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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eu não concordo


Dessa vez, eu não aguentei ficar calado.

Pela internet, eu acompanho a repercussão da morte de um menino de 18 anos, homossexual assumido, brutalmente assassinado em Inhuma, cidade do interior de Goiás. Um recado com a mensagem “vamos acabar com essa praga” foi encontrado na boca do rapaz e a polícia diz ser um POSSÍVEL caso de homofobia (http://migre.me/lApM7). Ao mesmo tempo, pela televisão, eu acompanhei as notícias sobre o incêndio criminoso no Centro de Tradições Gaúchas em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, motivado pela realização de um casamento comunitário que incluiria um casal lésbico na celebração (http://migre.me/lApMK). Muita indignação e comoção nas redes sociais. E com razão!

A homofobia no Brasil não é crime e os gays ainda são acusados de sensacionalismo. Os crimes homofóbicos são tratados como crimes comuns, enquanto o número de morte dos LGBT só aumenta (Quem a homotransfobia matou hoje? - http://homofobiamata.wordpress.com/). As estatísticas nos saltam aos olhos, ao mesmo tempo em que somos colocados como uma MINORIA de rebeldes promíscuos lutando contra a família.

Os anos de opressão, os casos de violência, os assassinatos: tudo isso mete medo, faz a gente engolir seco. E esse medo, que nos relega aos guetos e aos becos escuros, nos faz ficar em silêncio e compactuar com um monte de argumentos homofóbicos, como o “eles podem fazer o que quiser, mas não na minha frente”. Esse é o objetivo desse texto.

Restringir a vivência da minha sexualidade às quatro paredes do meu quarto é como se eu desse razão ao indivíduo que diz “meus filhos não estão preparados pra ver isso”. Eu sei que não é fácil, não é simples — a família, os amigos podem colocar uma infinidade de obstáculos (cada um sabe das suas condições) —, mas é extremamente importante ter consciência do valor de sair do armário. Não para darmos satisfações da nossa vida sexual ao público, mas no sentido de dizer: eu não concordo com você!

Pode parecer implicância, mas algumas simples ações se tornam atos políticos. Dar um beijo em público, caminhar de mãos dadas pelo shopping, marcar relacionamento sério no Facebook com um rapaz é um gesto carinhoso, mas também uma resposta aos meus colegas de escola que me trataram por “boiola” e “bicha” como se eu tivesse alguma doença; é uma resposta a um homem que me jogou uma lata pela janela do carro me chamando de “veadinho”; é uma resposta a um rapaz que, no ano passado, ameaçou me agredir depois de me dizer que eu não merecia respeito por ser gay. É dizer que, por mais que eles se sintam incomodados com a minha presença, eu continuarei vivendo a minha vida.

Ser gay apenas dentro de quatro paredes (do quarto ou das boates escuras) é dizer que, sim, seus filhos não estão preparados pra lidar com isso, vou continuar escondido nas sombras, e levar uma vida dupla, sendo o heterossexual que todos querem que eu seja. Viver uma vida dupla (assim como o Cláudio, personagem do José Mayer na novela “Império”) me transformaria num sujeito fragmentado. Não ter medo de expor a minha sexualidade é um ato significativo para mostrar que nós também devemos ter os mesmos direitos dos casais heterossexuais. É ser capaz de me posicionar de maneira MADURA e CONSCIENTE e poder combater cada um desses pequenos atos de homofobia (às vezes, em formato de piadas “inocentes”). É mostrar que não somos uma minoria qualquer que luta por privilégios, mas por cidadania.


Acho que esses pequenos atos de resistência, esses atos de “eu não concordo!”, são apenas o início do combate. É NÃO TER MEDO e escancarar a violência diária que sofremos. Combate à impunidade em favor da proteção à minha cidadania. E a minha vida. E a vida dos meus amigos, do meu namorado, dos meus conhecidos e dos desconhecidos. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Anjo da Guarda


Enquanto as crianças entravam no carro, a mulher sentada no banco do motorista alisava a sobrancelha olhando no retrovisor interno. Seu filho mais novo nossa, quando essas crianças cresceram tanto? sentou-se no banco da frente, depois de muito pedir à irmã mais velha; a menina, de uns 15 anos, sentou-se no banco de trás com o celular na mão.

Era início da tarde e os três pouco conversavam dentro do carro; a menina zapeava pelos aplicativos do seu celular e o menino estava entretido com as músicas no som do carro. A mãe dos meninos tentava acompanhar as letras ensurdecedoras com seu inglês que tinha aprendido num curso de conversação para funcionários da universidade.

Subiam pela Av. Brasil, perto do fim do bairro com o mesmo nome. O carro deles é um desses modelos novos do Fiat Uno, branco, discreto. Pararam num sinaleiro. Mais uma vez a mulher olhou no retrovisor para conferir a sobrancelha, a menina continuava no celular e o menino remexia nuns papéis em seu colo.

O sinal ainda estava vermelho quando um rapaz apareceu de supetão na janela do lado do passageiro. Meu Deus, a mãe estava tão distraída com o retrovisor que nem percebeu o susto que o filho levou com aquela aparição inusitada. Vamos ser assaltados!, talvez tenha sido seu pensamento.

O rapaz do lado de fora tinha uma mochila nas costas, óculos de armação escura, a respiração ofegante e o desespero estampado na cara. Ele vai levar meu celular!, a menina deve ter pensado. Mas o rapaz só queria falar com a motorista:

Moça ele chamou , moça!

A mulher continuava a cantarolar enquanto arrumava sua sobrancelha, alheia ao desespero dos seus filhos. Quando percebeu a presença ameaçadora na janela do seu carro, soltou um Ai, que susto, menino!

Moça, eu preciso de ajuda o rapaz foi logo cuspindo as palavras: Eu tô com duas meninas aqui comigo. E elas precisam fazer o vestibular ali na Universidade. No campus que fica logo ali em cima! Mas a gente desceu do ônibus no ponto errado e agora só faltam 15 minutos pro início da prova. Tá muito longe pra ir a pé. A gente tá desesperado! Eu preciso arranjar uma carona pra essas meninas...!

Meu Deus! Cadê elas, menino? Coloca elas dentro do carro que eu levo elas lá agora!

