segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

100 palavras para se lembrar de 2012

[ou para esquecer; depende do ponto de vista e do seu bom humor]


Fim do mundo

Luís Felipe Scolari

Para nossa alegria

Olimpíadas de Londres

Tufão

Madonna

Louis Vettel

Carminha

One Direction

#OiOiOi

Cotas nas Universidades

The Voice Brasil

O Artista

Michael Phelps

Eleições Municipais

Whitney Houston

Carrossel

Hebe Camargo

Goleiro Bruno

Lady Gaga

Gina Indelicada

Hugo Cabret

Furacão Sandy

Mensalão

Eric Hobsbawn

O Hobbit

Maias

Barack Obama

Rio +20

Oscar Niemeyer

Babi Rossi

Eu quero ver tu me chamar de amendoim

Titanic

Veja

Xingu

Gangnam Style

Ai, se eu te pego

Empreguetes

Egito

Carlinhos Cachoeira

Corinthians

Eu vou lhe usar!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Tempo irreal


"Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está"
Renato Russo

O mundo mudou; os avanços tecnológicos correm além do que nossas pernas podem acompanhar e a quantidade de novidades que vemos em um ano é maior do que as que duas gerações de uma família viam há duzentos anos.

Transportamo-nos para um mundo paralelo, irreal; estamos imersos em terras virtuais desconhecidas durante a maior parte dos nossos dias. E vivemos nesse mundo contraditório, onde as distâncias físicas estão cada vez menores e cada vez maiores. Mantemos contato com pessoas do outro lado do planeta através da rede computadores, ao mesmo tempo em que não conhecemos nosso vizinho de porta, não sabemos o nome do moço da padaria; não sabemos nem mesmo a preocupação das pessoas com as quais moramos na mesma casa. E depois nos perguntamos a causa das depressões, das tristezas, da carência...

Nessa última semana, na faculdade, discutíamos sobre a velocidade das inovações tecnológicas e como, depois de pouquíssimos anos, tornamo-nos completamente dependentes delas. Não conseguimos passar um final de semana sem energia elétrica: sim, conseguimos sobreviver sem televisão e computador durante dois dias, mas não gostamos do banho frio e não conseguimos viver sem as inúmeras funções de uma geladeira. Essa última, tomo-a como o centro da casa.

Nosso professor nos perguntou o que fazíamos antes do Facebook. Orkut, nós respondemos de imediato, rindo. E antes do Orkut?, ele perguntou. E minha mente começou a divagar. Uau, vivo em redes sociais há seis anos e... nem me lembro de quem eu era antes delas. Com um pouco de esforço eu me lembrei:

Eu via mais televisão na sala sentado ao lado dos meus pais e dos meus irmãos, brincava mais, andava mais e lia mais. Eu lia mais, escrevia mais, sonhava mais. Não vivia mergulhado nesse território virtual durante horas como acontece hoje em dia. Eu pensava mais sobre meu futuro e, mesmo sendo uma criança, eu pensava mais sobre meus sentimentos, sobre o mundo, sobre as pessoas... Eu lia mais. E eu sempre estou me perguntando: por que eu não tenho mais tempo para ler? E eu lia mais. Conversava mais. Talvez eu fosse mais feliz.

Talvez eu fosse uma pessoa mais real... Talvez meus sentimentos fossem mais reais, menos virtuais...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Em Preto e Branco

Olá, pessoas!

Agora que eu decidi me desligar do meu outro blog (aquele que eu tinha me colocado à disposição para comentários sobre artes e tals), esse aqui vai ficar diferente: agora que eu sei como é que a banda toca no Atrs.com, eu já me sinto seguro pra falar de cinema, música e televisão sem ser chato e bancar uma de intelectual fazendo reviews sem nenhuma experiência para tal: encaixar tudo aqui nesse quebra-cabeça que eu monto desde 2009.

Enfim... Para começar essa história toda, resolvi fazer mais uma dessas listas que eu amo fazer: listas que servem para satisfazer a minha necessidade de organizar tudo. Mas, de qualquer forma, servem de entretenimento, cabem no blog e fazem com que todos me conheçam mais um pouco: que são as funções de um blog.

