segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Carta Aberta aos meus amigos dos Correios

Se eu mandar uma carta pela internet, eu tô quebrando o monopólio postal?

Oi, gente! A minha ideia inicial era fazer um vídeo narrando tudo que está escrito abaixo, para que eu pudesse olhar dentro dos olhos de cada um, e para que vocês pudessem perceber, dentro dos meus olhos, coisas que não são transmitidas por palavras. Mas, por alguns motivos, decidi escrever essa carta que é destinada a cada um e a todos vocês (ou qualquer outro que queira ler). Depois de passarem quase um mês e meio com minha agradável companhia, vocês perceberam que eu adoro contar histórias; não podia começar essa carta de um jeito diferente.

Lembram-se do dia 11 de setembro, quando nosso primeiro instrutor pediu que fôssemos à frente de toda a turma e nos apresentássemos? Pois bem! Eu disse meu nome, minha idade, um monte de inutilidades (não me lembro dessas inutilidades por estar hipnotizado por algumas belezas; e vocês sabem às quais eu me refiro) e minha paixão: eu cursava — e ainda curso — História. Eu disse olhando pra Marjorye, que a faculdade era o maior investimento da minha vida. Mesmo assim, eu estava largando mão de todo o meu tempo livre que eu gastava com estudos para trabalhar nos Correios. Percebam: eu sou uma pessoa completamente contraditória (Reinaldo e Sarah sabem disso mais do que todos).

Vim embora para Passárgada para Uberlândia e adorei o meu primeiro dia de trabalho. Mudei-me para Prata (não vou falar sobre a cidade para que ninguém me processe) e adorei o segundo dia de trabalho; e o terceiro, o quarto, o quinto... Lembram-se de quando eu dizia que morria de medo de chegar numa agência onde todos fossem metidos ou velhos retraídos? Então! A agência de Prata estava longe de ser isso. Diverti-me muito com a família Correios que vivia ali dentro (foi assim que eles se denominaram quando eu cheguei lá numa terça-feira quente; muito quente). Eu me senti em casa! A hora mais feliz do meu dia era quando eu estava no guichê, atendendo os clientes, oferecendo AR e vendendo Telesena (eu queria dar um beijo na careca do Edir Macêdo para agradecê-lo sobre todas as técnicas que ele ensinou; ele é lindo demais! até meus relacionamentos mudaram depois daquelas aulas de venda.).

E foi assim! Correios de dia, universidade à noite, estudos no final de semana e quase nenhum tempo livre (apesar disso, consegui um tempo pra ir ao show da Banda Uó! Marcos, viu a calça vermelha?). Minhas forças terminavam... os 10% de energia que o Jairão sempre me disse que era possível encontrar dentro de mim estavam acabando. Eu sabia que eu não ia conseguir: não era falta de fé em mim mesmo; era a minha saúde física e psíquica que estava em jogo (adoro fazer um drama!). É sério! Eu tive uma crise de ansiedade no meu quarto na casa do meu tio. A partir daí, comecei a pensar em algumas coisas.


“O que mais surpreende é o homem, 
pois perde a saúde para juntar 
dinheiro, depois perde o dinheiro 
para recuperar a saúde. 
Vive pensando ansiosamente no futuro, 
de tal forma que acaba por 
não viver nem o presente, 
nem o futuro. Vive como se 
nunca fosse morrer e 
morre como se nunca tivesse vivido.”
Dalai Lama

Dentro do meu quarto no Normandy, tive altas conversas com o Reinaldo sobre sonhos; dentro do ônibus dos Irmãos Lessa, eu conversei sobre planos com o Ronan (provavelmente você não se lembra); o Jairão me deu altos conselhos; e conversei sobre a carreira do Lincoln. Vocês me ajudaram a permanecer em BH durante o treinamento e, junto de vocês, tudo fazia sentido: o otimismo da Patrícia, a despreocupação da Natália (casar pra que, seu Nacib?) e da Mara, o sono da Brenda, a dedicação da Marcélia e da Michele, a beleza do César, a força da Grace, a ar responsável dos Rafaéis, os sorrisos das Maíras e a coragem do Gustavo e do Edmilson. Aqui, no mundo real, os fatos não se organizavam mais.