Ai, moça! Obrigado, obrigado, obrigado. O rapaz agradeceu.

Esse rapaz desesperado por uma ajuda era eu; as duas meninas atrasadas para o vestibular de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia eram minha irmã e minha prima. Tudo isso aconteceu no sábado passado numa correria que durou alguns minutos mas que, pela dor nas minhas costas no dia seguinte, pareceu durar horas em busca de uma alma caridosa que pudesse nos ajudar.

Quando eu encontrei esse carro parado no semáforo, eu não me lembrei de vergonha ou timidez e coloquei o “carão” lá dentro pra pedir ajuda. Assustei o menino que estava sentado no banco da frente, mas, quando a mulher mostrou-se solidária com a minha causa, eu só fiz agradecer.

Peguei minha irmã pelo braço e joguei no banco de trás ao lado da menina que mexia no celular; depois empurrei minha prima e espremi todo mundo até que coubessem todas dentro do carro. O sinal passou do vermelho para o verde e eu, da calçada, me despedi das meninas que já arrancavam os cabelos de ansiedade.

Quando eu contei o acontecido pra minha mãe, ela me disse que essa seria uma história para rirmos daqui uns meses. Nem foi preciso tanto: no final daquela tarde, nós já estávamos nos contorcendo de tanto rir de tudo que a gente tinha feito, de todas as pessoas que a gente tinha abordado antes de encontrar alguém solícito... E agradecemos a essa mulher que eu transformei em protagonista dessa história, mesmo sem saber seu nome, sua profissão ou se era mesmo mãe daqueles meninos, mas que foi o nosso anjo da guarda naquele dia. 

sábado, 23 de julho de 2011

Caçadores de Aventuras

[baseado em fatos reais]


— Que maravilha! Estamos perdidos.

— Me diga onde está a maravilha disso.

Tudo tinha começado quando decidiram fazer uma coisa que não faziam desde criança: caçar aventuras. Muitos anos atrás, eram dois garotos de 8 anos que gostavam de andar no meio do mato, inventando histórias e tesouros: os caçadores de aventuras.

Hoje, dois adolescentes crescidos resolveram relembrar os antigos tempos de criança, equipados de garrafinhas d’água, uma máquina fotográfica e uma bússola.

— Eu me lembro de ter passado por aqui antes. Tinha esses bambus jogados no chão.

— Isso ajuda muito.

— Nossa! Aonde tá o seu senso de humor?

— Perdi em algum lugar dessa mata!

Quando estamos perdidos, os primeiros minutos são engraçados. Nos minutos seguintes, percebemos a seriedade da situação. Depois, ficamos estressados com a nossa burrice e brigamos um com o outro. No fim, ficamos apavorados e qualquer inimizade fica esquecida.

Para a nossa dupla, só faltava o último estágio.

— Olha! Ali tem uma placa.

Correram para a placa escrita: “PASSAGEM PROIBIDA. ANIMAIS SELVAGENS”. E um desenho.

— Do que ‘cê tá rindo?

— De como vai ser engraçado contar essa história lá na escola.

— Ria para a morte, querido!

— Que coisa horrível de se pensar! Você não está vendo? São só veadinhos!

— Animais selvagens! Devem ser onças, cobras e... coisas horrorosas.

— Credo!

Um barulho num arbusto.

— AAAAAAAAAHHHHHH!

Os dois nem perceberam que estavam abraçados.

— EU QUERO MINHA MÃE!

— Só não faça xixi no meu pé.

O barulho no arbusto continuava. Mais rápido. Mais forte. Uma capivara sai de trás do mato.

— Viu? Capivaras também são selvagens!

Você também é um selvagem. — Pausa. — Peraí! A gente tem a bússola. — Tira a bússola do bolso. — Ela sempre aponta para o norte, né?

— Na verdade, eu não sei se essa aí aponta pro norte. Ela veio de brinde numa mochila que eu comprei.

— Não importa. A gente precisa encontrar o caminho de casa. Vamos pensar: o sol está se pondo naquele lado. O oeste, então. Pra lá é o leste. A gente saiu em que direção?

— Na direção do rio.

— Eu tô perguntando... Ah, não interessa. Deixa eu pensar! Eu acho que a gente saiu para o oeste. Então, se a gente seguir para o leste... a gente chega na chácara.

— Não sei se isso dá certo.

— Claro que dá.

Foram pelo leste. Ou pelo que eles achavam ser. Cinco minutos depois:

— Um milharal?

— A gente tem que passar no meio do milharal, senão a gente perde a direção.

— Não é isso. — Pausa para pensar. — Eu conheço esse milharal. E eu conheço aquele espantalho.

Uns passos para a esquerda e uma cerca... A chácara.

— E agora, do que ‘cê tá rindo?

— De como essa história vai ser ainda mais engraçada agora.

— Não. Você não vai contar essa história na escola mesmo.

— Claro que vou. Você urinando nas calças e pagando uma de Indiana Jones vão ser as atrações de segunda-feira.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Hoje em dia...

Já faz quase uma semana que o Felipe Eller, o Criativo Compulsivo, me deu a dica de escrever esse post. Só que eu tava meio tenso com uma prova, então... demorei um pouquinho.

E vai ser ótimo também: tô sem um pingo de criatividade e o blog não pode ficar com teias de aranha.

Então, o negócio funciona assim: eu escrevo sobre o que eu tô fazendo atualmente. Deu pra enteder? Se não deu, leia sem dá.

O que ando assistindo:

Todos que me conhecem sabem o quanto eu sou noveleiro. Eu gostava de seguir todas, mas aí as coisas foram mudando, mudando... até que o único horário bom pra assistir novela é às 9. Então, eu tô super ligado em "Insensato Coração". Só pra se ter uma noção, o dia do encontro do Léo com a Norma, eu quase morri. Quem não assiste a novela não sabe o que eu tô falando, mas... esquece!

E parece que o meu corpo dispara um alerta às 9: a novela tá começando! Corre!



Uma coisa que eu tinha muita curiosidade para assistir é "Glee". Primeiro, eu não tinha Fox em casa e, segundo, não tinha paciência - nem Internet rápida - pra baixar episódios. Mas agora... eu posso assistir toda quarta-feira. Depois da novela.

