não é prioridade, Neto. O jogo do Brasil é daqui a pouco.

— Como assim o futebol é mais importante que o meu carro?

— Neto, a Copa do Mundo é só de quatro em quatro anos. A gente só tem poucas oportunidades de ver o Brasil ganhando por goleada. Então, nós temos que aproveitar o momento, entende?

— Não entendo. O meu carro é muito mais importante. Juntei dinheiro durante um tempão. E só na formatura que eu consegui comprar um antigão desse.

— Tá certo. Mas, então, pense que o jogo é daqui meia hora. A gente assiste ao jogo, noventa minutos, tudo direitinho, e volta. Seu carro vai estar aqui.

— E como é que a gente vai chegar na cidade!

Felipe chuta a poeira.

— Mas que merda! É por isso que eu disse que o jogo é mais importante.

Felipe senta na poeira e olha para o tempo. Neto senta-se ao seu lado.

— Já sei! Neto, você tenta chegar lá na rodovia e volta quando arranjar carona.

— Por que eu? Vá você.

— Eu tenho que vigiar o carro.

— Eu posso muito bem fazer isso, também. — Silêncio. — Tenho uma ideia melhor: vamos nós dois.

O carro é trancado e os dois saem correndo pela estrada de terra. A poeira começa a subir. Faltavam apenas 20 minutos para o início do jogo. Os dois começavam a ficar desesperados. Não precisavam dizer nada um para o outro. O silêncio valia mais. Os segundos iam passando e a estreia do Brasil estava se aproximando a passos largos.

— Mas que merda! — Felipe para de correr. — Eu tô pensando aqui: quem vai ser o idiota que vai tá passando na rodovia na hora do jogo do Brasil.

— Talvez dois idiotas feito a gente — Neto gritou sem parar de correr.

Continuaram a correr. O carro estragado já estava longe da vista dos dois.

— Mas que merda! — Neto foi quem parou de correr dessa vez!

— O que foi?

— Se a gente pegar carona não vai dar pra eu passar em casa! Como é que o Brasil vai ganhar o jogo sem eu tá usando a minha cueca da sorte.

— Eu não acredito que você tem uma cueca da sorte.

— Tenho, uai! Como é que você achou que o Brasil ganhou a Copa de 94 e a de 2002. Foi a minha cueca que fez o Baggio errar aquele pênauti em 94.

— Ah! Mas agora eu já sei o porquê do Brasil ter perdido em 98 e em 2006. Se não fosse a sua cueca a gente já seria hexa ou heptacampeão.

Continuaram discutindo.

Um carro passou ao longe.

Correram. A garganta já estava seca, o pulmão já estava sem ar quando alcançaram o fusquinha de uma senhora de uns 60 anos.

— PISA FUNDO, VOVÓ.

Não conseguiram esperar mais. Entraram no primeiro barzinho à esquerda da estrada.

Goleada.

— Viu? O Brasil só ganhou porque você não tava usando sua cueca.

— Todo regra tem sua exceção.

Saíram sorrindo.

— Peraí, Neto. Você tem sua cueca desde 94?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Uma Palavra-Chave (Capítulo 1)

Queria ser jogador de futebol. Gostava de me imaginar um profissional enquanto jogava no campinho do bairro.

Queria treinar no clube da cidade; toda tarde, reunir com os garotos da minha idade e escutar as ordens do técnico naquele precário vestiário.

Um dia, alguém reconheceria meu talento e me convidaria para um clube de respeito no estado e eu seria o artilheiro do Campeonato Sub-17.

Ficaria famoso e logo seria capitão de um time da Série A do Brasileirão. Levantaria a taça já pensando na Libertadores no ano seguinte.

Um time europeu me contrataria por dezenas de milhões e eu ficaria famoso no mundo inteiro, principalmente depois de fazer o gol decisivo da Final da Copa do Mundo, com Brasil e França.

Depois de ter ficado rico, tido três filhos com duas das mais famosas top models do mundo e construído uma mansão em Florença, voltaria para o Brasil.

Talvez eu ainda terminasse minha carreira no clube que eu comecei, ou, quem sabe, me aposentaria com 35 anos.

Uma palavra-chave: QUERIA.