Queria postar alguns clipes que eu gosto e resolvi fazer esse post com os melhores clipes em preto em branco. Para mim, é claro! Além disso, decidi que todos os clipes deveriam ser de cantoras do sexo feminino pra tudo ficar mais organizado.

Então, vamos ao... Tooooooooooop Five em Preto e Branco. Vai, vai, vai, tchan nan nan.

5º lugar: You're Still The One - Shania Twain


Essa é uma das músicas que eu aprendi a gostar com minha mãe. Eu encontrei esse clipe num desses DVDs "100 clipes de temas românticos dos anos 90", ou algo parecido, e me encantei. Eu já conhecia a música de outros tempos, tema da novela Corpo Dourado (uma das melhores trilhas sonoras com músicas que eu adoro do Paulo Ricardo e da Déborah Blando), mas o clipe era inédito pra mim. Sinceramente está na lista dos meus favoritos, mas ficou em 5º lugar por não ser preto e branco, e sim preto e escalas de azul. Diga Shania várias vezes seguidas: Shania, Shania, Shania... É engraçado.

4º lugar: You da One - Rihanna


Tudo bem, eu sei que o clipe não é totalmente em preto e branco, mas... regras são feitas para serem quebradas. Na verdade, eu nem sei porque eu as invento. Enfim... Esse clipe é do fim do ano passado e eu acho que foi um dos únicos que eu assisti na época da estreia (outros como Fergalicious, da Fergie, eu assisti muitos anos depois). Gosto dessa nova fase da Rihanna e, se ouvirmos músicas de alguns anos atrás, como Take a Bow e a insuportável Umbrella, é perceptível o crescimento que ela teve. E é muito sexual, sensual...

3º lugar: Back to Black - Amy Winehouse


Assim como Michael Jackson, eu só fui me interessar por Amy Winehouse depois de sua morte. Até aí eu só conhecia Rehab e olha lá. Mas numa madrugada, muitos meses atrás quando eu pesquisava sobre R&B, blues e afins, eu encontrei esse clipe e me apaixonei por seu visual, pela voz da Amy e pelo conjunto da obra. Continuo sem conhecer Amy Winehouse profundamente (se bem que eu conheço pouquíssimos artistas profundamente), mas Back to Black é minha música favorita.

2º lugar: Girl Gone Wild - Madonna


Como sobreviver? Sempre que eu vejo a Madonna, duas perguntas me veem automaticamente: como ela sobreviveu aos anos 80 e como uma senhora de 54 anos consegue fazer proezas que me deixaria entrevado numa cama? É estranho pensar que ela é apenas um pouco mais "jovem" que minha avó. Não conheço toda a discografia da Madonna e não conheço a sua evolução, mas é incontestável a qualidade da música (assim como do clipe) de Girl Gone Wild. Fãs da Lady Gaga acusaram-na de copiar o clipe de Alejandro, mas... queridos little monsters, enquanto a Gaga tenta ser polêmica, a Madonna já é apenas por respirar. Falta de serviço!

1º lugar: Dance for you - Beyoncé.


Eu não consigo imaginar uma artista mais completa que a Beyoncé. Ela ia ficar aqui no primeiro lugar de qualquer forma: primeiro por ser minha artista feminina internacional favorita e também por ser uma das que mais tem clipes em preto e branco: Ego, Diva, If I Were a Boy, Single Ladies, e mais um monte. Mas atualmente estou hipnotizado pelo clipe de Dance for you. Tenho o DVD Duplo e nunca parei para assistir aos clipes: só queria ver o show. Mas quando me deparei com essa obra de arte... Algum dia eu tentarei imitar diante do espelho.

Beijos, abraços e apertos de mão! Com a volta da minha rotina normal, penso que as coisas voltarão aos eixos aqui no blog também.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eu não entendo: funkeiros no ônibus


“E a maconha tá tendo
Balinha tá tendo
É droga pra caralho
Que os moleque tá vendendo.”
Tá tendo, MC Rodolfinho

Desde que me mudei para Uberlândia, eu adquiri um hábito que se encaixa perfeitamente no meu estilo de vida. Sempre que eu vou para alguma boate no centro da cidade, eu prefiro virar a noite na rua pra não precisar desembolsar dinheiro para o táxi: espero até às 5:30 da manhã, hora em que os ônibus começam a rodar, e pago R$1,56 (preço para estudantes) para voltar pra casa (diferente dos R$19 que eu pagaria para ir de táxi).