E o que eu tinha dito no início do treinamento? Eu amo o curso que eu faço! Foi só pensar em me tirarem isso, por um minuto, para eu perceber que isso aqui na UFU é minha vida. O mundo não sente nenhum pouco de pena de cortar nossas asas, destruir nossos sonhos e nos engaiolar numa jaula cinzenta. Eu tinha essa chance de realizar os meus sonhos e viver num mundo arco-íris (gay!), mas eu ainda insistia em seguir o caminho errado. O que eu estava fazendo, meu Deus?

Na semana passada, eu desisti dos Correios! Não sinto nenhuma culpa por isso, porque eu estou perseguindo o que eu sempre sonhei. Eu não preciso ter um salário bom; eu só quero realizar os meus sonhos (quem sabe eu possa pagar uma viagem pra Disney em 36x). Pessoas morrem todos os dias e eu não quero acabar minha vida enjaulado numa vida medíocre, que não me dá prazer, que não me satisfaz, que não me tesão, porra! Jairão, eu disse que eu não conseguia ser sério! Eu quero ser professor, artista, poeta; e não contar moedas de cinco centavos diariamente.

A frase do Dalai Lama foi uma das minhas inspirações, mas eu recebi o apoio dos meus pais, professores, familiares e amigos. Estou me sentindo a melhor pessoa do mundo. Eu estava tentando me convencer de que eu estava feliz; mas eu não sabia o que era a felicidade: agora eu sei, pelo menos um pouquinho, o que é isso. Eu vou tatuar a imagem acima (a da gaiola e dos passarinhos) na minha panturrilha definida e peluda para marcar esse momento, para que eu não me coloque novamente dentro de uma gaiola sem graça, sem vida. Minha mãe ainda não sabe da tatuagem, mas não precisa ficar sabendo. Mãe, essa carta não é pra senhora! Para de ler!

Eu quero encontrar com vocês e mostrar o tamanho do meu sorriso, o tamanho da minha satisfação; mostrar o quanto eu estou realizado. Não quero servir de exemplo, mas pensem: não se esqueçam dos seus sonhos. Eu tenho consciência do tamanho minúsculo da minha vida; e não quero que ela passe e eu perceba que tudo que eu fiz foi em vão. 

Beijo na boca,
É nóis que voa, bruxão.

Lucas Reis

7 comentários:

Maíra Alves disse...

Maíra Alves Acho digno Lucas Reis, parabéns pela sua escolha. Você está certíssimo, faça o que o seu coração mandar. Sinceramente também não estou passando pela fase mais feliz da minha vida, mas ainda vou aguentar até o ano acabar e ver o que eu decido. Mas acredito que você é uma pessoas corajosa pois sei que muita gente deve ter falado, "você é louco, largar os Correios", mas o que importa é o que você quer. O dinheiro vai embora, mas o seu conhecimento e sua paixão ficam para sempre com você. Um beijão querido e muitas felicidades sempre!

Jota disse...

Lucas, eu já admirava você. Agora mais ainda, acredite.

Fazer uma escolha dessas não é fácil. Você passa por cima de criticas que não gostaria de ouvir, ainda mais quando os pais são completamente envolvidos pela filosofia de que ter dinheiro é o mais importante.

Que você consiga se realizar dentro da sua profissão e mudando o mundo a partir dela (manda a ver super homem da história kkkkkkkkkkkkk).

Sucesso amigo, Deus te abençoe ^^

Anônimo disse...

Lucas te admiro pela coragem, e confesso que hoje pensei em fazer isso tbm, afinal "trabalhar nos correios pra quê seu Nacib?"
Mas,independente de onde ou como va em busca de sua felicidade porque vc merece alcançá-la plenamente!!! Abraço forte...É nóis!!!

Anônimo disse...

