Mostrando postagens com marcador UFU. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador UFU. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sobre a vida


Já passavam das nove horas da noite e o vento batia frio nas minhas orelhas. Mochila nas costas, mãos nos bolsos da calça, cabeça abaixada, eu subia um caminho comprido que começava lá naquele último estacionamento do campus da universidade, passava ao lado da biblioteca e acaba ali, ao lado do bloco do Direito.

Na direção contrária, um rapaz descia apressado trazendo na mão uma meia dúzia de livros. O barulho dos seus pés no cimento me fez levantar a cabeça e nossos olhares se cruzaram; sempre que isso acontece, surge um tipo de intimidade entre os envolvidos. O menino precisava de ajuda e aquela troca de olhares, então, deu-lhe o espaço que ele precisava para se aproximar:

— Oi. A biblioteca tá aberta? — perguntou com um sorriso.

Eu olhei para o prédio lá embaixo e não estava muito certo sobre a resposta.

— Uai, eu acho que tá...

— É que disseram que essa semana não ia abrir. Eles ‘tão em greve? É que eu preciso entregar esses livros.

Eu já sabia que era um desses novatos inexperientes. Coitados...

— Eu não vi nenhum cartaz falando de greve, não. Ontem, pelo menos, a biblioteca tava aberta.

— Tava?

— Tava. E, se eles ‘tiverem de greve, não precisa ficar preocupado, não: eles não cobram multa nesses casos.

Ele ainda hesitou. Sinceramente, eu não sei por que aquele rapaz ainda estava perdendo tempo comigo: seria mais fácil descer mais alguns metros e conferir se a porta estava aberta do que tentar tirar alguma informação de um sujeito distraído.

De qualquer forma, eu tentei animá-lo:

— Ontem tava!

— Sério? Eu vou descer lá.

— Desce mesmo! Deve ‘tá aberta, sim.

— Você tem certeza?

Levantei os braços pra cima, encolhi os ombros:

— Olha, moço, certeza certeza eu só tenho da morte...

Ele sorriu pra mim e eu vi pela sua expressão o quanto ele achava tudo aquilo absurdo. Eu também ri. O que eu tinha dito?

— Obrigado — ele disse no meio de uma risada tímida. E foi.

Enquanto eu... segui meu caminho pensando sobre a nossa vida frágil e efêmera.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Anjo da Guarda


Enquanto as crianças entravam no carro, a mulher sentada no banco do motorista alisava a sobrancelha olhando no retrovisor interno. Seu filho mais novo — nossa, quando essas crianças cresceram tanto? — sentou-se no banco da frente, depois de muito pedir à irmã mais velha; a menina, de uns 15 anos, sentou-se no banco de trás com o celular na mão.

Era início da tarde e os três pouco conversavam dentro do carro; a menina zapeava pelos aplicativos do seu celular e o menino estava entretido com as músicas no som do carro. A mãe dos meninos tentava acompanhar as letras ensurdecedoras com seu inglês que tinha aprendido num curso de conversação para funcionários da universidade.

Subiam pela Av. Brasil, perto do fim do bairro com o mesmo nome. O carro deles é um desses modelos novos do Fiat Uno, branco, discreto. Pararam num sinaleiro. Mais uma vez a mulher olhou no retrovisor para conferir a sobrancelha, a menina continuava no celular e o menino remexia nuns papéis em seu colo.

O sinal ainda estava vermelho quando um rapaz apareceu de supetão na janela do lado do passageiro. Meu Deus, a mãe estava tão distraída com o retrovisor que nem percebeu o susto que o filho levou com aquela aparição inusitada. Vamos ser assaltados!, talvez tenha sido seu pensamento.

O rapaz do lado de fora tinha uma mochila nas costas, óculos de armação escura, a respiração ofegante e o desespero estampado na cara. Ele vai levar meu celular!, a menina deve ter pensado. Mas o rapaz só queria falar com a motorista:

— Moça — ele chamou —, moça!