Eu sou apaixonado por musicais e adoro as performances dos atores. Pena que o programa termina às 11 da noite, porque senão eu ia ligar o som ali de fora e dançar loucamente. Chuta que é macumba!


Por influência do Felipe Eller eu também comecei a assistir ao "Misfits", um bando de delinquentes (tadinhos!) que ganham super poderes. Também tô amando "Divã" com a Lília Cabral, mas eu fiquei sabendo que só serão 8 episódios (TODOS CHORA!). E antes de "Divã" eu assisto "Tapas e Beijos": eu choro de rir.

Último filme que assisti e gostei bastante:

Eu tô morrendo de vontade de ir ao cinema, mas nenhum filme me interessa por esses dias. Então, eu fiquei muito tempo sem assistir alguma coisa.

Semana passada, eu tive que assistir "Gladiador" na faculdade.


Mesmo o filme tendo ganhado Oscar e tudo mais eu não esperava muito dele, não. É porque, mesmo eu fazendo História, eu nunca entendo filmes históricos; eu não gosto de filme com lutas; e também não queria assistir um filme que nem "300"! Aff!

Mas a história é muito bem explicada e as lutas são só um ingrediente. É um filme de vingança e eu nunca me empolguei tanto como eu me empolguei com o beijo e a morte no final do filme. Que lindo!

O que ando escutando:

Eu gosto muito de música brasileira, mas atualmente eu tô na minha fase internacional.

Tô gostando de ouvir Bruno Mars, mas principalmente Talking to the moon, que é tema de um casal de "Insensato Coração". Tá vendo? Eu sou noveleiro demais.

Eu também tô gostando tanto de um menininho de 13 anos! Eu nunca pensei que eu gostar dessas modinhas... Se bem que o Greyson Chance nem é tão modinha assim. Eu também já postei um vídeo dele soltando o vozeirão em Waiting Outside the Lines.

A última música que grudou na minha cabeça... Não, espere um pouco. Preciso dizer uma coisa antes: EU NÃO GOSTO DA LADY GAGA. Quero que isso fique bem claro.

Continuando...

A última música que grudou na minha cabeça foi "Born this Way". Mas eu DETESTO a interpretação da Lady Gaga. Eu gostei da letra da música. Só. Então, eu acho algum cover por aí, como foi o caso da Maria Aragon, que também já foi postado no blog. Essa semana, então, eu descobri uma nova dupla cantando essa música: Tyler Ward e Alex G. Não conheço nenhum dos dois, mas eu curti a voz deles. É uma gracinha! :]

Olha aí:


O que ando comendo:

Eu nunca tinha pensado realmente nisso. É claro que teve épocas que invoquei com aquele chocolate Talento, depois fiquei viciado em jujuba, mas... hoje em dia eu como principalmente a comida do bandejão lá da UFU. Nossa! É bom demais. E, por causa do RU (Restaurante Universitário) eu tô começando a comer frutas. Olha que beleza!

Mas nessa minha fase de saudades de casa eu também sempre tô comprando uma Nikito. Será que alguém conhece essa bolacha? Eu não comprava dessa bolacha nos supermercados da minha cidade... eu comprava no barzinho da escola. Dá uma saudade de quando eu comprava uma Nikito e só comia uma por causa de tantos amigos ao meu redor pedindo uma. A propósito, enquanto nos supermercados encontra-se Nikito de R$0,89, na minha escola era R$1,30. Assalto a mão desarmada!

O que ando lendo:

Eu acho que a última vez que eu li por minha livre e espontânea vontade foi em março. E isso me faz sofrer. ]:

Eu tô morrendo de vontade de ler alguma coisa gostosa, sabe? Comprar uns livros, mesmo que eu não tenha lido todos que eu tenho.

Mas duas semanas atrás, enquanto eu viajava, resolvi começar a reler "O Símbolo Perdido". Faz um ano e alguns meses que eu li esse livro, me lembro de tudo, mas... Ai, credo! Queria que o Dan Brown lançasse um livro por ano. Eu tô na página cinquenta desde então.


Eu também comecei a ler "Hamlet" do Shakespeare, mas parei na metade.

O que ando vestindo:

Eu acho que eu nunca me preocupei tanto com minhas roupas como eu tô fazendo. Arranjar uma combinação legal todos os dias pra ir pra faculdade não é fácil. Cansa a minha beleza. [Que horror!]

Agora falando sério: eu tô nas mesmas bermudas xadrez de sempre. Mas deixei o meu preconceito com calças jeans e estou adorando voltar a usar. Também tô gostando de comprar camisa de gola V. A minha irmã disse que combina comigo porque eu tenho o mesmo corpo do Fiuk. Como assim?


Olha aí a gola. Eu comecei discreto, né! Não queria usar aquelas golas que vão quase até no umbigo logo de cara. Nem nunca!

Ah, não achei nenhuma foto recente com as minhas roupas recentes que valha a pena.

O que ando pensando:

Esses dias eu concluí o quanto eu sempre estive preso no pensamento de passado e futuro.

Antes o passado me fazia sofrer e o futuro era promissor. Hoje, o passado me dá uma saudade boa e o futuro... Gente, eu nem lembro do futuro!

Eu acho que por isso eu estou tão feliz. Eu estou vivendo o presente. Olha que lindo! E é agora que eu tô tendo problemas reais. Tava cansado dos meus problemas imaginários.



Também cheguei a conclusão de que eu fui responsável demais na minha adolescência. Eu fui adulto na hora que eu podia errar à vontade. Agora, que eu preciso criar a minha independência, eu quero ser adolescente.

Mas eu nunca pensei que ser adolescente fosse tão divertido.

Em quem ando pensando:

Em uma pessoa que passa por mim todos os dias. Os nossos olhos se cruzam tão rápido. Eu me pego olhando pr'aquele rosto e aqueles olhos que me olhavam, desviam na mesma hora.

Eu disse: eu tô muito adolescente. Mas eu vou me deixar levar pelas minhas paixões juvenis. Eu tô gostando [Risos].