Foi o que eu fiz na manhã de ontem. Eram 6 horas da manhã quando eu subi num dos três ônibus que eu preciso pegar para chegar em casa. Sentado no fundão, ouvi um rapaz selecionando a música que ele deixaria reproduzindo no player do seu celular. Por algum motivo infernal, ele escolheu a música acima.

Por quê, mundo? Por que a pessoa não pode aproveitar a viagem de ônibus em silêncio? E por que esse indivíduo faz com que todos no ônibus sejam submetidos a essa tortura? O problema não é nem pelo gênero (inclusive, eu estava voltando de uma festa de funk), mas a falta de desconfiômetro, de senso, de noção desse sujeito que pensa que vive num mundo só dele.

Nessa hora eu já estava com minha bateria quase completamente descarregada: meus olhos se fechavam sem que eu percebesse. Nesse delírio, eu imaginei o seguinte diálogo:

— Moço, não tem como você abaixar o volume, não? Só um pouquinho. É que eu tô com dor de cabeça.

— Vá lá pra frente, maluco! Não vou abaixar porra nenhuma.

— Então, faz outro favor pra mim: bate essa sua cabeça oca no vidro e pula lá de fora com o ônibus em movimento.

No meu delírio, ele me obedecia; mas, na vida real, eu tenho certeza que ele teria me apagado ali mesmo.

Depois disso tudo, eu pensei em escrever um texto aqui no blog e comecei a me lembrar de algumas coisas que eu tinha visto na internet. Não vou expor minha opinião em palavras, mas vou mostrar o caminho das pedras para que vocês me acompanhem. Essa segunda parte é um pouco diferente do que os textos do Não entendo sempre pretenderam.

O primeiro vídeo é bem pequeno: é do professor Gil Brother. Ele é um personagem que eu já conheço há algum tempo e, no mês passado, acabei encontrando esse vídeo do seu canal Away. Dá o play ali embaixo pra gente ver junto.


Não estou aqui para falar de sua frase “Umas música que tem que ficar dentro de balada GLS”, mas sim do modo como ele pretende tratar os funkeiros (Outra opinião aqui). Confesso que ri muito no trecho entre 02:23 e 02:42. Acho o Gil Brother engraçadíssimo, mas... Bem, eu disse que eu não ia dizer o que eu pretendo mostrar. Vamos continuar!

Tenho a mania de ler os comentários nos vídeos do YouTube. E acabei encontrando essa preciosidade. Existem comentários bem piores, mas a importância desse é pela quantidade de pessoas que “deram joinha” nesse aí embaixo.



Que menino gente boa! E o que dizer do vídeo do Gil Brother agora? Nossa, mas o vídeo é uma coisa tão inocente, tão engraçado. Stand up! 

Mas acabamos de ver um comentário com 52 "curti" que..? Tempo para pensar!

Bem... E que tal a gente dar uma passadinha lá no R7 pra conferir umas notícias? Notícia contemporânea ao comentário do "pirikiteiro".


Quero me atentar a um pequeno trecho da notícia (Link da notícia): “Após o sepultamento, a mãe do estudante, Josefa Batista da Silva, falou sobre o filho, morto a tiros na quarta-feira (24). — Um garoto alegre, brincalhão, não fazia mal a ninguém. Foram fazer uma covardia dessa com meu filho.” Não sabemos se essa fala é real, mas é perfeitamente possível de ser. E o efeito dela é importantíssimo para o que eu quero dizer. Mesmo sem dizer!

Não quero falar sobre a importância dos variados gêneros no cenário cultural brasileiro (funk, sertanejo, rock, samba e tantos outros que sofrem preconceito por parte de quem não conhece), mas penso que as pessoas entram em contradição quando condenam alguma coisa, mas quando eles é que são as vítimas, ele me vem com a frase feita: “Tem que respeitar o gosto de cada um”.