A mulher continuava a cantarolar enquanto arrumava sua sobrancelha, alheia ao desespero dos seus filhos. Quando percebeu a presença ameaçadora na janela do seu carro, soltou um Ai, que susto, menino!

— Moça, eu preciso de ajuda — o rapaz foi logo cuspindo as palavras: — Eu tô com duas meninas aqui comigo. E elas precisam fazer o vestibular ali na Universidade. No campus que fica logo ali em cima! Mas a gente desceu do ônibus no ponto errado e agora só faltam 15 minutos pro início da prova. Tá muito longe pra ir a pé. A gente tá desesperado! Eu preciso arranjar uma carona pra essas meninas...!

— Meu Deus! Cadê elas, menino? Coloca elas dentro do carro que eu levo elas lá agora!

— Ai, moça! Obrigado, obrigado, obrigado. — O rapaz agradeceu.

Esse rapaz desesperado por uma ajuda era eu; as duas meninas atrasadas para o vestibular de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia eram minha irmã e minha prima. Tudo isso aconteceu no sábado passado numa correria que durou alguns minutos — mas que, pela dor nas minhas costas no dia seguinte, pareceu durar horas — em busca de uma alma caridosa que pudesse nos ajudar.

Quando eu encontrei esse carro parado no semáforo, eu não me lembrei de vergonha ou timidez e coloquei o “carão” lá dentro pra pedir ajuda. Assustei o menino que estava sentado no banco da frente, mas, quando a mulher mostrou-se solidária com a minha causa, eu só fiz agradecer.

Peguei minha irmã pelo braço e joguei no banco de trás ao lado da menina que mexia no celular; depois empurrei minha prima e espremi todo mundo até que coubessem todas dentro do carro. O sinal passou do vermelho para o verde e eu, da calçada, me despedi das meninas que já arrancavam os cabelos de ansiedade.

Quando eu contei o acontecido pra minha mãe, ela me disse que essa seria uma história para rirmos daqui uns meses. Nem foi preciso tanto: no final daquela tarde, nós já estávamos nos contorcendo de tanto rir de tudo que a gente tinha feito, de todas as pessoas que a gente tinha abordado antes de encontrar alguém solícito... E agradecemos a essa mulher que eu transformei em protagonista dessa história, mesmo sem saber seu nome, sua profissão ou se era mesmo mãe daqueles meninos, mas que foi o nosso anjo da guarda naquele dia. 

domingo, 19 de maio de 2013

E outro semestre


Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim

Começa mais um semestre letivo. Depois de quatro deles, eu já deveria ter me acostumado, mas não; continuo ficando com um frio na barriga pensando tudo que me espera nos próximos meses. É um período de muitos momentos felizes, não nego, mas, às vezes, conquistados com muito estresse, cansaço e infinitas noites mal dormidas.

É quando eu vou acordar cedo todas as manhãs e, antes que eu me acostume com a luz do sol, a temperatura ou o gosto ruim do café, eu já estarei na rua com minha inseparável mochila.

Esse início de semestre serve para novas promessas: prometer a si mesmo que dessa vez você vai fazer diferente. Mas eu sempre ficarei frustrado por não dar conta de todas as leituras, por pensar em desistir de alguma das cinco disciplinas, por não conseguir acompanhar nenhum programa de televisão, por não conseguir ir ao cinema semanalmente, por não ter tempo de comer algo melhor que um miojo.

Eu vou ficar com raiva de mim mesmo por ter passado tempo demais na internet ou por eu não ter conseguido ler nenhum romance policial, fantasia medieval ou qualquer outro clássico da literatura.

Eu vou pular algumas refeições, vou dormir pra esquecer meu nome, vou passar horas a fio na frente de um computador tentando escrever um texto pro blog e, sim, vou me esquecer de pelo menos dois banhos na semana.