O que vou fazer:

Como eu já disse, eu vou viver o presente, porque olhar pro futuro... é tenso.

Vou criar jeito e começar a trabalhar. E isso me faz lembrar que eu vou ter que deixar a novela [Choro].

E, nas férias, quando eu tiver todo o tempo do mundo, eu vou ler um livro daqueles ótimos.


Então, eu agradeço ao Felipe pela dica, viu? Seu fofo.

E quem já leu até aqui... deixa um comentário pelo amor de Deus. Demorei um tempão pra fazer esse post.

Até mais.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Da hora

[título muito criativo, né! ¬¬]

Os vídeos foram indicados por três amigas.

O primeiro vídeo foi a @gabiiciribelli que me indicou (via Orkut). Não sei se ela sabe que eu detesto a Lady Gaga, mas me enviou esse vídeo rapidíssimo (0:29) com um tombo dela. Aff! E ela caiu por causa de uma coisa que eu mais detesto nela: o exagero.

Eu não vou contar o desenrolar do vídeo. Sintam o prazer sozinhos...

O vídeo já teve mais de 20.800 visualizações no YouTube.


O segundo vídeo foi indicado pela @nathy_hirth (via MSN). O vídeo mostra um garoto que dança Single Ladies da Beyoncé no meio do corredor da escola. O legal é que ele arrasa e os colegas adoram e tudo. Caio (@caiiosf) disse que fez essa manifestação contra a homofobia. Que legal!

Meu comentário sobre o vídeo é: eu já sonhei várias vezes que eu fazia algo do tipo nos corredores da escola. Mas isso é assunto pra um post separado.

O vídeo já teve mais de 19.600 visualizações no YouTube.



O terceiro vídeo foi indicado pela @paaulapeixoto (via MSN). Como o título diz é uma propagando de camisinha africana e a piada [piada?] sobre o dote dos africanos tinha que estar no vídeo.

O melhor comentário foi: não importa o tamanho, mas como usá-lo. Adoooro!

O vídeo já teve mais de 95.400 visualizações no YouTube.

domingo, 17 de abril de 2011

Querido diário...

Hoje foi o maior mico da minha vida. Eu devo ter ficado vermelha que nem um pimentão.

As meninas e eu estávamos na fila do lanche, né! Até aí tudo bem. A gente tava lá naquele bate-papo sobre a aula, os professores, os colegas, os gatinhos e tudo mais. Só que eu tava meio distraída. Na verdade, eu sempre tô distraída.

Então, eu tava lá bem animada contando uma história pra Ju e aí eu pisei em falso. Meu Deus do Céu! Foi o maior tombaço da minha vida. Caí meio assim de lado, em cima da minha coxa, né! Ficou até roxo.

Só que na hora eu não pensei em nada a não ser quem tava por perto. Olhei se o Renato tava por ali, né. Imagina se ele tivesse ali com os colegas do futebol. Eu ia enfiar a minha cabeça debaixo da terra que nem um avestruz. kkkk’

Aí eu ali, caída no chão, ouvi só umas risadinhas, né, como sempre, e olhei pras minhas amigas: elas tavam sérias. Seguravam as risadas em respeito ao meu estado... como é mesmo a palavra?... humilhante? Ah, sei lá. Esqueci a palavra.

Eu vi as pessoas que tavam rindo, né, aí que me deu mais força. Joguei os cabelos pr’um lado, coloquei uma perna na frente e levantei que nem uma diva. Lembrei da Sandra Bullock naquele filme Miss Simpatia. Arrasa!

Dei uma limpada na calça, né, aí continuei contando a história normal, né. Quando eu consegui comprar meu lanche e sentar na mesa, que eu comecei a rir. Aí, as meninas começaram a rir também.

A primeira coisa que eu perguntei foi se o Renato não estava mesmo por perto. Nossa! Imagina o mico... Aí a Pri confirmou: ele não tava lá. Só o Juninho.

Merda! O Juninho é o maior fofoqueiro da escola. Ele já deve ter contado tudo pro Renato. Agora, o Renato deve pensar que eu sou uma burra, uma retardada que não sabe nem andar num All Star. Aff! O Renato vai pensar que eu sou uma nerd que só pensa em estudos e tudo mais e nem gosto de me cuidar. (Por falar nisso preciso marcar a depilação na minha agenda. Minhas pernas estão terríveis).

E o pior, né: ainda tem o encontro no próximo sábado. Será que o Renato ainda quer sair comigo ou... vai me dispensar? É. Talvez ele chame aquela piriguete da Fabi, né. Pode ir, honey.

Ah, mas deve que não, né! O Renato não é tão idiota assim. Se fosse o Juninho... Quer dizer, o Juninho nem serve de comparação, né. Ele é um galinha. O Renato é... um fofo, né! <3

Mas eu acho que o encontro vai rolar. Adoro! Talvez role um beijo também. Eu tô sentindo umas investidas dele. Ai, ai! Ele é lindo demais.

Eu ainda tenho que pensar sobre esse beijo. Se o primeiro beijo sair errado... ixi! Aí, o resto sai errado. Aí sim ele vai pegar a Fabi, porque além de não saber se equilibrar nas próprias pernas, eu ainda não sei beijar direito. Ai, meu Deus. Eu acho que eu vou fazer aquilo que a Ju disse: tentar pegar uma azeitona dentro de um copo com a língua. Eco! Que nojo!

E tomara que ele não venha com gracinhas. Se ele vier me passando a mão, vou ter que cortar o mal pela raiz. Não, mas o Renato não é assim. Nem sei por que eu tô nervosa. Vai dar tudo certo.

Sábado eu volto, viu diário, pra contar tudo que rolou.

Bjo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O último!

Hoje foi o último dos últimos!

Não tem mais volta. As aulas terminaram e não temos mais o consolo de pensar que logo daqui umas semanas nos encontraremos novamente. Não! Dessa vez não tem volta.
Foram anos de muita luta, e durante toda essa viagem encontramos muitas pessoas especiais. A gente virou amigo e seguimos juntos durante muitos anos. Alguns eu encontrei esse ano, mesmo. Mas não são menos importantes que os outros.


Agora, as forças maiores nos separam.