Estou cansado de ouvir gente dizendo que quem ouve reggae usa droga, que rockeiro é violento, que sambista é vagabundo, que funkeiro é ignorante. Até quando?

Só sei que nada sei.

E, para terminar, o funkeiro do início da história, aquele que estava sentado do meu lado, dormiu (ênfase no dormiu) ouvindo sua música no celular. Dormiu tanto que não viu o ponto em que tinha que descer. Começou a esmurrar o amigo dele:

— Seu vacilão! Maluco! Vai tomar no cu! A porra do negócio ficou lá atrás. Seu vacilão. Vacilão.

Sinceramente, eu não sabia que as pessoas falavam “vacilão”.

Funkeiro no ônibus: eu também não entendo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Último Tango


— Está tudo terminado entre nós! — ela disse segura; controlava cada milímetro dos músculos do seu rosto para que sua expressão não mostrasse como aquilo estava sendo difícil pra ela.

Ele ficou olhando fixamente para os olhos dela, sem reação. Depois, como se acordasse, balançou a cabeça tentando organizar os pensamentos, piscou os olhos e umedeceu a língua.

— É... Bem, eu não sei... — ele olhou para o chão puxando alguma coisa da memória; ela já conhecia aquele ritual. — Espere um pouco.

Ele correu para apagar as lâmpadas do apartamento que estavam lhe atrapalhando e abriu as cortinas da enorme janela do quinto andar.

— Por favor, querida, fique aqui em cima desse tapete. — Então ligou o abajur que iluminou o rosto dela debaixo. — Agora sim! Dá um ar... sobrenatural! Pode repetir o que você disse?

— Você é louco!

— Não foi exatamente isso que você disse antes. Não existem cacos nessa cena.

Ela respirou fundo:

— Está tudo terminado entre nós.

— Bem, eu imagino que... minha próxima fala deveria ser: — Ficou com um ar de estupefação. Metade do seu rosto estava escondido na penumbra e a outra metade iluminada pela luz azul que entrava pela janela. Perfeito. — Eu não compreendo, querida! Estávamos tão bem ontem à noite quando saímos pra jantar.

— Ontem estávamos bem? — ela aumentou o tom de voz; sem gritar. Era perceptível o sentimento que crescia dentro dela as poucos. Ele gostava dessas nuances na voz dela. — Você me deixou envergonhada quando pediu para que os nossos amigos trocassem de lugar três vezes porque aquela iluminação não favorecia a cena. E ainda falou mal da maquiagem da minha amiga.

— Perfeito, querida! É assim que eu gosto. Adorei a ênfase que você deu em “minha amiga”. — Ele volta a ficar sério. Foi para o balcão do bar, colocou dois gelos no copo e se serviu de dois... três... alguns dedos de whisky. — Você está sendo precipitada. — Ele caminhava na penumbra azul do apartamento. Bebericou o whisky. — Você... você está apaixonada por outro? — E virou o conteúdo do copo de uma vez. Olhos semicerrados. — Eu não estou satisfazendo seus desejos? É claro que eu não sou mais aquele rapaz de 21 anos que você conheceu, mas... você tem que compreender! Podemos superar essa traição juntos...

— Não é nada disso! Não é questão de eu gostar de outro! A questão é que eu não aguento mais as suas loucuras.

— Ficaria melhor se fosse “delírios”.

— Eu não aguento mais os seus delírios. Essa sua ideia disparatada de vivermos como se estivéssemos em Hollywood.

— Na verdade, eu imagino um filme europeu, mas tudo bem!

— E toda a sua preocupação com a iluminação, o cenário, a ordem das coisas, o meu cabelo!

Já foi dito que ele se apaixonou por essa voz oscilante, hesitante, marcante...

— E quantos momentos ridículos eu tive que passar por causa de suas insanidades! Como aquela vez que você me maquiou e me deixou com a cara pálida; então, você colocou aquele sobretudo preto e andava com aquela lanterna no meio da rua.

— Era a época que eu estava lendo sobre os alemães. Expressionismo alemão, minha querida! Expressionismo alemão.

— E as suas manias de balançar a cabeça...