Vou enfiar uma coxinha goela abaixo, vou esquecer-me das minhas redes sociais por muito tempo, vou enfrentar ônibus e chuvas e filas e louças na pia. E vou andar com a mochila cheia de livros... que eu nunca vou ler.

Bem, eu não sei bem onde tudo isso vai dar, mas, surpreendentemente, eu amo tudo isso!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

100 palavras para se lembrar de 2012

[ou para esquecer; depende do ponto de vista e do seu bom humor]


Fim do mundo

Luís Felipe Scolari

Para nossa alegria

Olimpíadas de Londres

Tufão

Madonna

Louis Vettel

Carminha

One Direction

#OiOiOi

Cotas nas Universidades

The Voice Brasil

O Artista

Michael Phelps

Eleições Municipais

Whitney Houston

Carrossel

Hebe Camargo

Goleiro Bruno

Lady Gaga

Gina Indelicada

Hugo Cabret

Furacão Sandy

Mensalão

Eric Hobsbawn

O Hobbit

Maias

Barack Obama

Rio +20

Oscar Niemeyer

Babi Rossi

Eu quero ver tu me chamar de amendoim

Titanic

Veja

Xingu

Gangnam Style

Ai, se eu te pego

Empreguetes

Egito

Carlinhos Cachoeira

Corinthians

Eu vou lhe usar!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bate-papo


— E aí, cara? Como é que tá?

— Ah, na mesma, né! Essa greve...

— Pois é. Três meses já, hein.

— 90 dias!

— 90 dias — o outro concorda. — Tô até vendo os professores ferrando com todos os alunos quando as aulas voltarem.

— Fazer o que, né! É a única arma deles pra conseguir melhorias e tal.

— Pois é.

— Mas já cansei dessa brincadeira. Que palhaçada é essa? Já teve um monte de negociações e não resolveram merda nenhuma. E a gente vai atolando na merda cada vez mais. Isso sem falar nos Policiais Federais e nos Fiscais Ambientais que também ‘tão de greve. Vai dar um nó d’um tamanho nesse país!

— Por isso que o Brasil não vai pra frente. Com um governo desses...

— E aí, a gente perde o ritmo, fica sem fazer nada o dia inteiro...

— No início eu tava até planejando estudar, adiantar as leituras...

— Quem não estava?

— ... mas aí fui acomodando, deixando tudo pra depois.

— A gente fica tenso o tempo inteiro pensando quando as aulas vão voltar. Podem voltar a qualquer momento e, quando voltar, os professores vão socar um monte de trabalho no nosso rabo.

— Foda de-mais! E o povo que estuda em faculdade particular diz que é por isso que não estuda numa Universidade Federal. Não estuda é porque não conseguiu passar no vestibular! Sabe aquela faculdade ali no centro? Então! Junto com a prova do “vestibular” já vem a folha de inscrição e sua grade horária.

— E eles ainda dizem que é férias. Férias o rabo deles!

— Se bem que tem alguns que fizeram da greve suas férias, né. Aquele Renato filho duma quenga foi até pra praia.

— Ah, é?

— Foi, uai. Vagabundo! Tava lá com aquele volume estranho na sunga abraçadinho com a Franciele.

— Sua ex?

— Vadia! Tenho certeza que ela já tinha um trelelê com o Renato antes d’eu terminar o namoro.

— Mas foi ela que terminou.

— Tanto faz. A ordem dos cavalos não altera a carroça.

— Mas eu bem que tava querendo ir pra praia também. Em janeiro.

— Nóoooh! Bão demais, hein! Eu tava querendo ir lá pra Natal passar uma temporada.

— Já conheci Natal. Foi... uns três anos atrás. Fui com aquele amigo meu de BH, lembra?

— Ah, sei!

— Agora tava querendo conhecer Fortaleza. Nossa, vi umas fotos de lá. Tem umas festas loucas na alta temporada. Mas nem vai dar.