Eu acho horrível dizer “Para sempre”, mas... é inevitável. Mesmo que a gente se encontre por aí não será do mesmo jeito. Agora, cada um segue seu rumo. Conheceremos pessoas diferentes, faremos novas amizades e seremos pessoas diferentes das de hoje.


Não nos veremos todos os dias. Às vezes, não éramos da mesma turma, mas era só atravessar o corredor e chegar de penetra na sala ao lado e dar um abraço, contar uma notícia ou poder dizer pessoalmente: “Ontem eu me lembrei de você!”

E foram com esses amigos que eu cresci e tornei-me quem eu sou hoje. Se eu conhecesse outras pessoas talvez eu fosse mais egoísta, ou menos compreensível, ou talvez menos chato. Mas eu sou eternamente grato.

Grato por cada ato que talvez não seja tão significativo para eles. Nos momentos de alegria, eu tinha alguém pra dividir uma piada; nos momentos de tristeza, eles eram compreensíveis com minha mágoa; nos momentos de raiva, tinha sempre alguma mão pra segurar a minha e controlar a minha ira.


Eu amo cada um de vocês, meus amigos!

Eu vou lembrar-me de vocês até perder a memória. Vou lembrar-me da cor dos seus olhos; do jeito que você anda; do jeito que você sorri; das suas crises de riso; do seu jeito irritante de revirar os olhos e de levantar a sobrancelha. Vou lembrar-me de histórias que vocês me contaram sobre sua avó, seu irmão, seu pai, seu avô, seu namorado. Vou lembrar-me do seu endereço, mas do número do celular eu não garanto.

Esse não é um texto animador, um texto de auto-ajuda. Não! É um texto triste! Ou talvez alegre. Não sei! Cada um tem sua ideia para saudade. E saudade será um sentimento que me acompanhará para o resto da minha vida.

Mas a gente só sente saudade daquilo que foi bom.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENEM


Pois é! Esse ano foi a terceira vez que eu fiz o Exame Nacional do Ensino Médio. Conhecido como ENEM (ou NENÉM, para os imbecis), a prova continha 190 questões e uma redação. Foram mais de 4 milhões de participantes. E as pessoas ainda queriam que tudo desse certo. Sem lógica, mesmo.

É nessas horas que eu agradeço de ter nascido em cidade pequena.

Foi um dos assuntos mais comentados. O Twitter estava lotado de mensagens de indignação e... esqueci a palavra... Humilhação? Vexação? Tá não interessa. Tava zoando o Inep: “Errar é humano. Errar muitas vezes é Inep.”

Saíram até notas dizendo que o Inep processaria os engraçadinhos. Meu filho, quem tá na chuva é pra se molhar. No Twitter, tem que dar a cara a tapa.

No Fantástico ontem, mostrou alunos que ficaram em dúvida sobre o gabarito trocado. Ou o candidato é burro ou é o aplicador. O meu aplicador disse para desconsiderar os títulos e marcar na ordem do Caderno de Questões. Alguma dúvida?

Santa Maria! Pessoa não estava preparada pra fazer o ENEM.

Mas apesar de tudo... Na verdade, apesar de tudo pr’os outros. Pra mim não teve nada. A prova tava inteira, o gabarito tava errado, mas não teve dúvida (¬¬), a redação não foi sobre política... E entre mortos e feridos... é... salvaram-se quase todos.

P.S. Desculpem-me pelo título. Gastei toda a minha criatividade ontem.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Dia Que o Céu Ficou Escuro

Quando isso aconteceu, eu comentei imediatamente: “Vou escrever isso no meu blog.”
Para eu escrever alguma situação do meu cotidiano no blog, tem que ser algo completamente fora do comum. Realmente. Esse acontecimento superou qualquer outro assunto já postado anteriormente.

Na última terça-feira (28/09), eu fui para a escola como eu faço todos os dias. Eu tinha perdido prova de Sociologia na semana passada e a professora me deu uma segunda chance. Eu fui fazer minha prova numa sala lá no fundo da escola, que só tem uma mísera janela.

Com certeza, eu poderia comentar: “Estava um forno lá dentro.” Mas não. O tempo está mudado na minha cidade desde domingo. Pois é.

Terminamos a prova e fomos conversar sobre outras coisas (tenho vários amigos nessa outra turma). Quando bateu o sinal para a troca de horário, eu me levantei para voltar à minha sala. Foi quando olhamos para a minúscula janela da sala e vimos que, às 07h50min da manhã, o céu estava escuro. OMG!

Nenhuma professora conseguiria segurar tantos alunos. Todos os alunos saíram de suas salas para olhar o céu. Era um negócio muito estranho: uma mistura de “O Dia Depois de Amanhã” com Comensais da Morte do Harry Potter.

E o povo começou a pensar que o mundo estava acabando (parecia, mesmo). E eu não agüentava: eu estava morrendo de tanto rir. Tinha alunos que metiam o dedo no interruptor das lâmpadas do corredor, e ficava aquele ar bem “2012”. Ai, ai! Aquele monte de alunos lá fora, as professoras trocando de turma (duas professoras erraram a turma, entrando na minha sala no horário errado), e as “tias”, como nós chamamos carinhosamente as serviçais, tentando conter os alunos.

Para exemplificar o quanto o carinho com as tias é recíproco (#ironic), redijo a frase falada por uma das tias na hora do fuzuê:

— Ai, meu Deus! Eu não acredito que eu vou morrer no meio desse bando de aluno. Ah, não! Eu vou pro céu com esse monte de menino.

Que lindo, hein! Estamos pensando se, depois desse comentário, ela vai mesmo para o céu.

Estou rindo até agora. Foi uma bagunça que eu nunca tinha visto em todos esses anos na escola. Eu sei (nós sabemos) que qualquer coisinha diferente (vento forte, tempestade, trovões, briga) é motivo para um alarde. Mas esse… Incrível.

Depois disso, eu vou ter muita história pra contar sobre O Dia Que o Céu Ficou Escuro.

Tenho que desligar o computador agora. Começou a chover. De novo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Socorro!

Precisava dar uma justificativa pela minha falta de mais de uma semana aqui no meu blog. Pois é! OS VESTIBULARES ESTÃO CHEGANDO e nesse ritmo de estudos eu não tô tendo muita inspiração.