Talvez eu fosse mesmo esse cara aí em cima se minha namorada não tivesse engravidado, meu sogro não tivesse me obrigado a casar com ela quando eu tinha 17 anos, meu pai não me fizesse trabalhar na lavoura e, quinze anos depois do casamento, eu não pesasse 102 quilos. E não é de músculos.

Eu queria…

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

100 palavras para se lembrar de 2009

Barack Obama

Terremotos

Dado Dolabella

Twitter

Gripe Suína

Michael Jackson

Lua Nova

César Cielo

Honduras

Caminho das Índias

Faustão

Enchentes

Susan Boyle

África do Sul

Marcelo Adnet

Lady Gaga

A fazenda

Toma lá dá cá

ENEM

França

No limite

Clodovil Hernandes

O símbolo perdido

Copenhague

Luís Inácio Lula da Silva

Avatar

Daiane dos Santos

Lady Kate

Taylor Lautner

Viver a vida

Amanhecer

Dilma Roussef

Furacões

Som e fúria

Stephenie Meyer

Jesus Luz

Furo MTV

Lombardi

Decamerão

Geisy Arruda

Quem quer ser um milionário?

Madonna

Panetone

Mara Manzan

EMI

Procura-se um príncipe

Juliana Paes

CQC

Hannah Montana

Apagão

Flamengo

Are baba!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Uma década singular

Há dez anos muitos pensavam que o mundo terminaria na virada do século e eu não tinha nem noção do que era o mundo — na verdade, até hoje eu não tenho. Mas, quem diria, já completamos uma década do terceiro milênio com mais uma ideia de que o mundo vai acabar. Quem sabe…

E o ano termina, e com ele termina nossas frustrações do ano que passou, nossas desavenças com os nossos amigos. Parece que tudo volta ao normal. E outro começa logo no dia seguinte; e junto vem a promessa de mudanças, sempre mudanças: vou emagrecer, vou entrar numa academia, vou estudar mais, vou acabar com os meus vícios… Mas, pense: não é a primeira vez que pensamos que tudo ia mudar.

O ano de 2010 não marca apenas mais um ano, mas uma nova década e aí, esperamos mudanças muito maiores: vou mudar para minha casa própria, vou abrir meu próprio negócio, vou terminar minha faculdade… Ótimo, só na teoria, mas na prática, o dia 31 de dezembro e o dia 1 de janeiro são idênticos.

Essa última década — como todos falam de todas as décadas —, foi um período de transição. Da completa ignorância dos anos 1990 para a realidade na nossa cara nos anos 2010: a Internet não era a principal forma de comunicação, poucos tinham a ideia de que o mundo poderia mesmo acabar por causa da ação do homem, ninguém tinha noção da crueldade a qual o ser humano foi capaz de chegar…

A década do Lula, o ataque ao Wall Trade Center, a guerra no Iraque, tsunami no Oriente Médio, rajadas de vento no sul do Brasil, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos… Uma década que nunca mais vamos esquecer.

Se for para sonhar alto, então, que sonhemos: vamos fazer a nossa parte, vamos procurar os de coração bom e trazer para perto de nós e vamos agir para mudar o mundo. Se não for possível mudar o Mundo, o Planeta, que mude o seu mundo. Sim, vamos sonhar com nossa casa própria, com nosso carro, com nosso negócio. Vamos sonhar com um mundo melhor para todos que ainda virão.

E vamos parar de reclamar de braços cruzados. Sentados no sofá, indignados, mas calados, diante dos absurdos que acontecem no nosso país. É como se, às vezes, fechássemos os olhos e deixasse tudo como está. Talvez não seja coincidência que as eleições serão no primeiro ano da década. É um aviso de que chegou a hora de agir.

E vamos rir mais. Rir faz bem pra saúde, faz bem pra pele, faz bem pro coração e pra alma, e na próxima década vamos ter muitos motivos para sorrir: a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, de onde esperamos o hexa; a Copa do Mundo de 2014, no Brasil; o avanço nas pesquisas do pré-sal; as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016; mais uma década de vida, que já é o maior motivo para sorrirmos.

Vamos acordar para a realidade que está na nossa frente e vamos fazer com que a nova década não seja uma década de transição e, sim, uma década de realização.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Chegou o verão, isso é pura sedução!