— Uai, por quê?

— A gente vai ter que repor as aulas, esqueceu? Essa greve...

— Pois é. Três meses.

— 90 dias!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Yes, I can!

[o título ia ser "I will survive", mas eu achei que as pessoas poderiam pensar outra coisa do texto.]

Uma semana em Uberlândia! Incrivelmente, para a surpresa da nação brasileira, eu consegui sobreviver.

Uberlândia, uma cidade muitas vezes maior que a pacata (?) Patrocínio, parecia-me um bicho-de-sete-cabeças. Da mesma forma que os americanos sonham com Las Vegas, nós, de cidades pequenas, imaginávamos Uberlândia como uma capital do Triângulo Mineiro. Na verdade, até hoje eu imagino. Não sei porque usei o verbo no passado.

E só de pensar na possibilidade de morar em Uberlândia dava uma mistura de felicidade por estar num lugar diferente e cheio de oportunidades, mas muito medo. É que nem uma frase que eu ouvi quando eu era criança e nunca esqueci: "Nós gostamos do novo, mas temos medo dele."

Mas eu sobrevivi.

Agora, vamos deixar de filosofar e vamos para o que interessa, que é o que eu escrevo nesse blog. As minhas impressões sobre o lugar.

A primeira coisa é a liberdade: aqui parece que as pessoas não ficam me encarando e olhando a roupa que eu visto. Eu acho que cidade grande tem tanta coisa o que pensar que as pessoas estão pouco se lixando para a roupa que você está usando.

O shopping também é outra coisa, né. É outra cidade dentro de Uberlândia. Eu não tenho o costume de ir ao shopping porque em Patrocínio tem um, mas não tem nada lá. Complicado de explicar, né!

Mas eu gostei do clima do lugar. E mais uma vez cada um cuida da sua vida que é o melhor.

O terceiro item e o mais divertido são os transportes coletivos: os ônibus. Quem não tem senso de humor pode ser uma desgraça, mas, às vezes, eu me segurava pra não rir de tão engraçado que eram as situações.

No meu primeiro dia de ônibus, eu não pude subir nele. O negócio tava tão cheio que não cabia mais nenhuma alma. Entraram umas cinco pessoas que estavam no ponto de ônibus, mas o resto, incluindo eu, ficamos esperando pelo próximo. Depois, quando eu já tava nesse segundo eu tive que ir na escadinha ao lado do motorista. Uma loucura!

E ontem choveu, né! Aí, aquela coisa. Eu vi que tinha muita gente esperando o ônibus. Eu percebi que era o mesmo que eu esperava. Pensei: "Putz!"

Aí, entrou todo mundo. Demorou uns 10 minutos pra todo mundo se ajeitar. Foi quando o ônibus partiu.

Eu tava naquela situação "me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém" e aquele Cheiro de Corpo (CC) ma-ra-vi-lho-so! Mas foi de boa.

Tô adorando e vou ter muito tempo pra descobrir mais algumas coisas que eu não conheço. Vai ser legal!

[Eu ia comentar sobre a UFU (Universidade Federal de Uberlândia), mas eu acho que merece um post exclusivo! rsrsrsrs]

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

UFU!


Nem sei a última vez que eu sentei e falei: "Vou escrever alguma coisa pro blog".


Eu tava tão louco de medo, nervosismo, ansiedade e mais um monte de coisas que, por ser tantas coisas, eu não sabia diferenciá-las e enumerar todas elas.

A minha espera para fazer a matrícula na UFU tava parecendo a minha espera para o vestibular. Eu não sei porque eu sempre penso que TUDO vai dar errado.

"Uma coisa que já deu certo, seu idiota?"

Mas eu penso que TUDO PODE ACONTECER.

Agora, a minha ansiedade é outra. Começar logo o curso de História e aproveitar o máximo. Ai, tô super animado!

Eu sempre quis dizer:

Eu vou fazer História!