Na verdade, tenho várias ideias: escrevo-as numa folha de papel amarelo que tem aqui em casa e depois vou traduzir essas ideias em palavras e passar pro computador.

Mas até o final dessa semana vai ter post novo aqui no "Atrás do Horizonte."

Boa sorte pra mim!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como estudar

ou: Como não estudar.

Eu estava conversando com uma amiga sobre como cada um estuda. Ela me disse que gosta de estudar com outra pessoa.

— Eu gosto de estudar com uma amiga — ela dizia, — porque se eu tiver dúvida, ela me ajuda. E vice-versa.

— Eu não consigo estudar acompanhado — eu repliquei.

E comecei a lhe contar como eu e meus outros amigos nos reuníamos pra estudar.

— Ow — eu gritava, — hoje a gente vai estudar na casa do fulano.

E todo mundo vibrava de euforia.

— Quem leva o refrigerante?

Pois é. A gente combinava de estudar biologia, física e matemática e combinava quem levaria o refrigerante, quem levaria o DVD e quem levaria o pão pro cachorro-quente.

— E os livros, Lucas?

— Nossa! Esqueci em casa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Tombo

Depois de muitos dias sem postar, voltou para lhes contar uma história verídica, como todos os Micro Contos são.

Foi a história do meu tombo. Quem convive comigo sabe das milhares de vezes que eu contei essa história. Foram 254789 vezes.

Todos os dias, eu sou (quase) o último a sair da escola quando toca o sinal do fim da aula. Nesse dia não foi diferente. Eu saí na maior calma.

Outra questão que é preciso saber é que eu volto pra casa de ônibus escolar. O motorista estaciona o ônibus na frente da escola.

Quando eu apontei na saída da escola, o motorista já tinha acionado a alavanca pra fechar a porta. Eu nem disse "tchau" pra quem tava comigo e saí disparado. Eu tentei ser bonito (coitado!) e fui subir as escadas do ônibus correndo.

Escorreguei no segundo degrau e bati os joelhos na escadas. Você não leu errado: os DOIS joelhos ao mesmo tempo.

Eu não sou muito enturmado com os alunos do ônibus (odeio!) e fingi que não tinha doído, mas o sangue escorria da canela.

Cheguei em casa e fui pra casa de uma amiga (Twitter: @nathy_hirth). A gente foi assistir a um DVD. Mas eu não aguentei. Eu gemia de tanta dor. Precisei de massagem, pomada e depois muita paciência até a dor passar.

Agora eu tenho duas cicatrizes nos joelhos e uma história pro resto da vida.

sábado, 17 de julho de 2010

Beijo: o clímax de uma história de amor

Duas versões de uma mesma história.

É através de exemplos do nosso cotidiano, que vemos o quanto o ser humano tem medo e precisa evoluir em seus relacionamentos. Fique despreocupado: não vou falar sobre algum caso de crime hediondo. É sobre o amor!

Ah, o amor! Uma palavra que todos procuram o significado através de outras palavras, mas ninguém consegue descrevê-la com perfeição. É algo que só se sente; não descreve.

Um casal de adolescente. Por enquanto, apenas um garoto e uma garota que estudam na mesma turma, que moram no mesmo bairro.

Ele mora na parte alta : não menos pobre ou mais nobre que a parte baixa. Ele sempre está usando seu bermudão preto, o boné virado pra trás e um sorriso branco que fazia as covinhas aparecerem em suas bochechas. Ele descia pela rua de skate, sem camisa, pra ver se ela olhava pra ele.

Ela sempre ia à rua na hora marcada. Ele sempre descia de skate no mesmo horário de sempre e ela o esperava. Ele descia sorrindo sem camisa. Ela ficava decepcionada quando ela olhava pra ele e ele não retribuía o olhar.

Na escola, o amor em segredo continuava.

Ele escrevia bilhetinhos no caderno dela; ela escrevia o nome dele no livro de matemática. Os dois sempre tinham uma desculpa para esbarrar no outro, mas seus olhos nunca se cruzavam para perceber o sentimento refletido no olhar do outro.

O amor inocente que um tinha pelo outro emanava de seus corpos quando os dois se encontravam. A paixão ardente, que era inédita para os dois, os fazia suspirar. A amizade, a cumplicidade, a naturalidade, a timidez, a inocência…

Seria tão simples chegar para o outro e dizer três palavras tão simples:

— Eu te amo!

Estavam com medo. Medo de serem rejeitados; medo de serem gozados; medo de usar essas três palavras em vão, de uma forma vulgar.

Mas, existem os amigos. Como eles são importantes...

— Eu acho que ele tá afim de você!

— Aí, cara! Ela tá gamadinha na sua!

Saem com os respectivos amigos e, por um acaso do destino — sei! — ficam sozinhos em frente a uma loja de perfumes no shopping.

Ela com a mão cruzada sobre o peito, ele com as mãos no bolso… Um sentia o cheiro do outro, sentia a respiração, o calor… Um sorriso, os lábios vermelhos, as covinhas nas bochechas…
Um beijo, enfim.

O momento mais aguardado dos dois. Não precisavam mais imaginar: era só sentir o gosto, a textura, o calor… Sentir o amor transitando entre os dois corpos. O clímax dessa história de amor.

É por esses exemplos que concluímos: é preciso enfrentar nossos medos e vivermos o amor.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Kléber Toledo na minha escola


Eu não queria falar nada sobre esse assunto, mas eu não resisti. Eu disse para meus amigos que isso é assunto pro resto do ano.


Por causa de uma oficina de atores, Kléber Toledo visitou minha cidade (Patrocínio, MG) e visitou algumas escolas divulgando o projeto.

Todo mundo estava dizendo que ele só iria em escolas particulares e, aí, o pessoal da minha escola nem alimentou esperanças.

Entretanto, hoje, sem ninguém esperar, o Kléber Toledo (Sid, Caras e Bocas) apareceu no corredor da escola. Todo mundo voou pra janela. Eu nunca vi uma coisa tão doida. Mas também não é todo dia que a gente tem um ator global na nossa escola.