— “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

— Mas você não tinha câmera alguma e, pra mim, também não tinha nada na cabeça.

— São testes que eu colocarei em prática. Algum dia. Não questione o meu jeito excêntrico. Foram anos para moldá-lo a meu gosto. Sou um cineasta nato, mon Cher. — Ele se aproxima do rádio. Last Tango in Paris, de Gato Barbieri. 


Ele coloca uma rosa vermelha na boca e a sola do seu sapato de couro italiano faz o toc toc no chão de assoalho. Charuto. A fumaça que ele sopra é iluminada pelo neon de um anúncio na rua. 

— Lembra daquele dia no parque? As estrelas, nós dois, a lua...

— Por favor...

— ...o som no carro, a brisa... — Ele tira o blazer; está de camisa, colete e gravata. Ele sorri sutilmente. Ele sabia que inconscientemente ela era apaixonada pelo Marlon Brando. Aquele sorriso era de horas na frente do espelho. — Por que não me concede essa última dança?

— Eu já disse que...

— Shhhh... — Ele apertou o quadril dela ao seu. Queria tê-la ali mesmo; no sofá, na mesa de jantar. Colocar seu corpo no dela. O cheiro dela invadia seus pulmões. — Não preciso explicar o roteiro mais uma vez! Lembra de quando assistimos juntos e, no fim...?

— Pare com isso!

— Você é uma desconhecida. Acabo de te encontrar por acaso numa rua parisiense e...


— E não acontece nada. E...

— E...?

Ela deu-lhe um beijo ardente. Ela odiava quando ele fazia aquilo. Mas ela sentia o calor subindo pelas costas e sufocando-a; só se salvava nos lábios experientes do seu marido. Precisava de um pouco de vinho; nada de manteiga.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Abrir pasta


Olá! Sinceramente, eu não sei onde eu perdi a minha criatividade. Já percebi que eu começo a ficar mal-humorado quando nada me vem a cabeça. Na verdade, ideias é o que não me faltam; o que eu preciso é de coragem. E criatividade! Não quero desperdiçar as ideias com diálogos vagos por causa da falta de inspiração. Enfim... isso é pra justificar o post abaixo. Eu acho que eu meio que menosprezo os posts que são coisas aleatórias da internet. Depois do desabafo, vamos ao momento "sou vagabundo" do blog.

Nessas conversas que eu tenho pela internet, aprendi a fazer uma coisa que me deixa confuso: às vezes, as pessoas me mandam links de vídeos do YouTube e, pela falta de tempo naquele momento, eu guardo o link na pasta dos favoritos e digo que vou assistir depois. Realmente, eu assisto a maioria, mas alguns milhares ficam esquecidos. Nada melhor do que as férias para eu pôr tudo em ordem (Deixa eu só fazer um comentário: o Google Chrome é lindo! Deu pra eu deixar tudo arrumadinho do jeito doentio que eu gosto)

Coloquei tudo em pastas muito bem separadas e encontrei três vídeos que eu não tenho a mínima ideia do motivo pelo qual eu guardei nos favoritos. E muito menos quem me mandou os links desses vídeos. De qualquer forma, driblando o meu preconceito por bandas desconhecidas de países frios e distantes, decidi ouvir as músicas. E não é que eu gostei! Resolvi compartilhar essa história e esses vídeos aqui no blog: coloquei as músicas em ordem de interesse. Agora é a hora doooooooo... Top Three!


3º lugar: Forest City Lovers - Tell me, Cancer


Desculpa, mundo! Até gostei do vestidinho azul da cantora, mas quem me conhece sabe que eu detesto essas cantoras insossas! Se eu ouvir muito essa cantora canadense insuportável, eu sinto enjoos. É sério! A voz dela também é legalzinha, mas... não dá, filha! Vamos pro próximo vídeo!


2º lugar: Awolnation - Sail


Gente, quem me indicou esse vídeo? Que coisa maluca é essa? A letra foi além do meu entendimento. Mas o negócio é tão sem-noção que eu gostei: o batom vermelho, a chuva falsa, a ruiva descontrolada, o enforcamento, o slow motion... WTF? A música não é das que eu mais amo, mas é um som legalzinho. Mais suportável que o anterior! E o clipe ainda tem making off (clique aqui). 