"Como eu gosto do verão
Do mar azul e do calor
Como eu gosto do verão
Do sol da praia e muito amor
Como eu gosto do verão
Passar as férias em alegria
Como eu gosto do verão
E dançar na romaria"
(Verão Amigo, Nuno Miguel)

Hoje é o primeiro dia do tão esperado verão. As pessoas vão às academias e malham até a panturrilha ficar dura para exibi-la depois; as pessoas param de comer chocolate desde julho só para conseguirem manter a forma; fazem bronzeamento artificial para não parecer uma barata descascada quando vai à praia; e quase todas as viagens feitas por pessoas do interior são para a praia.

O verão é o momento em que um monte de gente fica com o mínimo de roupa possível e se aglomeram num lugar tão grande, mas que, com tanta gente, fica parecendo um ônibus às seis da tarde.

Você ouve muito falando sobre a moda do verão: o maiô desse jeito, o biquíni daquele, a sunga daquele modelo, aquele decote, aquela blusa… Isso só pra quem mora à beira-mar, mas, aqui no interior, onde o clima é mais quente que trailer de hot-dog e não tem praia, a gente continua a andar com as mesmas roupas de sempre.

A segunda estação de algumas cidades brasileiras — que só tem verão e inferno — é a hora de aproveitar o momento das férias escolares. É a hora de acordar mais tarde, não se preocupar com dever de casa, ficar na Internet até o computador pifar, e viajar.

É interessante como todo mundo do interior quer ir para a praia, e todo mundo do litoral quer ir para as montanhas. É possível que eu saia da minha casa e vá passar as férias em Vila Velha — que é um dos principais destinos litorâneos dos habitantes da minha cidade — e encontrar aquela vizinha chata que tem um gato idiota e gosta de furar a bola de futebol dos meninos que a deixam cair no seu quintal; ou aquele vizinho barrigudo que adora ir a qualquer churrasco na sua casa e enche a cara; ou qualquer outra pessoa que você desejaria nunca ter conhecido.

É um momento em que podemos aproveitar uma paixão de verão, porque não se pode ter uma paixão de verão no inverno. Não se pode esquecer o tão sofrido horário de verão, que começou em outubro e termina daqui uns dois meses ainda. E o maior dia do ano. Exatamente, o dia 21 de dezembro é o maior dia do ano. Mas ele já está acabando. Também é hora das férias de verão, as festas de verão, é hora de tomar sorvete, é hora de ir ao clube, é hora de mostrar o resultado da sua malhação. É hora de jogar vôlei de praia ou fazer qualquer coisa que se queira fazer.

O verão chegou e não se fala em outra coisa em qualquer lugar. O sol está sobre nossas cabeças aquecendo os nossos dias. Ai, que lindo!

É, mas isso não é a realidade do Triângulo Mineiro. Hoje, a estreia do verão, caiu um toró — que é o que chamamos de chuva violenta e repentina — e me deixou preso a uma livraria. Mas tudo bem. O Natal está aí e, como diz o Chaves, devemos amar nossos inimigos.

P.S. Como diz Pedro Bial: não deixem de usar o Filtro Solar.

sábado, 3 de outubro de 2009

Live your passion


Não sei se isso é explicado cientificamente, mas é muito interessante o quanto ficamos emocionados com uma vitória brasileira.

É mais comum uma vitória esportiva ser presenciada pelos brasileiros, por isso a televisão nos puxa para nos grudar diante dela para assistir nossos heróis.

Nós somos o único país a conquistar o pentacampeonato do mais importante acontecimento futebolístico do Mundo — ganhar uma vez é boa, cinco é melhor ainda.

Ainda tem os grandes que fizeram o seu nome: Ayrton Senna (F1), Felipe Massa (F1), Rubens Barricello (F1), César Cielo (natação), Daiane dos Santos (ginástica olímpica), Guga (tênis), Marta (futebol), e mais um punhado de gente que nos faz vibrar.

Liga Mundial de Vôlei, Copa do Mundo de Futebol, Campeonato Mundial de Esportes no gelo, até Campeonato de aviõezinhos de papel tem brasileiro no meio.

Ontem, dia 02 de outubro de 2009, é um dia para ficar na lembrança. Em Copenhague, na Dinamarca, o nome da cidade maravilhosa foi anunciado e, no resto do mundo, quem tem o sangue das cores da bandeira pulou de emoção.

“Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”

Em 2016, os olhos do mundo vão estar virados para o Rio de Janeiro, para a cidade que fará que todos VIVAM SUA PAIXÃO.