O povo ficou alvoraçado, as professoras não conseguiam controlar os alunos e ouvia-se os gritinhos das meninas. Eu acho que tinha uns meninos gritando também.

Ele entrou na sala e todo mundo ficou esbabacado. As meninas tremeram vendo o cara de pertinho.

Alguns comentários abaixo:


— Os homens mais bonitos que eu conheço ficam no chinelo perto dele!


— Meu Deus! Esse homem é de perder o caminho de casa!


— Lindo! Lindo! Lindo! Ele é perfeito.

E outras coisas.

Eu acho que é uma coisa interessante pra se contar. Na verdade, é assunto pro ano inteiro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Marcas do Passado

Foi DEPOIS DAQUELA VIAGEM que eu descobri o que é A VENTURA DE AMAR. Difícil descrever como era magnífica aquela imagem: aquela linda olhando o CREPÚSCULO, VIOLETAS NA JANELA, inocência naqueles olhos azuis…

Foi o amor que fechou os meus olhos para a realidade: como eu, O ESTUDANTE pobre do bairro, teria alguma chance com A HERDEIRA d’A FORTUNA daquele grande empresário. Mas eu estava realmente louco.

Resolvi me declarar. Ela sorriu e me beijou. E guardamos apenas para nós O SEGREDO do nosso amor. Nós nos encontrávamos n’A CABANA do jardineiro e só voltávamos pra casa d’O OUTRO LADO DA MEIA-NOITE. Já me sentia parte d’O OUTRO LADO DA MEIA-NOITE. Seu toque era A CARÍCIA ESSENCIAL para a minha sobrevivência.

VOCÊ É INSUBSTITUÍVEL — dizia.


Até que por UM CAPRICHO DOS DEUSES, minha felicidade se desfez e Sofia seguiu A PONTE PARA O SEMPRE.

Consegui ficar sozinho com seu corpo até o AMANHECER. OS SEGREDOS DO PASSADO já não importavam mais.



Levei a noite inteira para completar O LONGO ADEUS. No meu rosto, apenas A MARCA DE UMA LÁGRIMA e na minha mente as antigas LEMBRANÇAS DA MEIA-NOITE.

DESCANSE EM PAZ, MEU AMOR…

Voltei para casa e descobri A OUTRA FACE desse adolescente; O REVERSO DA MEDALHA. Percebi que era UM ESTRANHO NO ESPELHO. Já não me reconhecia.

Sentia como se estivesse vazio, que eu nunca mais seria feliz. Eu perguntava QUEM ME ROUBOU DE MIM?”, mas ninguém me respondia.

Meus pais estavam À PROCURA DOS MOTIVOS de tamanha infelicidade, enquanto eu corria d’A PERSEGUIÇÃO d’A PODEROSA tristeza infinita.

Não podia mais aguentar aquilo. Eu queria ser levado pel’A IRA DOS ANJOS. Que eu fosse levado ao JUÍZO FINAL e não reclamaria se fosse condenado a viver toda a eternidade ao lado de Sofia.

Mas A BOA SORTE não estava do meu lado.

Continuo vivendo e esperando que AS AREIAS DO TEMPO levem as marcas do passado.

domingo, 14 de março de 2010

É nessas horas que a gente engole a vergonha

— Onde é que o Breno se meteu? — Marina já estava estressada há muito tempo. — É por isso que eu odeio a professora de português.

No colégio, principalmente quando os alunos estão no auge da adolescência, teatro não é a atividade mais atraente para os alunos. É a hora que todos vão ter que subir em cima do palco e deixar de ter vergonha só por causa de uns pontinhos. Mas não se deixa de ter vergonha de uma hora para a outra. O garoto sobe no palco, fala baixo e, para completar, todos os colegas ficam rindo da cara do coitado que custou decorar 3 linhas do roteiro.

Dona Mirtes, professora de português, tinha dado um trabalho sobre o Romantismo Brasileiro. Tinha sobrado para o grupo da Marina recitar alguns poemas do século retrasado.

— Calma, Marina! — Ricardo, namorado da Marina, tentava tranquilizá-la. — O Breno só foi buscar a fantasia.

— Fantasia?! Mas a gente só vai recitar uns poeminhas.

Poeminhas; era disso que os adolescentes chamam umas das melhores representações da literatura brasileira. Mas dá pra perdoar, coitados! Alguns são submetidos a várias horas de gibi e contos de revistas. Coitados.

Marina estava quase furando o palco de madeira de tanto andar de um lado para o outro.

— Tudo bem, então, gente! Vamos começar sem o Breno. Depois a gente volta na parte dele.

Os outros cinco alunos estavam até um pouco animados com a possibilidade do Breno não chegar até o anoitecer e o ensaio ser adiado mais uma vez. Era deprimente ter que ir lá à frente e falar um monte de palavras que não lhe fazem sentido e fingir que estavam gostando.

— Então, nós vamos começar com você, Carol!

Carol subiu no palco, com os ombros baixos, as pálpebras caídas e um bocejo completou sua aparência "animada".

— Pode começar! — Marina deu o sinal.


“Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!E tanta vida que meu peito enchiaMorreu…” Morreu? Depois de “morreu” vem o quê?

—“na minha triste mocidade!”
“Morreu na minha triste mocidade!” — ela sorriu e se abaixou, agradecendo.

— E o resto?

— Eu só decorei até aí.

É nessas horas que Marina conta até 10.

— OK. Tudo bem, querida. — Ela vira-se de costas e faz uma careta de raiva. — É SUA VEZ, RICARDO.

Ricardo sobe ao palco.


—“Como eu te amo
Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,No largo mar a sombra de uma vela,Que lá na extrema do horizonte assoma;”


Marina percebe que Ricardo está olhando demais para Carol. Consegue captar os olhares entre os dois. Aquele poema de amor começou a dar nos nervos de Marina.


—“Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto aindaMe resta sofrer, por tudo eu te amo.”
— CHEGA, RICARDO! Já está muito bem ensaiado.

— Mas já acabou, mesmo.

— Eu sei. — Ela não sabia. — Não precisa me contar.

Foi quando Ricardo desceu do palco que Breno chegou ao anfiteatro. Ele vestia uma roupa verde, cheia de penas, uma cabeça enorme e um bico amarelo.