1º lugar: Alcoholic Faith Mission - Running With Insanity


É! Parece que eu estou começando a gostar dessa paradinha de indie rock! Vou marcar essa data para eu lembrar. Gostei muito desse Alcoholic Faith Mission e amei o clipe. Que ar aristocrático, superior dos dinamarqueses do vídeo. Confesso que não sei reconhecer nenhum integrante da banda no clipe (foto da banda aqui e aqui;FASHION!), mas se eu ainda tiver disposição de procurar outras músicas deles, quem sabe eu não aprenda esses rostinhos. O modelo principal que dá um soco fajuto com certeza não é. Adoro principalmente as roupas desses cantores de indie. E os cabelos! Fiz o download do vídeo e vou ouvir até enjoar. Talvez até na próxima segunda-feira!

São as coisas que uma antiga pasta reserva para nós.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Carta Aberta aos meus amigos dos Correios

Se eu mandar uma carta pela internet, eu tô quebrando o monopólio postal?

Oi, gente! A minha ideia inicial era fazer um vídeo narrando tudo que está escrito abaixo, para que eu pudesse olhar dentro dos olhos de cada um, e para que vocês pudessem perceber, dentro dos meus olhos, coisas que não são transmitidas por palavras. Mas, por alguns motivos, decidi escrever essa carta que é destinada a cada um e a todos vocês (ou qualquer outro que queira ler). Depois de passarem quase um mês e meio com minha agradável companhia, vocês perceberam que eu adoro contar histórias; não podia começar essa carta de um jeito diferente.

Lembram-se do dia 11 de setembro, quando nosso primeiro instrutor pediu que fôssemos à frente de toda a turma e nos apresentássemos? Pois bem! Eu disse meu nome, minha idade, um monte de inutilidades (não me lembro dessas inutilidades por estar hipnotizado por algumas belezas; e vocês sabem às quais eu me refiro) e minha paixão: eu cursava — e ainda curso — História. Eu disse olhando pra Marjorye, que a faculdade era o maior investimento da minha vida. Mesmo assim, eu estava largando mão de todo o meu tempo livre que eu gastava com estudos para trabalhar nos Correios. Percebam: eu sou uma pessoa completamente contraditória (Reinaldo e Sarah sabem disso mais do que todos).

Vim embora para Passárgada para Uberlândia e adorei o meu primeiro dia de trabalho. Mudei-me para Prata (não vou falar sobre a cidade para que ninguém me processe) e adorei o segundo dia de trabalho; e o terceiro, o quarto, o quinto... Lembram-se de quando eu dizia que morria de medo de chegar numa agência onde todos fossem metidos ou velhos retraídos? Então! A agência de Prata estava longe de ser isso. Diverti-me muito com a família Correios que vivia ali dentro (foi assim que eles se denominaram quando eu cheguei lá numa terça-feira quente; muito quente). Eu me senti em casa! A hora mais feliz do meu dia era quando eu estava no guichê, atendendo os clientes, oferecendo AR e vendendo Telesena (eu queria dar um beijo na careca do Edir Macêdo para agradecê-lo sobre todas as técnicas que ele ensinou; ele é lindo demais! até meus relacionamentos mudaram depois daquelas aulas de venda.).

E foi assim! Correios de dia, universidade à noite, estudos no final de semana e quase nenhum tempo livre (apesar disso, consegui um tempo pra ir ao show da Banda Uó! Marcos, viu a calça vermelha?). Minhas forças terminavam... os 10% de energia que o Jairão sempre me disse que era possível encontrar dentro de mim estavam acabando. Eu sabia que eu não ia conseguir: não era falta de fé em mim mesmo; era a minha saúde física e psíquica que estava em jogo (adoro fazer um drama!). É sério! Eu tive uma crise de ansiedade no meu quarto na casa do meu tio. A partir daí, comecei a pensar em algumas coisas.