Lucas Reis...desde o primeiro dia em que te conhecei encantei-me com a autenticidade que vc transbordava...
Não só eu, mas acho que todos que tiveram a felicidade de conviver com vc!
Acredite nos teus sonhos e vá até o infinito se preciso for ( leve a contradição junto pq faz parte rsrs)!
Sei que vc vai muito longe pq tem grandeza de alma...Nunca esquecerei nossas conversas e sempre vou me lembrar de vc ao ouvir Roupa Nova ou Perigosa uauauaua!!
Se precisar pod contar comigo sempre...
Sou fão do pequeno príncipe sabe, e le diz " que todo deserto tem uma fonte.Basta ir caminhando , devagar, em direção a ele"
Você vai encontrar a sua fonte com certeza...e eu estarei sempre torcendo por vc
Espero encontrá-lo um dia e ouvir suas histórias que eu gosto tanto!
Abração

Gladiador disse...

Lucas uma escolha mto corajosa de sua parte. Antes de entrar nos correios eu tinha o sonho de começar um faculdade de ciencias da computação em tempo integral em viçosa. Obviamente como agora trabalho nos correios faculdade em tempo integral neim pensar. Desisti disso. Queria fazer ciencias da computação, mais, não é uma area q vai me fazer crescer dentro da empresa então baybay ciencias.
Eu falei isso tudo so pra chegar nessa parte na vida existem varias escolha neim boas neim ruins apenas escolhas. Não tem como ter tudo no mundo, agente sempre tem q abrir mao de algumas coisa pra conseguir outras.
Meus parabens pela sua escolha e mta força pra vencer eu sei q vc ja tem mta mais força quanto mais melhor.

Jairo disse...

Lucas vc é muito jovem e ainda vai passar por várias decisões dificeis mas sempre olhe pra dentro de vc e ouça o que diz seu coração, seu que estes tempos nos correios contribuiram muito para o seu crescimento, mas acima de tudo te peço uma coiza do fundo do coração, não aceite ninguém falar pra vc que não pode/consegue fazer algo, nos merecemos ser felizes e só vc sabe o que te realiza por mais que seja ridiculo para algums, sabe o quanto te respeito, vc é como que um filho pra min, gosto muito de vc, e desde o dia dos exames já sabia que vc não ficaria nos correios, só não quis te desencorajar para não carregar a culpa, lembre de quantas vezes eu te disse "Lucas olhe no espelho pela manhã e diga, (cara vc pode mais do que imagina)" e isto é verdade, seja muito feliz estou torcendo por vc, há a carta ficou perfeita, qq dia te ligo pra conversarmos tá, vamos há um rodizio qq dia ta bom, um abraço meu querido.
sds,... Jairão,. kkkkkkk

Maíra de Menezes disse...

Lucas, te entendo e é assim que me sinto também! Não quero contar moedas de 5 cinco centavos diariamente!! Duas pessoas que trabalham cmg disseram: "Vc não vai ficar no Correios muito tempo!" Cada um num dia diferente, assim como o Jairão percebeu isso em vc...

Existem trabalhos que apagam a nossa alma criativa e, por vezes, menosprezam a nossa capacidade de crescer! Mas embora anseie por isso, meu coração ainda não criou a coragem do seu, portanto, assim continuarei por enquanto. Mas o vôo livre não há de demorar e sei que meu bater de asas vai ser o mais intenso que me permitirem.

Sua carta me fez tirar, empoeiradinho ali na minha mini biblioteca, Manuel Bandeira "Vou-me embora pra Pasárgada" e na dedicatória da minha professora de Literatura do Ensino Médio que finaliza assim: "Feliz de você que se permitirá adentrar nesse mundo de sonho, fantasia, reflexão como escolha profissional. A ate é essencial."

Onde estará em mim a arte que esqueci? Onde quer ela esteja, vc me ajudou a lembrá-la. Obrigada por não me deixar esquecer, simplesmente... obrigada!

"(...)
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
[...]
Vou-me embora para Pasárgada."