domingo, 4 de abril de 2010

Companheiros e cúmplices

Quando eu era criança, eu ouvi uma frase que dizia que irmão é feito pra brigar. Naquela época, isso fazia todo o sentido: para que, além de brigar, servia nossos irmãos? Para nada. O tempo passou e as coisas evoluíram (nossas mentes são algumas dessas coisas) e percebemos que o mundo não funciona bem assim.

Posso contar tudo por experiência própria. Sou o filho mais velho e minha primeira irmã nasceu quando eu tinha três anos e meio, mais ou menos. Não lembro se eu sentia ciúmes ou inveja, mas lembro que eu aprontava muito com ela quando estávamos sozinhos. Alguns machucados na perna ou alguma esfolada no rosto eram sempre de alguma brincadeira que eu fazia, mas… eu fazia uma cara de santo e falava que ela tinha caído sozinha.

Mas me recordo que eu também não era tão maldoso assim. Lembro que eu ficava escondido num canto, chorando, quando minha irmã apanhava por alguma estripulia. Nem sabia o porquê daquela angústia, mas agora entendo que era o início de um companheirismo. Um companheirismo que só apareceria muitos anos depois.

Nós dois brigamos muito até chegar meu segundo irmão. Isso! Um garoto. Eu tinha pouco mais de nove anos quando ele nasceu. Eu, sinceramente, esperava uma menina, mas quando soube do menino não fiquei triste. Satisfeito, diria.

É uma lembrança mais recente. Era domingo e, eu e minha irmã, tivemos de fazer um grande esforço pra conseguirmos entrar na maternidade. Eu fiquei ao lado daquele menininho e estendi minha mão. Ele segurou meu dedo indicador com toda a sua mão minúscula. Eu me arrepiei todo. E até hoje me arrepio de lembrar como meu irmão era pequeno.

Nós três dormíamos no mesmo quarto (morávamos numa casa muito pequena) e talvez essa “proximidade” tenha sido a causa de algumas briguinhas de nada.

Sempre banquei um pouco o durão, não um garoto rude, mas um garoto centrado, seguro, mas respirava fundo pra não me desmanchar. Eu apenas tentava ser uma extensão dos meus pais. Lembro que minha irmã tinha menos de cinco anos quando caiu de costas de uma altura considerável e eu quase desmaiei quando vi isso. E meu irmão tinha menos de um ano quando quebrou a perna e não conseguiu aprender a andar; ele era apenas um bebê quando carregava um gesso, mesmo sem aprender a engatinhar. Eu respirava e mostrava que eu era durão.

Nas horas de raiva, a gente diz que preferia ser filho único, mas, junto com uma amiga, eu formei uma teoria de que seríamos bem mais egoístas se não fossem nossos irmãos mais novos.

Eu acho que eu tinha quinze anos quando eu percebi que os irmãos não servem apenas para brigar. Talvez eu esteja sendo um pouco metido, mas eu tento ser um exemplo para meus irmãos. Não sei se algum dia eu vou ter filhos, mas, meus irmãos eu tenho certeza de que estarão aqui pra sempre. Eu sonho no dia em que eles vão poder mostrar para os amigos: “Aquele lá é meu irmão.”

Como eu disse antes, o companheirismo só veio muitos anos depois. Claro que temos muitas coisas para melhorar, mas as coisas evoluíram muito nos últimos anos. Não gosto muito de dizer “companheiros”, mas cúmplices.

Nas horas de raiva, a gente diz que preferia ser filho único, mas ter irmãos é uma experiência inesquecível.

2 comentários:

Rafa disse...

Ei! Eu sei como é ser o "exemplo". Tenho uma irmã mais nova e, tipo, por mais que ela seja da minha idade, eu ainda me sinto na obrigação de dar exemplo. Mas vai ser sempre assim... E, acredite, seus irmãos vão dizer isso um dia. ;)
Beijo!

Ériquinha ' ♥ disse...

Num sei oq eu falo primeiro…
Tô em estado de choque, to chorando (muito)
Lucas, meu irmão amo muito vc e vc num precisa sonhar qi eu fale (algum dia) “Aquele é meu irmão”, pq eu já falo isso o tempo todo, tenho o maior orgulho de ser sua irmã…
Num consegui escrever tudo qi eu queria pq num consigo pensar em nada agora mas tá baum
AMOO MUITO VC <3
Ahh!! mais uma coisa onde foi qi eu caí? hasuahsuash