“O que mais surpreende é o homem, 
pois perde a saúde para juntar 
dinheiro, depois perde o dinheiro 
para recuperar a saúde. 
Vive pensando ansiosamente no futuro, 
de tal forma que acaba por 
não viver nem o presente, 
nem o futuro. Vive como se 
nunca fosse morrer e 
morre como se nunca tivesse vivido.”
Dalai Lama

Dentro do meu quarto no Normandy, tive altas conversas com o Reinaldo sobre sonhos; dentro do ônibus dos Irmãos Lessa, eu conversei sobre planos com o Ronan (provavelmente você não se lembra); o Jairão me deu altos conselhos; e conversei sobre a carreira do Lincoln. Vocês me ajudaram a permanecer em BH durante o treinamento e, junto de vocês, tudo fazia sentido: o otimismo da Patrícia, a despreocupação da Natália (casar pra que, seu Nacib?) e da Mara, o sono da Brenda, a dedicação da Marcélia e da Michele, a beleza do César, a força da Grace, a ar responsável dos Rafaéis, os sorrisos das Maíras e a coragem do Gustavo e do Edmilson. Aqui, no mundo real, os fatos não se organizavam mais.

E o que eu tinha dito no início do treinamento? Eu amo o curso que eu faço! Foi só pensar em me tirarem isso, por um minuto, para eu perceber que isso aqui na UFU é minha vida. O mundo não sente nenhum pouco de pena de cortar nossas asas, destruir nossos sonhos e nos engaiolar numa jaula cinzenta. Eu tinha essa chance de realizar os meus sonhos e viver num mundo arco-íris (gay!), mas eu ainda insistia em seguir o caminho errado. O que eu estava fazendo, meu Deus?

Na semana passada, eu desisti dos Correios! Não sinto nenhuma culpa por isso, porque eu estou perseguindo o que eu sempre sonhei. Eu não preciso ter um salário bom; eu só quero realizar os meus sonhos (quem sabe eu possa pagar uma viagem pra Disney em 36x). Pessoas morrem todos os dias e eu não quero acabar minha vida enjaulado numa vida medíocre, que não me dá prazer, que não me satisfaz, que não me tesão, porra! Jairão, eu disse que eu não conseguia ser sério! Eu quero ser professor, artista, poeta; e não contar moedas de cinco centavos diariamente.

A frase do Dalai Lama foi uma das minhas inspirações, mas eu recebi o apoio dos meus pais, professores, familiares e amigos. Estou me sentindo a melhor pessoa do mundo. Eu estava tentando me convencer de que eu estava feliz; mas eu não sabia o que era a felicidade: agora eu sei, pelo menos um pouquinho, o que é isso. Eu vou tatuar a imagem acima (a da gaiola e dos passarinhos) na minha panturrilha definida e peluda para marcar esse momento, para que eu não me coloque novamente dentro de uma gaiola sem graça, sem vida. Minha mãe ainda não sabe da tatuagem, mas não precisa ficar sabendo. Mãe, essa carta não é pra senhora! Para de ler!

Eu quero encontrar com vocês e mostrar o tamanho do meu sorriso, o tamanho da minha satisfação; mostrar o quanto eu estou realizado. Não quero servir de exemplo, mas pensem: não se esqueçam dos seus sonhos. Eu tenho consciência do tamanho minúsculo da minha vida; e não quero que ela passe e eu perceba que tudo que eu fiz foi em vão. 

Beijo na boca,
É nóis que voa, bruxão.

Lucas Reis

sábado, 3 de novembro de 2012

Asas cortadas



"— Bem, como vai a escola?

— Bem.

— Já pensaste nos teus planos? Acerca da faculdade? Não... quero dizer, planos de vida?

— Bem, ainda penso em tornar-me escritor.

— Ouve, Bobby, sempre tiveste uma forte imaginação. E eu nunca tive problemas com isso. Mas estás a chegar à idade em que tens que ser prático. Certo! Os sonhos são ótimos quando se é jovem, mas eles não tem realmente lugar no mundo real."

Diálogo entre Bobby Griffith e seu pai, Robert Griffith, no filme "Orações para Bobby" (Prayers for Bobby, 2009).



domingo, 14 de outubro de 2012

Beijos, sussurros e o lápis no papel



Ela chegou de surpresa e o pegou desprevenido. Ele estava sentado à escrivaninha concentrado no delicioso barulho do lápis no papel e um arrepio percorreu todo o seu corpo quando ela beijou seu pescoço. Ele sentia a sensualidade emanar daquela pele macia.