— Breno, — Marina disse, “calmamente” — que… que roupa… que coisa é essa?

— Meu figurino.

— Figurino. Mas você só vai recitar uns poeminhas de nada. Não precisa de uma fantasia de papagaio.

— Ah! Deu pra perceber que é um papagaio? A moça da loja me garantiu que não dava pra perceber — Breno explicava. — É porque eu queria uma fantasia de sabiá, por causa do meu poema: “Minha terra tem palmeira/ onde canta o sabiá!”. Sabe? Pois é! Mas aí, na loja de fantasia, só tinha roupa de papagaio e tucano. Sabiá não tinha. Eu escolhi essa, porque o tucano parecia mais um urubu, né! Mas a mulher da loja me garantiu que não dava pra perceber que era um papagaio.

É nessas horas que Marina conta até 10. É nessas horas que ela olha no fundo dos olhos do outro e respira… É nessas horas que se percebe que teatro não é uma boa coisa para a escola.

— DEZ MINUTOS DE INTERVALO! — Ela quis adiar mais um pouco seu sofrimento.

domingo, 7 de março de 2010

A arte de escrever pequeno

Quem está acostumado com os romances policiais sabe um pouco sobre a psicologia do criminoso. Sabem que quando o criminoso se safa do seu primeiro crime, se acha muito esperto para cometer outros. Mas todos os crimes são diferentes.

Sorte do Júlio se alguém tivesse lhe isso.

Júlio era conhecido na escola inteira como o melhor “colador” do lugar. O garoto era considerado um artista na arte de colar em provas. Todas as suas estratégias eram copiadas e, quando se tornavam obsoletas, caiam em desuso, ele inventa novas técnicas inovadoras.

Todos os experts em colas sabem que a arte de escrever pequeno é muito importante para quem não estudou em casa. Júlio aprendeu isso quando ainda estava no Ensino Fundamental. Resolveu usar essa tática por incentivo de um amigo. Era a primeira vez que colava. A Revolução Francesa não lhe entrava na cabeça.

O papel era um pouco mais que uma embalagem de balas e quase toda a Revolução Francesa estava descrita ali. Júlio ficou arrasado quando levantou a cabeça e a professora observava-o lendo aquele papelzinho. Foi a primeira vez que levou uma advertência. Ocorrência, como preferir.

Júlio jurou para si mesmo que aquilo não aconteceria mais. Que ele era mais esperto que aquelas professoras e que a orientadora não precisaria vê-lo por muito tempo.

Foi na época em que estudavam a Primeira Guerra Mundial que Júlio resolveu usar sua tática mais simples. Coisa de principiante, mas infalível. Copiou datas, lugares, nomes, fatos… Tudo no braço. No dia da prova, ele usou blusa de frio, manga comprida, e na hora da distração da professora, ele arregaçava as mangas e lia toda a matéria. A professora nem desconfiou. Era seu primeiro “crime” impune.

Ele usou essa estratégia durante algumas provas. Logo, ele percebeu que seus colegas de classe o imitavam. Ele passou a ser admirado pelo plano tão simples, mas que ninguém havia pensado antes. Júlio começou a se achar mais esperto que os outros. Era mais esperto que os colegas e, o mais importante, que as professoras. Ele podia fazer aquilo eternamente sem punição.

Decidiu que precisava inovar.

Era a hora de usar um relógio oco. O relógio e arte de escrever pequeno. Toda a Revolução Russa descrita naquele pequeno papel. Trabalho de uma tarde inteira. No momento em que alguém (sempre existia um alguém) chamava a professora para tirar uma dúvida, era hora de acionar o botão e a cola cair sobre a mesa. Mais uma vez Júlio se safou. E todos os seus colegas queriam o tal do relógio oco. Nem que fosse de plástico.

Sua fama se espalhou pela escola. Foi aí que Júlio começou a perceber que a vigilância das professoras era maior sobre ele. Mas elas não viam nada. Júlio ria quando pensava nas conversas nas salas dos professores:

— Eu não sei como ele cola! — a professora dizia, indignada.

O tubo da caneta Bic também foi usado. Um papel enrolado no tubo de tinta da caneta.

Depois foi a hora de usar o colega da frente. Um papel colado nas costas do amigo da frente. Era só um movimento do outro para Júlio conseguir enxergar as respostas.

Depois de muitos estratagemas tão arcaicos, a Era Tecnológica chega para ajudar os coladores profissionais.

O celular era posto na cadeira de uma maneira que, abrindo as pernas, era possível enxergar a tela quadrada do aparelho. A primeira vez foi com aquela mesma técnica de antes: a matéria escrita do início ao fim.

Mas a tecnologia teve mais lados positivos: os nerds começaram a gostar da brincadeira. Eles sabiam as respostas, escreviam nos seus celulares e distribuíam para todos os amigos. Júlio não era o mais querido dos nerds da sua turma, por isso precisava de outra maneira de arranjar respostas dos outros. Fácil! Ele mandava a pergunta pelo celular para alguém de fora que segurava um livro de história. Mole, mole!

Júlio ria, imaginando a professora corrigindo sua prova;

— Ele não colou! Eu tenho certeza! Ele é mesmo muito estudioso.

Os celulares evoluíram. A sensação — criada por Júlio, obviamente, — era tirar a foto da prova inteira, mandar uma mensagem para alguém fora da sala, que tivesse condições de pesquisar, e tirar dez na prova.

A confiança de Júlio foi seu erro.

Na hora de mandar a mensagem com a foto da prova errou o número. Não era possível que Júlio fosse tão azarado. Era apenas o destino.

A mensagem chegou às mãos — ou melhor, celular — da orientadora da escola. Nem preciso citar o quanto foi fácil descobrir quem era o remetente.

Júlio foi punido. Sentiu-se humilhado. Era horrível aquele rebaixamento moral. Nunca mais seria o mestre das colas. O posto de melhor “colador” foi pra outro aluno. E o pior: seus pais foram avisados.

Alguém deveria ter lhe dito que todos os crimes são diferentes. Ou que estudar é mais fácil que arranjar uma forma de escrever toda a matéria num papel.