— Eu te disse para você não mais me procurar! O que você está fazendo aqui?

Ela rodeou a cadeira e sentou no colo dele olhando fundo naqueles olhos cansados da leitura. Ela era linda! Ele sabia que tudo nela era perfeito, mas ele ficava desnorteado principalmente com aqueles lábios. Ela o beijou demoradamente deixando-o bêbado. Era impossível ser indiferente àquele toque. Ele fechou os olhos e deixou que sua língua o guiasse pelos contornos daquele beijo.

— Você nunca quis que eu fosse embora.

Ela o conhecia mais do que ele imaginava ser possível. Ele tentava se convencer de que a vida sem ela seria melhor, mas nunca tinha conseguido. No íntimo, ele a queria; ela era uma de suas necessidades vitais. Ele precisava dela. E ela tinha consciência disso.

Ela desfez o beijo e sua língua desceu pelas linhas duras do queixo do homem; a barba, o pescoço... Abriu os dois primeiros botões da camisa dele e deu-lhe pequenas mordidas na pele suada do seu peito. Os olhos dele se reviravam nas órbitas e seu corpo já não lhe pertencia.

Ela era experiente; sua língua, úmida e determinada. Ela se despia e o puxava para si: fazia-o afogar na fartura de seus seios e enfiava suas unhas nas costas largas dele.

Quando ele já estava completamente imerso naquela terra de prazeres, ela se levantou e caminhou sensual para a cama. A única coisa que escondia sua nudez era a escuridão; mesmo assim, as trevas não queriam ocultar tal perfeição: a luz da lua entrava pelas frestas da janela e iluminava um pedaço daquele corpo nu.

Ele tremia. Suas roupas já estavam todas jogadas pelo chão e ele sentia uma leve cãibra nos dedos dos pés. Era uma reação natural do seu corpo. Ele queria tê-la, mas sabia que, se continuasse insistindo naquela loucura, nunca se livraria dela. Era o homem animal querendo seguir o seu instinto primitivo contra o homem racional que queria se livrar daquela loucura.

— Eu te pedi! Pedi para que você não me procurasse. Quanto mais você demorar em desaparecer, maior será meu sofrimento quando eu não puder mais ter você.

Ela se acariciava despreocupadamente.

— Você me quer. Por isso eu estou aqui.

— Você sabe que esse é um momento de fraqueza! — ele gritou. — Você só aparece quando eu não consigo me controlar. Eu não quero mais você aqui.

— Eu sei que quer. Você precisa de mim! — A voz dela era sussurrada. Sensual. — E essa sua... necessidade... é visível. — Ela riu olhando para a nudez do homem na sua frente; o membro rígido.

Ele não ficou envergonhado com aquela brincadeira:

— Eu sei que você não é real!

— Por que você acha que eu não sou real? — Ela ficou em pé e se aproximou. Tocou-o, mordeu sua orelha e sussurrou: — Isso não lhe parece bem real?

— Você só aparece quando o meu inconsciente quer que você apareça. Você não existe. Você me tenta, faz de mim o que você quer e depois some. Essa... esse... isso que a gente tem junto nunca poderá ser saudável. Não tem futuro! Não tem continuidade! Você não existe!

Ela ouvia o desabafo enquanto sua língua explorava os poros do peito dele; os pelos, o cheiro, a textura...

— Você não existe! — A cãibra nos dedos dos pés era uma sensação excitante e ele ofegava. — Não podemos continuar. Você não é real. Você é fruto da minha imaginação.

— E quem foi que te disse que a imaginação não é real? Só porque eu sou fruto da sua mente criativa, eu não posso ser real? Só por eu estar na sua mente, eu já sou real. Apenas por esse fato, eu já existo: faço parte dos seus pensamentos, da sua imaginação. — Ela sorriu. Deitou-se na cama e puxou-o pelo quadril. — Venha comigo! E saiba que o mundo imaginário é bem mais divertido que o real.